Dia Internacional da Mulher Negra

Nesta quinta-feira, 25 de julho, é comemorado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Instituída pela ONU em 1992, a data lembra a luta e a resistência da mulher negra no continente. Em Salvador, a data ganha destaque. Afinal, a herança africana é forte na capital baiana. Estima-se que 74,9% da população soteropolitana seja negra ou parda, e no censo de 2010 do IBGE mais de 700 mil pessoas se declararam da raça negra.
Desde séculos passados, as mulheres negras vêm mostrando que são guerreiras e lutam por melhores condições de vida. E é a expressão “Mulher Guerreira” que dá nome ao troféu que homenageia uma das nossas heroínas baianas. O Prêmio Mulher Guerreira Maria Felipa é concedido pela Câmara Municipal de Salvador desde 2009 a mulheres negras que se destacaram em determinada área de atuação. Maria Felipa de Oliveira, também conhecida como a heroína negra da independência, foi fundamental para a data histórica do 2 de Julho. Ela liderou um grupo de homens e mulheres que enviava mantimentos para os combatentes no Recôncavo, vigiava as praias para evitar o desembarque de tropas inimigas, além de participar diretamente nas batalhas.
Elas mostram a sua força atuando junto à política. A atual vice-prefeita de Salvador, Célia Sacramento, é negra e defensora de movimentos contra o racismo. Foi da Bahia que saiu a primeira juíza negra do Brasil, a desembargadora Luislinda Valois, e a primeira reitora negra de uma universidade no país, a atual secretária municipal de Reparação, Ivete Sacramento. Ivete foi reitora da Universidade Estadual da Bahia (Uneb) e a responsável pela implantação do sistema de cotas na instituição. Na Câmara de Vereadores, já passaram Valquíria Barbosa, Marta Rodrigues, Olívia Santana e, na legislatura atual, Tia Eron, terceira parlamentar mais votada e vice-líder do governo na Casa Legislativa.
Na cultura se destacaram as famosas quituteiras Dadá, Dinha do Acarajé e Alaíde do Feijão. No campo intelectual não se pode deixar de citar a socióloga Vilma Reis, presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado da Bahia (CDCN) e especialista em violência contra mulheres negras. Na música, Margareth Menezes canta traços das tradições africanas em suas letras. Temos ainda as sumidades religiosas Mãe Menininha do Gantois e Mãe Stella de Oxóssi.
Ainda são muitas as batalhas que as mulheres negras têm que vencer, seja em relação a melhores posições no mercado de trabalho, pela busca de melhores condições de vida, seja contra o racismo e a violência. Elas se pautarão no exemplo de Maria Felipa e de tantas outras guerreiras para superar os desafios enfrentados no cotidiano.
