Denúncias de espionagem norte-americana: o Brasil exige explicações

A soberania nacional terá sido violada se confirmada a veracidade das denúncias divulgadas pelo “Fantástico”, da Rede Globo, as quais revelam que a presidente Dilma Rousseff, seus principais assessores e a Petrobras – a maior empresa do Brasil e líder mundial na exploração em águas profundas – foram espionados pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.
Denúncias
Tudo começou quando o ex-técnico americano Edward Snowden, que trabalhou para a NSA, repassou os documentos sigilosos ao jornalista americano Glenn Greenwald, tornando público nos últimos meses que o governo norte-americano desenvolvera o maior programa de monitoramento em massa de comunicações de que se tem conhecimento em todo o mundo.
Dilma e Petrobras monitoradas
Na reportagem divulgada pelo “Fantástico” há uma semana, documentos secretos mostram que conversas telefônicas, e-mails e a rede de comunicação da presidente foram interceptados pela NSA.
No programa de ontem, a rede privada de computadores da Petrobras também aparece como alvo de espionagem da agência.
Em situações dessa amplitude, a crise diplomática tornou-se inevitável, o que obriga os Estados Unidos a dar explicações ao Brasil.
Explicações
Na reunião do G-20, em São Petersburgo, na Rússia, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que iria buscar informações sobre as acusações contra a NSA e que “levava a sério” as alegações de espionagem contra o Brasil, de acordo com matéria publicada na Revista Época.
No Blog do Planalto, a presidente Dilma Rousseff afirma que, após reunião com Obama na Rússia, o presidente norte-americano se comprometeu a responder ao governo brasileiro até quarta-feira (11).
Câmara dos Deputados realiza audiência pública
A Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados vai promover audiência pública com o objetivo de discutir a atuação dos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores sobre as denúncias de espionagem dos Estados Unidos. O requerimento foi apresentado pelos deputados Antônio Imbassahy (BA) e Paulo Abi-Ackel (MG).
Os deputados sugerem a presença dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e de Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado. “A quebra das garantias constitucionais de inviolabilidade das comunicações dos indivíduos, de subversão das instituições governamentais por parte de empresas de comunicação atuantes no país desde o exterior e das evidentes implicações do caso para a soberania nacional, tornam indispensável e fundamental o imediato debate sobre este assunto”, argumentam os deputados.
