O Casamento perfeito entre mobilidade e leitura
Mobilidade, cidadania e livros. O que essas três coisas tem em comum? Tudo! Estão se espalhando pelo país belíssimas iniciativas de cidadãos com a proposta de levar os livros sempre ao acesso de mais e mais pessoas.
Bibliotecas móveis não são nenhuma novidade; projetos com ônibus, micro-ônibus e caminhões-baú acontecem em todo país há anos, possibilitando que crianças e adolescentes utilizem os automóveis como salas de leituras. São inúmeros exemplares e cada um pode escolher o que quer ler.
Mas a proposta das bibliotecas sobre rodas, as biciclotecas ou bibliocicletas, é um pouco diferente. De forma econômica, com possibilidade de chegar aos locais de difícil acesso para carros, e não poluentes, as bibliotecas sobre rodas além de encantar crianças e adultos, convocam a população para algo muito interessante: a colaboração.
Nas bibliotecas sobre rodas, a exemplo de projeto da “Bibicloteca”, idealizada pelo Rafael Bernardes, em São Paulo – SP, (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/05/biblioteca-sobre-rodas-faz-sucesso-em-sao-paulo.html) ou a “Bibliocicleta”, desenvolvida pelo jovem Augusto Leal, aqui do lado, em Simões Filho – BA, os livros são doados para as pessoas.
Quando uma bicicleta cheia de livros para nas ruas, praças ou esquinas dessas duas cidades, provocam em ambas duas reações: no primeiro momento acontece o encantamento. Os livros são escolhidos, as pessoas leem e podem levar para suas casas. Mas a melhor parte está na segunda reação: as pessoas procuram novamente as bibliotecas sobre rodas, mas dessa vez para fazer suas doações.
Robson Mendonça, “biciclotecário”
A reportagem da Revista Época-São Paulo, conta a história de um exemplo a ser seguido. Robson Mendonça era agropecuarista em Alegrete (RS), quando decidiu, há mais de 10 anos, morar na capital paulista. Assaltado, sem dinheiro, documentos ou familiares na cidade, virou morador de rua. Sua esposa e filhos sofrem um acidente de carro e faleceram. Como forma de tentar mudar a situação na qual se encontrava, ele e outros organizaram o Movimento Estadual da População em Situação de Rua, que no ano 2011 ajudou a encaminhar 242 pessoas sem-teto a cursos e empregos.
Mas ainda faltava algo: a possibilidade de estudar, ter acesso à informação e conhecimento. Por ser morador de rua, Robson não tinha acesso às bibliotecas. É aí que surge a ideia de uma biblioteca itinerante, que se concretizou após o mesmo conhecer o projeto “Bibicloteca”, de Lincoln Paiva. Robson circula pelas ruas de São Paulo, com cerca de 300 obras, fazendo empréstimo para os mais diversos leitores, principalmente moradores de rua.
