<< Voltar
7 de outubro de 2021
Paulo Câmara realiza primeira audiência pública sobre dislexia na Alba

Paulo Câmara realiza primeira audiência pública sobre dislexia na Alba

O deputado estadual Paulo Câmara (PSDB) realizou na manhã de hoje (6), na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), a primeira audiência pública na Casa sobre dislexia e transtornos de aprendizagem. O encontro faz parte da Semana Estadual de Conscientização e Informação sobre a Dislexia e Transtornos de Aprendizagem, calendário que já é lei no estado, fruto de um projeto de autoria do parlamentar e que passa a ser comemorado anualmente na semana do dia 8 de outubro.

“Meu mandato assumiu um compromisso com esta causa, de colocar de vez esse assunto na pauta pública. Enquanto legislador, cabe a mim propor as leis necessárias e trazer essa discussão para a ordem do dia, provocando sempre o Executivo estadual e, pela relação que tenho, também o Executivo municipal. Temos o desafio de tirar essa discussão do papel e levar para as escolas. Foi uma manhã enriquecedora para mim não somente enquanto deputado, mas como ser humano. Saio daqui uma pessoa melhor, com mais conhecimento e mais preparado para enfrentar essa luta”, disse Paulo Câmara.

Integrante da mesa, a fundadora da Associação Baiana de Dislexia (DislexBahia), Priscila Garrido, contou a trajetória que percorreu com seu filho, portador de dislexia, até fundar a entidade. “É estranho pensar que um transtorno que atinge cerca de 10% da população é tão desconhecido por professores, escolas, pedagogos e profissionais da saúde. Quando lembro de nossa história, andando de profissional para profissional, sem saber para que lado ir, sentindo a frustração de nosso filho que não aprendia as palavras, que tinha dificuldade para ler, que criou fobia escolar apenas porque aprende de uma forma diferente”, relatou Garrido, ao que completou: “o grande mal da dislexia é o desconhecimento”.

E foi pensando na falta de informação sobre a dislexia e a falta de acesso ao tratamento por quem não tem condições de pagar que Garrido resolveu se unir a outros pais e profissionais para criar a DislexBahia.

“Nossa missão é ajudar com informação, com apoio, mas também com uma luta para que o poder público faça sua parte, se organize e crie instrumentos para apoiar estas pessoas. Obrigada, deputado, por nos apoiar, fazer parte dessa luta, tirar a dislexia da sombra e trazer para esta casa”, agradeceu.

Também integrante da mesa, a fonoaudióloga Laura Giotto ilustrou os desafios de uma pessoa com dislexia e esclareceu sobre ações de sucesso já implementadas para que os deputados possam refletir e visualizar caminhos nas políticas públicas possíveis para a Bahia.

“Diante da gravidade e seriedade dos prejuízos educativos e socioafetivos vivenciados por essas crianças, a ação pública é necessária. Posso citar pelo menos três norteadores amplamente validados pela literatura científica e por estudos populacionais. O primeiro é a prevenção da consolidação da gravidade das dificuldades. O Segundo é a capacitação de educadores e profissionais da saúde para a intervenção adequada e o terceiro é acesso para usufruto de tecnologias”, explicou Giotto.

Por sua vez, a neurologista Clarice Tardio despertou para a importância do trabalho multidisciplinar. “Precisamos unir pedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, neuropsicólogos e entidades, funcionando como um relógio antigo, em que cada um representa uma peça da engrenagem, que só conseguem fazê-lo funcionar em conjunto”, disse.

Representando pessoas com dislexia, Ana Aparecida Carneiro também compôs a mesa e fez um depoimento emocionante sobre sua experiência.

“Eu fui tomando um certo receio da escola, levando-a como um desafio para a minha vida. Se eu escutasse o professor e eu conseguisse compreender o que ele estava falando, não precisava estudar mais nada. A descoberta da dislexia foi assim para mim, eu me perguntava por que eu ensinava todo o conteúdo que eu aprendia do professor para um colega, mas na hora da prova eu não conseguia fazer. A minha caminhada foi justamente essa, de procurar quem eu sou e conhecer o meu valor. Para mim, dos maiores desafios, o desbravar é o que prevalece”, relatou.

Em formato híbrido, a audiência também contou com a participação remota de Maria Ângela Nico, presidente da Associação Brasileira de Dislexia, e contou com a presença de dezenas de pessoas.

Laço Azul com Laranja
Outro projeto de autoria do deputado e que já é lei é o que cria o laço azul com laranja como símbolo de conscientização sobre a dislexia no estado da Bahia, que deverá ser utilizado em palestras, seminários, campanhas, simpósios e afins.

O que é
De acordo com o Instituo ABCD, o Transtorno de Aprendizagem, muitas vezes referido como Transtorno Específico da Aprendizagem (TEAp), é um termo guarda-chuva usado para se referir a condições neurológicas que afetam a aprendizagem e o processamento de informações. O termo é usado para descrever dificuldades específicas para adquirir habilidades acadêmicas básicas.