Pelourinho: memória de Salvador e do Brasil

Sem dúvida alguma, se perguntarmos a turistas estrangeiros e brasileiros qual o local de Salvador que eles consideram símbolo da cidade – e até mesmo do estado da Bahia – muito provavelmente a maioria deles irá citar o Pelourinho. Com suas casas e sobrados coloridos, construídos em estilo colonial, essa parte do centro histórico de Salvador é mundialmente conhecida por carregar grande representatividade física e simbólica da história do município e, consequentemente, do Brasil.
Fundado por Tomé de Souza, quando chegou à Bahia no século XVI, inicialmente o Pelourinho foi escolhido como local para a construção da “cidade fortaleza” devido à sua localização geográfica que favorecia a defesa contra ataques que viessem pelo mar. À medida que o município foi sendo ocupado, principalmente a partir do século XVII, o local se tornou uma área elitizada, onde os grandes e poderosos proprietários rurais construíram casas e sobrados suntuosos para mostrar o seu poderio.
Atualmente convencionou-se chamar de Pelourinho a maior parte do Centro Histórico de Salvador, começando da Praça Municipal até o bairro de Santo Antônio Além do Carmo. No entanto, até a metade do século passado chamava-se assim apenas o largo do bairro, local onde os escravos eram castigados. Aliás, o nome Pelourinho designava o instrumento de tortura específico – um poste de madeira ou de pedra, com argolas de ferro, erguido em praça pública – onde os negros escravizados eram amarrados e chicoteados.
O bairro hoje tem uma função turística e de preservação da memória da história soteropolitana e brasileira. Abriga restaurantes de culinária baiana, igrejas e edifícios históricos e imponentes, como a Faculdade de Medicina e a Catedral da Sé. O Pelô, como chamam carinhosamente os baianos, também já se tornou um circuito de carnaval alternativo, indicado para quem não gosta do fervor e das multidões dos circuitos Dodô e Osmar, e também é onde acontece a festa de São João da cidade, uma opção para os que não viajam para o interior. Em 1985 a UNESCO tombou o bairro como Patrimônio Cultural da Humanidade.
