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15 de maio de 2013
A mobilidade urbana afeta todos os setores e deve trazer no seu bojo o desenvolvimento social

A mobilidade urbana afeta todos os setores e deve trazer no seu bojo o desenvolvimento social

Evento atraiu vereadores, especialistas e representantes de bairros
Evento atraiu vereadores, especialistas e representantes de bairros

Um debate efervescente movimentou o Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador no último dia 13. Afinal, o tema aborda o assunto que mais aflige a população da terceira maior metrópole brasileira no momento. A (falta de) mobilidade urbana. A palestra foi proferida por Lincoln Paiva, que lidera missões técnicas de mobilidade urbana em países das Américas, Ásia e Europa. Paiva é fundador da ONG Green Mobility  e presidente do Instituto Mobilidade Verde e membro  da Urban Gateway, comunidade de especialistas em Desenvolvimento Urbano coordenada pela ONU-Habitat. Com relação ao grande sonho de consumo do soteropolitano relativo à mobilidade urbana; o tão sonhado metrô; Paiva adverte que ele precisa trazer no seu bojo o desenvolvimento social.

Ele também defende a ampliação de ciclovias e espaços para os pedestres, fomentando assim transportes “suaves”. Segundo Paiva, é necessário observar a geografia de cada cidade e assim implantar modelos de transporte integrados.

O Ciclo de palestras “Salvador Sustentável- A Qualidade de Vida da Cidade no Centro das Nossas Discussões”, promovido pela Câmara Municipal de Salvador, e coordenado pelo presidente da Casa, Paulo Câmara, ainda vai debater os seguintes temas: Planejamento Urbano; Sustentabilidade na Economia; Justiça Social e Cultura de Paz; Ação Local para a Saúde e Estilo de Vida e Padrões de Produção e Consumo Responsáveis. Confira as seguir entrevista com Lincoln Paiva:

Site – Em sua palestra, o senhor afirmou que a mobilidade urbana afeta todos os setores da vida da população. O senhor poderia explicar esta declaração?

Lincoln Paiva- Atualmente, a mobilidade afeta a vida das pessoas; como ela estuda; o trabalho; as relações sociais. A satisfação da sociedade passará por um processo de reconstrução destes territórios.

Site – O espaço físico de uma cidade não aumenta. E todos os dias são vendidos inúmeros carros. Como fechar esta equação?

Lincoln Paiva- Duas vertentes devem ser consideradas na questão da mobilidade. Uma é o espaço físico e outra a questão dos recursos disponíveis. As politicas públicas voltadas para as pessoas se deslocarem de carros, como a construção de viadutos e alargamento de vias, cooperam para o caos na cidade. O que é necessário é um pensamento equitativo (igualitário e com justiça). Aí vem a questão da necessidade de ciclovias; calçadas para pedestres; pontos de ônibus e também dos carros. Enquanto não tivermos uma cidade igualitária, não teremos justiça social e qualidade de vida para todos.

Site – O senhor poderia citar cases exitosos acerca do tema mobilidade urbana?

Eu sempre gosto de citar Medellín porque é uma cidade pobre, latino-americana, com os mesmos problemas que os nossos. Não dá para ter como parâmetro uma cidade como Paris, desenvolvida, que trabalha este tema há cinquenta anos.  A nossa inspiração é: se Medellín conseguiu resolver a questão da mobilidade urbana, porque não conseguimos. A cidade realizou primeiro um planejamento tendo como foco em que tipo de cidade a população quer viver. A partir deste planejamento, construiu-se um modelo de mobilidade voltada para a justiça social. Não adianta desenvolver um projeto como o metrô se não traz no seu bojo o desenvolvimento social para a população. Então, a mobilidade urbana deve ser um meio de desenvolvimento.

NR- Medellín foi eleita a cidade mais inovadora do mundo pelo Wall Street Journal. Na sua palestra, Paiva ressaltou que foram implantados equipamentos de mobilidade urbana na cidade de Medellín pensando o desenvolvimento social da cidade. Hoje as pessoas conseguem ir facilmente dos bairros mais carentes, sobre os morros, até o centro da cidade, que é em um vale, isso através de escadas rolantes, metrô, teleféricos e bicicletas. Um sistema de transporte integrado.

 

Site- A questão do caos no trânsito se agravou muito em Salvador na última década. Como enfrentar esta situação?

Lincoln Paiva- Nos últimos anos, os governantes locais colocaram a responsabilidade pelo deslocamento das pessoas no automóvel. É preciso inverter isso, dando opções para o cidadão deixar o automóvel em casa e utilizar meios de transportes públicos, ou meios de transportes “suaves”, como a bicicleta ou o deslocamento a pé.

Site- Existe um Projeto de Lei tramitando na Câmara Municipal de Salvador que dita que as empresas devem contratar 20% da mão-de-obra das regiões onde estão instaladas.  Sendo implantada, esta medida vai facilitar o deslocamento do trabalhador, dotando-o também de uma melhor qualidade de vida?

Lincoln Paiva- Eu acho que vai funcionar se houver qualificação para cada tipo de atividade. Mas não é só isso que vai permitir uma melhor qualidade de vida da população e sim um conjunto de medidas por uma mobilidade urbana eficiente.

Site -Salvador tem ciclovia numa parte de sua orla. Mas não há ciclovias nos núcleos urbanos. A cidade precisa aumentar o número de ciclovias?

Lincoln Paiva- Todas as cidades brasileiras precisam investir em ciclovias. Estamos num país tropical e Salvador tem um tempo bom na maior parte do ano. É uma cidade boa para pedalar. Muita gente reclama que aqui é quente para pedalar. Mas na Europa as pessoas pedalam até com neve.  Não há motivo para não serem implantadas as ciclovias que a cidade merece.