Projeto Mandinga movimenta Pelourinho com nova sede

Projeto Mandinga - Foto divulgação:  Dada Jaques
Projeto Mandinga – Foto divulgação: Dada Jaques

No último dia 30 de julho, o Projeto Mandinga – Associação Integrada de Educação, Artes e Esportes, sob a direção de Mestre Sabiá desde 1998, inaugurou sua nova sede na Rua das Laranjeiras, no Pelourinho. A entidade agora atende à comunidade da região, com atividades voltadas para jovens matriculados em escolas municipais e estaduais do entorno, realizando atividades diversas com foco na capoeira.

Garcia
Desde a sua fundação até 2011, a Mandinga atuava no bairro do Garcia. Atendia por mês cerca de 300 jovens de 4 a 20 anos, com aulas de língua estrangeira, capoeira, jiu-jitsu, confecção de instrumentos, samba de roda, dança afro, artes, inclusão social, dentre outras.

Bairros populares
A partir de 2011, o Projeto descentralizou suas atividades, com atuação fora da sede da instituição, atendendo diversas comunidades com aulas de capoeira, maculelê e samba de roda, para cerca de 500 jovens de baixa renda residentes de bairros populares como Matatu de Brotas, Cabula, Tororó, Nova Brasília e Baixa do Tubo.

Pelourinho
A nova sede no Pelourinho reforça a Mandinga como um centro de referência em Salvador, ao dialogar com a capoeira e outras manifestações artísticas. A inauguração da nova sede, por exemplo, contou com exposição fotográfica do cineasta Jair Moura “Documentações da Capoeiragem no Brasil do Século XVIII”, que segue até o dia 15 de agosto.

Rede Capoeira
A inauguração da nova sede também marcou o início da 3ª edição do Rede Capoeira, evento que reuniu nos dias 31 de julho e 1º de agosto, capoeiristas, professores, mestres e comunidade interessada. Entre as atividades, teve apresentação da Orquestra de Berimbaus e espetáculo de samba de roda e maculelê com crianças do projeto.

Pelourinho: memória de Salvador e do Brasil

vereador Paulo Câmara
Reprodução/TripAdvisor

Sem dúvida alguma, se perguntarmos a turistas estrangeiros e brasileiros qual o local de Salvador que eles consideram símbolo da cidade – e até mesmo do estado da Bahia – muito provavelmente a maioria deles irá citar o Pelourinho. Com suas casas e sobrados coloridos, construídos em estilo colonial, essa parte do centro histórico de Salvador é mundialmente conhecida por carregar grande representatividade física e simbólica da história do município e, consequentemente, do Brasil.

Fundado por Tomé de Souza, quando chegou à Bahia no século XVI, inicialmente o Pelourinho foi escolhido como local para a construção da “cidade fortaleza” devido à sua localização geográfica que favorecia a defesa contra ataques que viessem pelo mar. À medida que o município foi sendo ocupado, principalmente a partir do século XVII, o local se tornou uma área elitizada, onde os grandes e poderosos proprietários rurais construíram casas e sobrados suntuosos para mostrar o seu poderio.

Atualmente convencionou-se chamar de Pelourinho a maior parte do Centro Histórico de Salvador, começando da Praça Municipal até o bairro de Santo Antônio Além do Carmo. No entanto, até a metade do século passado chamava-se assim apenas o largo do bairro, local onde os escravos eram castigados. Aliás, o nome Pelourinho designava o instrumento de tortura específico – um poste de madeira ou de pedra, com argolas de ferro, erguido em praça pública – onde os negros escravizados eram amarrados e chicoteados.

O bairro hoje tem uma função turística e de preservação da memória da história soteropolitana e brasileira. Abriga restaurantes de culinária baiana, igrejas e edifícios históricos e imponentes, como a Faculdade de Medicina e a Catedral da Sé. O Pelô, como chamam carinhosamente os baianos, também já se tornou um circuito de carnaval alternativo, indicado para quem não gosta do fervor e das multidões dos circuitos Dodô e Osmar, e também é onde acontece a festa de São João da cidade, uma opção para os que não viajam para o interior. Em 1985 a UNESCO tombou o bairro como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Berimbau: Bem Imaterial de Salvador

“Capoeira me mandou dizer que já chegou. Chegou para lutar, berimbau me confirmou, vai ter briga de amor”. Os versos da famosa música “Berimbau”, escrita por Vinicius de Moraes, com melodia de Baden Powell de Aquino, fazem alusão ao universo da capoeira e sua ginga, embalada ao som do berimbau. Esse instrumento de corda, de origem angolana, chegou ao Brasil no período escravocrata e se incorporou à capoeira. Hoje ele figura como um objeto símbolo da cultura baiana.

Além de servir para marcar os passos da arte marcial africana, o berimbau também ajuda a contar a história de Salvador, cidade que recebeu maior quantidade de povos vindos da África, durante o período escravocrata. Diante da importância histórica e cultural do instrumento, Paulo Câmara deu entrada no Projeto de Lei n°369/2013, propondo o tombamento do berimbau como Bem Imaterial de Salvador. “Reconhecer o berimbau como bem imaterial de nossa cidade é preservar nossa cultura e ajudar a manter viva nossa história”, defendeu Paulo Câmara.

 Origem 

Acredita-se que o arco musical tenha surgido por volta de 1500 a.C. Há registos do hungu, da forma que conhecemos hoje, em pinturas de cavernas de Angola, desde tempos primitivos. O instrumento foi trazido para o Brasil por africanos escravizados, se incorporando à capoeira.

Berimbau na MPB 

Mas o instrumento foi disseminando para outras manifestações culturais, como na música popular brasileira. O maior exemplo disso é a música citada no primeiro parágrafo. Além disso, Naná Vasconcelos, nosso renomado percussionistas, especializou-se em instrumentos brasileiros, em especial o berimbau, inclusive expandindo a sua técnica. Hoje ele viaja por diversos países do mundo tocando este instrumento.

 Berimbau na Capoeira

Estudos apontam que nem sempre o berimbau fez parte das rodas de capoeira. A luta era praticada ao som de atabaques.  Não se sabe quando o instrumento foi incorporado à capoeira, mas hoje ele apresenta-se como um elemento fundamental para a realização das “rodas”, pois dita o ritmo e o estilo de jogo. Assista o vídeo acima e conheça um pouco mais do berimbau.

 

Se Liga Bocão – Administração da Câmara

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