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19 de abril de 2013
O folclore contemporâneo

O folclore contemporâneo

Índios tentam invadir Palácio do Planalto
Foto: André Borges/Folhapress

Nossas crianças chegaram da escola mais coloridas, de penas, desenhos pelo corpo e cocar. Hoje, 19 de abril, é Dia do Índio, mas não temos muito para comemorar. Mais de 500 anos já passaram desde a tomada das terras brasileiras pelos portugueses, e os índios, que por aqui já estavam, ainda travam lutas para garantir seu direito ao uso das terras.

Segundo dados do IBGE (Censo 2010), a população indígena no Brasil é de apenas 896.917 pessoas que estão espalhas em todas as regiões do país, com destaque para os estados de Amazonas, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Bahia. O Censo aponta ainda que 42% dos índios não residem mais em terras indígenas, e o resgate do seu espaço natural tem movido suas lutas nos últimos anos.

Os jornais destacaram ontem, 18 de abril, a tentativa de invasão de 400 índios ao Palácio do Planalto. Na Bahia, o caso mais recente trata da invasão de um hotel de luxo no Sul do estado, no dia 07 de abril. Em ambos os casos o objetivo é chamar atenção para uma solução assertiva, e, sobretudo respeitosa, quanto à demarcação das terras indígenas.

Apesar do debate posto, a principal luta dos índios ainda estar por vir. Trata-se de uma quebra na barreira cultural, implantada, talvez, pela história contada nas escolas brasileiras. Crescemos com uma imagem meramente ilustrativa de que os índios são figuras folclóricas, que pintam seus rostos e dançam para obter sucesso nas caçadas.

O que não vemos, por exemplo, é que poderíamos estar muito mais avançados no exercício do conceito moderno que pauta o discurso de ambientalistas, cientistas e empresários no mundo todo: a sustentabilidade. Tribos indígenas de diferentes etnias carregam a marca de um exemplar convívio com a natureza, tirando seu sustento das matas e rios sem perder o foco da preservação para a manutenção das gerações futuras. É um conceito simples, mas que os “Homens Brancos” estão demorando muito para absorver e replicar.

Vamos aproveitar essa data para ampliar nosso conhecimento sobre a cultura indígena e interagir em prol do crescimento comum. Manifestações em defesa dos direitos dos índios vão acontecer em todo país. Na capital baiana será exibido o documentário “As Caravelas Passam”, no Largo Dois de Julho, a partir das 19h.