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12 de julho de 2013
Anísio Teixeira 113 anos: Personagem central da história da educação brasileira

Anísio Teixeira 113 anos: Personagem central da história da educação brasileira

 

Anísio Teixeira na Escola-parque
Anísio Teixeira na Escola-parque, em 1952

“Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública”.Essa frase proferida pelo baiano Anísio Teixeira resume sua trajetória de vida em prol da educação como ferramenta para assegurar o exercício da democracia. Advogado, intelectual, educador e escritor, nascido em Caetité, Anísio estaria completando 113 anos nesta sexta-feira (12).

Anísio Spínola Teixeira formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, no Rio de Janeiro, aos 22 anos. Dois anos depois foi nomeado inspetor-geral de ensino do Estado da Bahia – cargo equivalente ao de Secretário da Educação na atualidade.

Já em 1927, foi estudar na Universidade de Columbia, em Nova York, onde foi fortemente influenciado pelo conceito de Educação Progressiva do filósofo e pedagogo John Dewey, segundo o qual a educação não deveria se restringir à transmissão do conhecimento. Para Dewey, o saber e habilidade adquiridos pelo estudante deveriam ser integrados à sua vida como cidadão.

No ano seguinte, Anísio demitiu-se do cargo de inspetor de ensino pelo fato de o novo governador não concordar com suas propostas de mudanças no ensino baiano. Ele defendia o conceito de escola única, pública e gratuita como forma de garantir a democracia, além de ter sido o primeiro a tratar a educação com base filosófica.

Projeção Nacional

Em 1931, Anísio muda-se para o Rio de Janeiro e passa a ocupar a Diretoria da Instrução Pública do Distrito Federal. Durante o mandato, ele instituiu a integração da “Rede Municipal de Educação”, que ia da escola primária à universidade. Em 1935, criou a Universidade de Brasília (UNB), da qual foi reitor em 1963 e afastou-se após o golpe militar. Hoje a Universidade é considerada uma das melhores do país. Também foi um dos fundadores da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Por volta de 1932, Teixeira participou do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, tendo publicado neste período duas obras sobre educação que, junto a suas realizações, deram-lhe projeção nacional.

Durante o último período do Estado Novo, afastou-se da vida pública e refugiou-se em Caetité, onde viveu até 1945. Nesse período, publicou a obra Educação para a Democracia. Em 1946, assumiu o cargo de conselheiro da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Legado na Bahia

 Na Bahia, em 1950, fundou, no bairro da Liberdade, o Centro Educacional Carneiro Ribeiro e a primeira Escola-parque, cujo objetivo era oferecer à criança uma escola integral, cuidando da alimentação, higiene, socialização, além de preparar para o trabalho, reformando o sistema educacional da Bahia.

Nas Escolas-Parques, os alunos ainda tinham contato com as artes plásticas. Naquela época, as aulas eram orientadas por profissionais de renome, como Carybé e Mário Cravo. Posteriormente, foi diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), onde ficou até 1964.

Anísio Teixeira morreu ao cair no poço do elevador de seu prédio, no dia 11 de março de 1971, quando saía para visitar o amigo Aurélio Buarque de Holanda.