Cidade se estrutura para ter sua legião de “profissionais que vão de bike”

Salvador está se adaptando para tornar-se uma cidade onde as bicicletas sejam uma aprazível e prática solução de mobilidade urbana para diversos moradores da cidade. Em setembro, a Prefeitura lançou o Movimento Salvador Vai de Bike, que visivelmente, principalmente na Orla da cidade, vem estimulando o uso das bicicletas na capital baiana.
Trata-se de uma parceria com o Banco Itaú, através da qual a cidade está recebendo 400 bicicletas, num sistema de compartilhamento com os equipamentos de transporte localizados em 40 estações, entre a Ribeira e Itapuã.
Também foi inaugurado em setembro um trecho do Circuito de Lazer e Turismo. Entre o Campo Grande ao Centro Histórico, ciclofaixas, aos domingos, possibilitam aos ciclistas circular.
Mais ciclofaixas
Recentemente, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, informou que as obras das vias estruturantes da cidade também estão em licitação e devem ter início em novembro. O importante para os adeptos do ciclismo é que estas vias terão ciclofaixas.
Estas são algumas das iniciativas governamentais que pretendem tornar a primeira capital do Brasil num futuro próximo uma cidade com a infraestrutura necessária para a utilização de bicicletas se tornar parte do cotidiano não somente dos desportistas, mas também das pessoas que optarem por utilizar a “magrela” para se deslocar até o trabalho.
Trabalhador que vai de bike
Entretanto, mesmo numa cidade onde há um grande desnível nas calçadas; sem ciclovias (com exceção da orla) e, sem ter ainda uma cultura de respeito ao ciclista; não obstante as campanhas educativas da Prefeitura que estão tendo início neste sentido; a cidade abriga personagens que têm o pioneirismo de um hábito que deve ficar cada vez mais arraigado como uma opção diária de transporte: a locomoção para o trabalho de bike.
O marceneiro Antônio Marcos Leal Ferreira, 40 anos, por exemplo, avaliou que sua logística de atendimento aos clientes na região que compreende os bairros do Rio Vermelho, Ondina, Barra e Pituba tem um resultado melhor com o deslocamento via bike. “Somente quando o cliente mora num bairro mais distante, vou de ônibus”, afirma. Com a sua bicicleta, Ferreira realiza cerca de quatro atendimentos diariamente.
A Pituba é também o bairro de atuação profissional do autônomo Wagner Silva Dias, 40 anos, que faz entregas de diversos produtos com a sua bicicleta, que tem uma cesta acoplada. “Morro na Boca do Rio, venho para a Pituba; trabalho; economizo o dinheiro do ônibus e ainda ganho saúde”, sintetizou.
Espera-se que os esforços governamentais transformem Salvador numa cidade repleta de pedreiros, médicos, advogados, copeiras, sociólogos etc. que formarão a legião dos “profissionais que vão de bike”.
