Coleta seletiva: um ato de cidadania

Ao ler a Revista da Lata, editada pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio, me deparei com a entrevista do deputado federal Carlos Gomes (Republicanos-RS) que, tendo como principal bandeira na Câmara dos Deputados a defesa da reciclagem, cita dados interessantes do setor no Brasil. Ele acredita que o país teria condições de liderar esse mercado no mundo e gerar muita riqueza, caso o setor fosse tão priorizado quanto o agronegócio. Fazendo o manejo adequado de apenas 3% dos resíduos, o Brasil já movimenta cerca de R$ 12 bilhões anuais, porém, se dados de pesquisa sobre reciclagem forem atualizados, eles poderão apontar para resultados ainda mais promissores. O deputado Carlos Gomes, nascido na Bahia, liderando hoje a Frente Parlamentar em Defesa da cadeia Produtiva da Reciclagem, criada em 2015, passou pela experiência de catar latinhas, ainda muito jovem, vindo daí a sua visão para o potencial contido na indústria da reciclagem.

Em nossa capital, conhecemos o esforço que vem sendo feito para que o recolhimento do material reciclável seja coletado, a despeito da criação dos Pontos de Entrega Voluntária (PEV’s), que precisaram ser desativados no período da pandemia do coronavírus, dos Ecopontos que, conforme a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) tem arrecadado 51 toneladas por dia, e de iniciativas de pequenos empresários com programas criados por startups que incluem a coleta domiciliar.

Durante a pandemia, houve maior geração de resíduos domésticos por conta da produção caseira de alimentos ou da solicitação de delivery. Por outro lado, o recolhimento dos PEV’s e a restrição que os catadores sofreram fizeram com que grande parte do resíduo reciclável fosse parar no aterro. Precisamos de ampliação da consciência coletiva para avançar mais rápido. Coletar os resíduos produzidos pelas unidades comerciais parece uma tarefa mais fácil do que aquele produzido nas unidades domésticas.

Atento a essa situação, apresentei projeto de indicação no início de 2019, sugerindo aos prefeitos dos municípios da Bahia com população acima de 200 mil habitantes, sobre a obrigatoriedade do descarte seletivo de Resíduos Sólidos domésticos produzidos por condomínios habitacionais que tivessem acima de 20 unidades.

As cidades são responsáveis por 80% do consumo no país, sendo geradoras de maior volume de resíduos que a área rural e, portanto, mais responsável por sua destinação. Louvamos as comunidades condominiais que já adotaram, por conta própria, o descarte seletivo, mas precisamos de contribuição mais substancial para elevar e ampliar o padrão de sustentabilidade e a formação de uma nova consciência coletiva e cidadã que podem trazer como consequência a demanda para a criação de novas empresas e novos postos de trabalho.

Paulo Câmara é deputado estadual
Artigo para o Jornal Correio*.

Contêineres subterrâneos em Salvador

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Foto: Evandro Veiga

Contêineres subterrâneos de lixo prometem ser a solução para manter a coleta de resíduos sólidos sem expor a população ao mau cheiro e ao acúmulo de lixo nas ruas e calçadas. A iniciativa chega a Salvador e consiste em instalar embaixo dos passeios grandes depósitos de lixo, cuja entrada, por onde as pessoas jogarão os dejetos, será uma lixeira comum na calçada.

Funcionamento
O funcionamento dos contêineres é relativamente simples. A pessoa joga o lixo normalmente na lixeira e esta canalizará os resíduos para os recipientes no subsolo. A novidade está mesmo no processo da coleta. Os garis utilizarão um controle remoto que fará com que a “tampa” do vasilhame, que fará parte da calçada, se abra e o caminhão, equipado com uma grua, carregará o vasilhame recolhendo todo o conteúdo. A caixa será colocada no lugar logo após o procedimento.

Marcos
Os recipientes de coleta que ficarão visíveis são chamados de marcos. Contêineres com dois marcos conseguem armazenar 1,6 toneladas de dejetos, já os com três, comportam 3 toneladas. Ao chegar a 80% da capacidade, um dispositivo instalado nas caixas envia um sinal para a empresa e o caminhão de lixo irá fazer a coleta. A previsão é que os primeiros recipientes sejam instalados até o final de agosto, na Barra. Até setembro, chegarão no Mercado Modelo e, sucessivamente, serão implantados em toda a cidade.

Coleta seletiva
Os contêineres, que serão importados de Portugal, também permitem a coleta seletiva, já que serão separados em lixo úmido e lixo seco. A nova proposta demandará um alto investimento da administração municipal, já que uma caixa com dois marcos custa cerca de R$80 mil e a com três R$ 120 mil, em média. O modelo de coleta, que já é utilizado na Europa desde o final da década de 1990, além de ajudar na sustentabilidade evitará o acúmulo de lixo nas calçadas de Salvador e o consequente aparecimento de animais e insetos, acabando com o desconforto decorrente dessa situação.