Transformando praças urbanas em espaços educativos

Praça Irmã Dulce
Foto: Valter Pontes/ Prefeitura de Salvador

Você já imaginou como as praças tem um grande potencial educativo? Disseminar este conhecimento é o objetivo da primeira convocação do “Mundial da Educação”, movimento da sociedade civil que objetiva expandir a experiência educacional para além da sala de aula e, assim, ampliar as oportunidades de acesso à aprendizagem.

As praças são consideradas espaços ideais para disseminar conhecimento por serem locais abertos, destinados à convivência e tradicionalmente usados para o diálogo. Segundo Agda Sardenberg, coordenadora executiva e especialista em educação integral da Associação Cidade Escola Aprendiz, estar na praça é mais do que ocupar um espaço público, é também um exercício de cidadania, pois tudo o que dialoga ou se expressa no espaço pode se tornar uma oportunidade de reflexão e de descobertas.

A interação com esses espaços públicos podem motivar o resgate da memória e da história do local, através do contato com as pessoas. As chamadas praças-jardim podem ser um mote para o estudo das espécies existentes naquele local. A criatividade do educador o leva a explorar diversos temas que abrangem várias disciplinas. A oportunidade também é propícia para estimular os alunos a fazer indagações e procurarem as respostas.

Conheça aqui algumas ideias da utilização das praças para a aprendizagem:

Guia prevê espaços acessíveis a idosos

Foto: Agência Brasil/ Marcello Casal Jr.
Foto: Agência Brasil/ Marcello Casal Jr.

O número de idosos no Brasil deve quadriplicar até 2060, segundo a última projeção populacional divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estima-se que os maiores de 65 anos serão quase 27% da população. Será que nossas cidades estão prontas para receber esse incremento na população de terceira idade?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) dispõe de um manual para que as cidades se preparem para essa nova realidade. O “Guia Global das Cidades Amigas do Idoso” foi publicado em 2008 e trata sobre temas como acessibilidade e inclusão. Segundo a OMS, “uma cidade amiga do idoso estimula o envelhecimento ativo ao otimizar oportunidades para saúde, participação e segurança, para aumentar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem”.

Check-list

O Guia é composto por um check-list de oito itens que devem ser observados por gestores de cidades. Ele foi composto a partir da contribuição de idosos e seus cuidadores de 33 cidades ao redor do mundo. Vamos abordar aqui as normas para espaços públicos. Confira:

Prédios públicos e Espaços abertos

· Cidade limpa com uma legislação, devidamente cumprida, que limita o nível de ruído e odores desagradáveis ou nocivos em locais públicos;

· Espaços verdes bem conservados e seguros, com abrigos adequados, banheiros e bancos de fácil acesso;

· Calçadas amigáveis aos pedestres, livres de obstáculos, com superfície nivelada, com banheiros públicos e de fácil acesso;

· Bancos públicos, especialmente em parques, nas paradas de ônibus e em espaços públicos, colocados a intervalos regulares; bancos  bem conservados e fiscalizados para que todos tenham acesso seguro a eles;

· Calçamento bem conservado, nivelado, anti-derrapante e amplo o suficiente para acomodar cadeiras de rodas, com um meio-fio baixo para facilitar a transição para a rua;

· Calçamento livre de quaisquer obstáculos (por exemplo, camelôs, carros estacionados, árvores) e os pedestres têm prioridade;

· Ruas com cruzamentos em intervalos regulares, faixas anti-derrapantes, fazendo com que seja seguro aos pedestres atravessá-las;

· Ruas com estruturas físicas bem desenhadas e apropriadamente colocadas, como ilhas de tráfego, passagens ou túneis que ajudem os pedestres a atravessá-las, especialmente nas de muito movimento;

· Serviços agrupados e localizados próximo de onde os idosos moram e com fácil acesso (por exemplo, localizado no andar térreo dos prédios);

· Atendimento especial para os idosos, como filas separadas ou guichês específicos;

· Prédios acessíveis e com elevadores, rampas, sinalização adequada, corrimãos em escadas, degraus não muito altos ou inclinados, piso anti-derrapante, áreas de repouso com cadeiras confortáveis e número suficiente de banheiros públicos.

Salvador e os espaços que priorizam a convivência entre as pessoas

Espaços públicos que priorizam as pessoas-Vereador Paulo Câmara
Foto: Bahia Negócios

De acordo com o censo de 2010 do IBGE, quase 100% da população de Salvador mora na zona urbana. Como promover a interação entre as pessoas que aqui moram? Urbanistas afirmam que equipamentos urbanos podem ajudar nesse processo.

Segundo a urbanista e professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ariadne Moraes, deve-se mudar a forma de ocupar o espaço urbano. Os locais públicos de convivência devem ser seguros, acessíveis e priorizar a circulação de pedestres. Em cidades como Munique e Amsterdã essa já é uma realidade, graças ao rígido controle da ocupação do solo pelo poder público.

Salvador
Na avaliação da urbanista Ariadne Moraes, Salvador não acompanha essa tendência mundial. A cidade ainda prioriza a construção de edificações e uso de transporte individual. A especialista cita o que tem sido feito com os espaços do município. “Nossos parques urbanos estão abandonados. Nosso sistema de transporte é um dos piores do país. Aqui o que vale é a especulação do espaço público, se constrói shoppings, as calçadas são péssimas, a infraestrutura urbana é antiquada e ultrapassada. Nossa orla está mal cuidada, o subúrbio esquecido, a linha férrea sucateada, os monumentos urbanos e arquitetônicos depreciados”, criticou Ariane.

Integração
Mesmo com essas questões polêmicas, há alguns espaços que são propícios à convivência na capital baiana. Alguns exemplos são os parques da Cidade e de Pituaçu, que realizam atividades culturais nos fins de semana, atraindo as pessoas a frequentar esses locais. Outros são as praias, que são pontos de encontro tradicionais da cidade. Ariadne cita também mercados populares como lugares “onde existe vida e integração entre pessoas”.

Aos poucos, o poder público toma iniciativas em Salvador para promover a integração entre seus moradores. O projeto de reforma da orla da Barra é um exemplo, onde será feito um grande calçadão no lugar do asfalto. Outro exemplo é a reforma do Porto, no Comércio, que apesar de ser voltada para os turistas, vai liberar a vista para a Baía de Todos-os-Santos e criar um espaço público.

Regras
Cada projeto precisa ser adequados à realidade de cada cidade, mas existem algumas regras essenciais para uma melhor qualidade de vida da população. Clique e confira quais são.