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21 de maio de 2013
Uma nova proposta de mobilidade urbana para Salvador

Uma nova proposta de mobilidade urbana para Salvador

As consequências devastadoras de um longo período de descaso com o meio ambiente colocaram a sustentabilidade como pauta central no planejamento das cidades. Após anos vivendo os reflexos do pós-guerra e do crescimento da sociedade de consumo pautada, sobretudo, nas empresas automobilísticas, a proposta é repensar as cidades para atender as pessoas, e as cidades europeias saíram na frente.

As primeiras ações de transformação em Copenhague, na Dinamarca, aconteceram em 1962. Mesmo com a rejeição declarada dos comerciantes, uma avenida de grande fluxo diário foi transformada em um grande calçadão, uma rua para pedestres. Apesar do frio que faz em boa parte do ano, a população abraçou a proposta, e um ano depois os comerciantes comemoravam um aumento significativo nas vendas. São mais de 50 anos de reestruturações na cidade, todas pensadas na qualidade de vida das pessoas.

Londres, a capital britânica, optou por uma solução um pouco mais radical. Passou a cobrar pedágio para as pessoas que insistiam em usar seus carros no centro da cidade. O resultado foi um aumento de 39% no fluxo de pedestres por dia. Isso sem falar que aumentou o número de árvores plantadas e na redução das emissões de CO2. E por que não falar da Times Square, centro efervescente e econômico de Nova York, EUA. O principal cruzamento foi fechado e hoje é uma rua de pedestres.

Você pode estar pensando: “Sim, isso é lá, aqui no Brasil não vai acontecer!”. Sem dúvida a implantação de projetos bem-sucedidos em países da Europa, por exemplo, precisariam de ajustes de “brasilidade” para obter êxito no nosso país. Por mais que o processo seja por vezes lento, o resultado é muito positivo: em Copenhague, por exemplo, 89% da população declara estar satisfeita com a cidade.

Vamos pensar juntos as soluções para que Salvador seja uma cidade sustentável e com qualidade de vida. A transformação parte da demonstração de interesse da sociedade civil em repensar coletivamente espaços públicos para receber as pessoas. Para nos inspirar, conheçam a Rua XV, primeira rua de pedestres do Brasil, tombada como Paisagem por lei estadual do Paraná.