Câmara aprova Berimbau como Bem Imaterial de Salvador

Vereador Paulo Câmara

De autoria do vereador Paulo Câmara, o Projeto de Lei nº 369/2013 que considera o Berimbau como Bem Imaterial de Salvador foi aprovado na Câmara no último dia 6.

Além de servir para marcar os passos da arte marcial africana, o berimbau também ajuda a contar a história de Salvador, cidade que recebeu maior quantidade de povos vindos da África durante o período escravocrata. “Reconhecer o berimbau como bem imaterial de nossa cidade é preservar nossa cultura e ajudar a manter viva nossa história”, defendeu Paulo Câmara.

Instrumento característico das rodas de capoeira, o berimbau dá o ritmo da luta coreografada que vai começar. Ele é originário de Angola e veio da África junto com negros escravizados, se incorporando à capoeira e instituindo-se como um símbolo da presença africana na Bahia.

Berimbau na Capoeira
Estudos apontam que nem sempre o berimbau fez parte das rodas de capoeira. A luta era praticada ao som de atabaques. Não se sabe quando o instrumento foi incorporado à capoeira, mas hoje ele apresenta-se como um elemento fundamental para a realização das “rodas”, pois dita o ritmo e o estilo de jogo. O instrumento também foi disseminando para outras manifestações culturais, a exemplo da Música Popular Brasileira, como se pode ouvir nos versos da famosa música “Berimbau”, escrita por Vinicius de Moraes com melodia de Baden Powell.

3 de agosto, Dia do Capoeirista

Vereador Paulo Câmara-Dia do CapoeiristaConhecidos pela habilidade corporal, ginga e precisão nos golpes, os capoeiristas são um dos símbolos do Estado da Bahia. Eles, que já foram perseguidos no séc. 19 (quando era crime jogar capoeira), recebem hoje uma justa homenagem. Em 3 de agosto, é comemorado o Dia do Capoeirista, figura marcante da identidade cultural do povo baiano. Ele representa a resistência do povo negro à escravidão.

O turista logo associa o capoeirista à Bahia e não é a toa. A luta e seus golpes vieram da África com os escravos bantos, mas foi aqui no Estado que ela ganhou a configuração que tem hoje. Os dois estilos mais praticados são herança dos Mestres Bimba (Capoeira Regional) e Pastinha (Capoeira de Angola).

Disfarce
Os escravizados inventaram a mistura entre arte marcial e dança, disfarçando a técnica de defesa. Os senhores proibiam a prática de qualquer tipo de luta em suas fazendas, por isso os negros escravizados precisavam dar um ar misterioso à prática, assim como tinha o candomblé. E foi assim que nas capoeiras das matas das fazendas a luta ganhou jeito de coreografia e o som dos atabaques e do berimbau.

Berimbau
Instrumento característico das rodas de capoeira, o berimbau dá o ritmo da luta coreografada que vai começar. Ele é originário de Angola e veio da África junto com negros escravizados, se incorporando à capoeira e instituindo-se como um símbolo da presença africana na Bahia. E foi reconhecendo a importância histórica e cultural do objeto que o vereador Paulo Câmara deu entrada no Projeto de Lei n°369/2013, propondo o tombamento do berimbau como Bem Imaterial de Salvador.

Berimbau: Bem Imaterial de Salvador

“Capoeira me mandou dizer que já chegou. Chegou para lutar, berimbau me confirmou, vai ter briga de amor”. Os versos da famosa música “Berimbau”, escrita por Vinicius de Moraes, com melodia de Baden Powell de Aquino, fazem alusão ao universo da capoeira e sua ginga, embalada ao som do berimbau. Esse instrumento de corda, de origem angolana, chegou ao Brasil no período escravocrata e se incorporou à capoeira. Hoje ele figura como um objeto símbolo da cultura baiana.

Além de servir para marcar os passos da arte marcial africana, o berimbau também ajuda a contar a história de Salvador, cidade que recebeu maior quantidade de povos vindos da África, durante o período escravocrata. Diante da importância histórica e cultural do instrumento, Paulo Câmara deu entrada no Projeto de Lei n°369/2013, propondo o tombamento do berimbau como Bem Imaterial de Salvador. “Reconhecer o berimbau como bem imaterial de nossa cidade é preservar nossa cultura e ajudar a manter viva nossa história”, defendeu Paulo Câmara.

 Origem 

Acredita-se que o arco musical tenha surgido por volta de 1500 a.C. Há registos do hungu, da forma que conhecemos hoje, em pinturas de cavernas de Angola, desde tempos primitivos. O instrumento foi trazido para o Brasil por africanos escravizados, se incorporando à capoeira.

Berimbau na MPB 

Mas o instrumento foi disseminando para outras manifestações culturais, como na música popular brasileira. O maior exemplo disso é a música citada no primeiro parágrafo. Além disso, Naná Vasconcelos, nosso renomado percussionistas, especializou-se em instrumentos brasileiros, em especial o berimbau, inclusive expandindo a sua técnica. Hoje ele viaja por diversos países do mundo tocando este instrumento.

 Berimbau na Capoeira

Estudos apontam que nem sempre o berimbau fez parte das rodas de capoeira. A luta era praticada ao som de atabaques.  Não se sabe quando o instrumento foi incorporado à capoeira, mas hoje ele apresenta-se como um elemento fundamental para a realização das “rodas”, pois dita o ritmo e o estilo de jogo. Assista o vídeo acima e conheça um pouco mais do berimbau.

 

PL Nº 369/13 – Dispõe sobre o tombamento do berimbau como bem imaterial de Salvador

O berimbau, mais do que um instrumento musical, é um importante elemento cultural do estado da Bahia. Instrumento característico das rodas de capoeira, o berimbau dá o ritmo da luta coreografada.

Ele é originário de Angola e veio da África junto com negros escravizados, se incorporando à capoeira e instituindo-se como um símbolo da presença africana na Bahia. Estima-se que o instrumento tenha chegada ao Brasil em 1538, pouco tempo após o início da colonização.

O berimbau tornou-se um dos símbolos da herança africana na cultura brasileira e representa também a luta dos escravos pela liberdade. Além de ser um souvenir desejado pelos turistas que vem à Bahia, o berimbau é um instrumento complexo e sofisticado, objeto de estudo em escolas de música e componente de orquestras dedicadas somente a ele.

Reconhecendo a importância histórica e cultural do objeto, o vereador Paulo Câmara deu entrada no Projeto de Lei n° 369/2013, propondo o tombamento do berimbau como Bem Imaterial de Salvador. A proposição está na Comissão de Constituição e Justiça, à espera do parecer do relator.

Leia o projeto na íntegra:

Projeto institui o berimbau como patrimônio imaterial de Salvador