PI N° 180/2014 – Indica a criação do Endereço Comunitário em Salvador

Além da situação em si já ser bastante difícil, as pessoas em situação de rua enfrentam inúmeras outras dificuldades por não terem uma moradia fixa onde possam viver com dignidade. Tentar a reinserção no mercado de trabalho, por exemplo, é uma delas. Sem um endereço postal, não se pode tirar documentos necessários na busca de um emprego e, em muitos casos, o próprio empregador não realiza a contratação por saber que a pessoa não tem uma moradia, mesmo que ela tenha qualificação. Estima-se que, atualmente, Salvador tenha cerca de 3.500 moradores de rua, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Semps).

No intuito de fazer com que essas pessoas consigam, além de ter uma renda própria para o seu sustento e o de sua família, resgatar a sua cidadania, o vereador Paulo Câmara elaborou o projeto de indicação que visa criar o Endereço Comunitário. Nessa proposta, Câmara indica ao prefeito de Salvador, ACM Neto, a elaboração de um endereço postal para que pessoas em situação de rua possam receber correspondências, se inscrever em cursos, concursos e concorrer a vagas no mercado de trabalho. O projeto também contempla pessoas que por razões várias ainda não têm um endereço fixo, como imigrantes nacionais e internacionais. O Endereço Comunitário dá às pessoas em situação de rua uma oportunidade para tentarem, por si próprias, recomeçar suas vidas.

PIN – Indica a criação do Endereço Comunitário em Salvador

Salvador e os espaços que priorizam a convivência entre as pessoas

Espaços públicos que priorizam as pessoas-Vereador Paulo Câmara
Foto: Bahia Negócios

De acordo com o censo de 2010 do IBGE, quase 100% da população de Salvador mora na zona urbana. Como promover a interação entre as pessoas que aqui moram? Urbanistas afirmam que equipamentos urbanos podem ajudar nesse processo.

Segundo a urbanista e professora da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ariadne Moraes, deve-se mudar a forma de ocupar o espaço urbano. Os locais públicos de convivência devem ser seguros, acessíveis e priorizar a circulação de pedestres. Em cidades como Munique e Amsterdã essa já é uma realidade, graças ao rígido controle da ocupação do solo pelo poder público.

Salvador
Na avaliação da urbanista Ariadne Moraes, Salvador não acompanha essa tendência mundial. A cidade ainda prioriza a construção de edificações e uso de transporte individual. A especialista cita o que tem sido feito com os espaços do município. “Nossos parques urbanos estão abandonados. Nosso sistema de transporte é um dos piores do país. Aqui o que vale é a especulação do espaço público, se constrói shoppings, as calçadas são péssimas, a infraestrutura urbana é antiquada e ultrapassada. Nossa orla está mal cuidada, o subúrbio esquecido, a linha férrea sucateada, os monumentos urbanos e arquitetônicos depreciados”, criticou Ariane.

Integração
Mesmo com essas questões polêmicas, há alguns espaços que são propícios à convivência na capital baiana. Alguns exemplos são os parques da Cidade e de Pituaçu, que realizam atividades culturais nos fins de semana, atraindo as pessoas a frequentar esses locais. Outros são as praias, que são pontos de encontro tradicionais da cidade. Ariadne cita também mercados populares como lugares “onde existe vida e integração entre pessoas”.

Aos poucos, o poder público toma iniciativas em Salvador para promover a integração entre seus moradores. O projeto de reforma da orla da Barra é um exemplo, onde será feito um grande calçadão no lugar do asfalto. Outro exemplo é a reforma do Porto, no Comércio, que apesar de ser voltada para os turistas, vai liberar a vista para a Baía de Todos-os-Santos e criar um espaço público.

Regras
Cada projeto precisa ser adequados à realidade de cada cidade, mas existem algumas regras essenciais para uma melhor qualidade de vida da população. Clique e confira quais são.

Espaços urbanos que priorizam as pessoas

Espaços Públicos-Vereador Paulo Câmara
Foto: A niña – Flickr

Com a rápida urbanização do mundo, em que mais da metade da população vive em cidades, cada vez mais cresce a necessidade de se projetar espaços que priorizam a convivência entre as pessoas.

Atualmente, o conceito de  cidades sustentáveis está no centro das discussões, com desafios a serem encarados considerando os impactos sócio-ambientais e a preservação dos recursos naturais para esta e às futuras gerações.

Diversos fatores estão envolvidos nesse processo: transporte público de qualidade – com tecnologia de menor impacto ambiental; áreas verdes – com segurança; calçadas – seguras e confortáveis aos pedestres; e também ciclovias – sinalizadas e com maior número de vias.

Em entrevista ao site Cidades para Pessoas, o planejador urbano Jan Gehl, especialista reconhecido mundialmente no assunto, explicou que os projetos precisam ser adequados à realidade de cada cidade, embora existam algumas regras essenciais para uma melhor qualidade de vida da população. Veja quais são:

As cidades são feitas de pessoas
Desenvolvem espaços públicos urbanos de lazer

Nos espaços públicos, deve-se respeitar a Escala Humana
Cidades devem ser contempladas à pé, a 5km/h, para que estabeleça uma relação entre o ser humano e os espaços públicos

A cidade precisa contemplar a diversidade das pessoas
Que seja tolerante com sua população; que os espaços públicos urbanos sejam adequados para jovens e idosos, homens e mulheres, ciclistas, pedestres, motoristas e portadores de quaisquer deficiência

O clima de uma cidade deve ser um aliado
Elaborar projetos respeitando o clima local

Atividades necessárias
Mobilidade urbana e coleta de lixo

Atividades Opcionais e Sociais
Rios, parques, praças e espaços esportivos

Você conhece alguma cidade com algumas dessas características? Então envie sua foto e ajude-nos a ilustrar cada regra desse jogo. Vamos construir este álbum juntos!

Fotos:

Sara Santiago: “Contempla a diversidade das pessoas, pode-se contemplar a vista do local à pé – que é belíssima, com muita tranquilidade e segurança”.

Port Vell -Barcelona
Port Vell -Barcelona (Sara Santiago)