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2 de dezembro de 2014
Barroquinha: cultura, tradição e história

Barroquinha: cultura, tradição e história

vereador paulo câmara
Espaço Cultural da Barroquinha

Chama-se barroca a erosão causada por ação de água corrente em um determinado terreno. Durante o inverno soteropolitano, estação mais chuvosa da cidade, as águas iam pouco a pouco escavando o solo da rua que hoje dá acesso à Baixa dos Sapateiros. No século XVIII, a população passou a chamar a localidade no diminutivo. Assim, nasceu a Barroquinha, bairro do centro de Salvador, próximo à Praça Castro Alves, muito conhecido pelo seu intenso comércio e antigo terminal viário.

Candomblé
A Barroquinha tem grande importância histórica e cultural para a cidade. O bairro foi um dos centros de resistência da cultura africana, no período da escravidão. Muitos negros ocupavam a localidade, na época, famosa por seu candomblé, até hoje pesquisado por antropólogos e historiadores. Lá foi erguido um dos primeiros terreiros da Bahia, o Axé Airá Intilê. No século XIX, uma iniciativa de reurbanização de Francisco Gonçalves Martins, o Visconde de São Lourenço, fez com que os negros fossem retirados do local e recomeçassem seus cultos em outros bairros da cidade. O candomblé da Barroquinha deu origem aos grandes terreiros de Salvador: Casa Branca do Engenho Velho, Gantois e Ilê Axé Opô Afonjá.

Comércio e cultura
A principal rua da Barroquinha é a José Joaquim Seabra, mais conhecida como JJ Seabra. Atualmente, o bairro é bem conhecido pela sua ladeira, por muitos chamada de rua do couro, que, com seu cheiro característico, há mais de 30 anos é ponto de venda de artefatos em couro: sandálias, bolsas, chapéus, cintos, celas, alpergatas, entre outros.

Há também o Espaço Cultural da Barroquinha, onde acontecem shows, apresentações teatrais, exposições e eventos. Abrigado nas instalações da antiga Igreja da Barroquinha, construída no século XVIII, o local foi reformado e reaberto este ano e tem uma proposta popular. A administração é feita pela Fundação Gregório de Matos e é também um Centro de Convergência da Cultura Negra na Cidade de Salvador. Devido à sua importância, a construção já foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) para que preserve a sua arquitetura original.