Pode vir que tem forró para todos

forró
Foto: Matthieu Aveaux

“For All”. Quando a frase estava escrita na porta dos bailes, isso no início do século em Pernambuco, significava que qualquer pessoa poderia entrar e participar da festa organizada pelo ingleses, que chegaram ao estado com o objetivo de construir ferrovias. No baile, vários ritmos musicais eram tocados, inclusive o percursor, que hoje conhecemos como Forró. Essa é a versão da origem do nome defendida por Luiz Gonzaga, que nos anos 40 levou o ritmo e sua sanfona do Nordeste para o Sul do país.

Outra versão diz que a origem é o termo africano “forrobodó”, que significaria festa, bagunça. O certo é que o forró como conhecemos hoje é formado por uma mistura de ritmos e movimentos de influências africanas e europeias.

Luiz Gonzaga, conhecido por todos como o “Rei do Baião”, tem um papel fundamental para o forró. Alguns historiadores destacam que a primeira música de forró gravada que se tem registro é “Baião”- (1946), de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. No ano passado comemoramos o centenário de Luiz Gonzaga, e quem ainda não conhecia a sua história teve a oportunidade de assistir pela tela do cinema.

Se você não quiser dançar o forró pé de serra, aquele tradicional, onde acompanha a sanfona, o triângulo e a zabumba, você pode se divertir com as suas ramificações e modernizações: baião; xote; xaxado; coco; vanerão; forró malícia; lambaforró; oxentemusic e o tão pedido pela juventude, o forró universitário.

Veja os melhores destinos para dançar forró na Bahia: http://www.saojoaobahia.com.br/

Viva São João

Comidas típicasO Nordeste está em festa. Forró, comidas típicas e as frondosas fogueiras iluminam, sobretudo, as cidades do interior, momento em que os nordestinos reforçam a sua fé em São Antônio, São João e São Pedro.

Segundo a história do catolicismo, Maria e Isabel, primas e grávidas ao mesmo tempo, combinaram que a primeira a ter o bebê avisaria a outra acendendo uma fogueira que pudesse ser avistada, à distância, no deserto da Judéia, onde viviam. Santa Isabel foi a primeira a acender o fogo, quando nasceu João.

Rica em versões para o surgimento das festividades, além da relação com o mês de junho e com São João – sendo que as festas já foram chamadas de “joninas” –, o termo “junino” estaria associado à festa pagã que comemorava a chegada do solstício de Verão no Hemisfério Norte. Transportada para o Hemisfério Sul, a data foi associada ao solstício de Inverno. Neste período era comum que as populações do campo parassem por alguns dias as suas atividades a fim de comemorar a proximidade das colheitas. Para afastar os ‘demônios’ da esterilidade e da estiagem, eles faziam sacrifícios acendendo fogueiras.

O que sabemos é que hoje, aqui no Nordeste, não há festa junina sem homenagens a Santo Antônio, São João e São Pedro, o que significa que as cidades se organizam para um mês inteiro vivendo as delícias que essa tradição proporciona.

Influências europeias despertaram a paixão pelas quadrilhas. Originalmente, era uma dança típica portuguesa cujos passos se assemelham às nossas coloridas e animadas quadrilha juninas.

As comidas típicas em sua maioria são preparadas à base de milho, por conta do período de colheita deste grão: assado, cozido, em forma de pamonhas, cural, mingau, canjica, cuscuz e bolos. Também se incorporaram ao cardápio o amendoim, e para beber o quentão e os licores.

Outra tradição do período são as simpatias e promessas, que vão desde o pedido para arrumar um marido; os pedidos por boas colheitas no campo e mais dinheiro no bolso. Se as simpatias não funcionarem, você pode também rezar a oração de São João Batista:

“São João Batista, voz que clama no deserto, ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas, para que eu me torne digno do perdão Daquele que Vós anunciastes. São João, pregador da penitência, rogai por nós. São João, precursor do Messias, rogai por nós. São João, alegria do povo, rogai por nós. Amém”.

Foto de Capa: Abertura do São João 2011 no Pelourinho, Mateus Pereira/Secom