Cidade se estrutura para ter sua legião de “profissionais que vão de bike”

Foto: Pedro Castro
Foto: Pedro Castro

Salvador está se adaptando para tornar-se uma cidade onde as bicicletas sejam uma aprazível e prática solução de mobilidade urbana para diversos moradores da cidade. Em setembro, a Prefeitura lançou o Movimento Salvador Vai de Bike, que visivelmente, principalmente na Orla da cidade, vem estimulando o uso das bicicletas na capital baiana.

Trata-se de uma parceria com o Banco Itaú, através da qual a cidade está recebendo 400 bicicletas, num sistema de compartilhamento com os equipamentos de transporte localizados em 40 estações, entre a Ribeira e Itapuã.

Também foi inaugurado em setembro um trecho do Circuito de Lazer e Turismo. Entre o Campo Grande ao Centro Histórico, ciclofaixas, aos domingos, possibilitam aos ciclistas circular.

Mais ciclofaixas
Recentemente, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, informou que as obras das vias estruturantes da cidade também estão em licitação e devem ter início em novembro. O importante para os adeptos do ciclismo é que estas vias terão ciclofaixas.

Estas são algumas das iniciativas governamentais que pretendem tornar a primeira capital do Brasil num futuro próximo uma cidade com a infraestrutura necessária para a utilização de bicicletas se tornar parte do cotidiano não somente dos desportistas, mas também das pessoas que optarem por utilizar a “magrela” para se deslocar até o  trabalho.

Trabalhador que vai de bike 
Entretanto, mesmo numa cidade onde há um grande desnível nas calçadas; sem ciclovias (com exceção da orla) e, sem ter ainda uma cultura de respeito ao ciclista; não obstante as campanhas educativas da Prefeitura que estão tendo início neste sentido; a cidade abriga personagens que têm o pioneirismo de um hábito que deve ficar cada vez mais arraigado como uma opção diária de transporte: a locomoção para o trabalho de bike.

O marceneiro Antônio Marcos Leal Ferreira, 40 anos, por exemplo, avaliou que sua logística de atendimento aos clientes na região que compreende os bairros do Rio Vermelho, Ondina, Barra e Pituba tem um resultado melhor com o deslocamento via bike. “Somente quando o cliente mora num bairro mais distante, vou de ônibus”, afirma. Com a sua bicicleta, Ferreira realiza cerca de quatro atendimentos diariamente.

A Pituba é também o bairro de atuação profissional do autônomo Wagner Silva Dias, 40 anos, que faz entregas de diversos produtos com a sua bicicleta, que tem uma cesta acoplada. “Morro na Boca do Rio, venho para a Pituba; trabalho; economizo o dinheiro do ônibus e ainda ganho saúde”, sintetizou.

Espera-se que os esforços governamentais transformem Salvador numa cidade repleta de pedreiros, médicos, advogados, copeiras, sociólogos etc. que formarão a legião dos “profissionais que vão de bike”.

Sorocaba tem a segunda maior malha cicloviária do Brasil

Malha cicloviária deSorocaba-Vereador Paulo Câmara
Foto: Zaqueu Proença – Site Prefeitura de Sorocaba

A cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, é a comprovação de que é possível fazer com que a bicicleta conviva bem com outros meios de transporte.  Com quase 630 mil habitantes, segundo o IBGE, o município é dono da segunda maior malha cicloviária do Brasil. O ciclista tem à sua disposição 106 km de ciclovias, atrás apenas do Rio de Janeiro.

Atualmente, a extensa malha cicloviária é composta principalmente por faixas exclusivas, apenas 3 km são de ciclofaixas (quando parte da pista é interrompida para a passagem de bicicletas). As vias exclusivas cortam as principais avenidas da cidade e são interligadas, o que possibilita ao ciclista trafegar pela cidade com mais segurança. Ao chegar ao destino, o morador pode usar um dos 50 paraciclos (“estacionamentos”) espalhados pela cidade.

Integração
Quem quiser fazer integração com outros modais também pode.  Lá, coexiste um sistema de uso temporário de bicicletas, só que, diferente de outras cidades, ele é totalmente gratuito. Implementado há cerca de um ano e meio, o sistema Integrabike já realizou mais de 150 mil empréstimos gratuitos de bicicletas.

A cultura da bicicleta na cidade começou a ser instalada em 2006 e vem se consolidando entre os principais modelos cicloviários do Estado e do Brasil.

Bicicletas são meio de transporte público em Barcelona

Vereador Paulo câmara-Bicicletas como transporte público
Foto: Site Brasília em destaque

Você sabia que a bicicleta pode ser meio de transporte público? Na cidade de Barcelona, na Espanha, as “magrelas” formam um sistema complementar aos tradicionais ônibus e metrô e contam com faixas exclusivas. Além de estimular o uso desse modal como transporte público em trechos curtos, elas diminuem a poluição na cidade e incentivam a atividade física.

O nome do sistema é Bicing e foi criado em 2007. Funciona assim: o cidadão se registra no sistema, adquire um cartão e paga uma anuidade por ele. Depois, é só passar o cartão em uma estação, retirar a bicicleta e devolvê-la em qualquer outra estação.

A cada 300 ou 400 metros é possível encontrar um lugar para pegar e devolver as magrelas. Para facilitar a vida dos moradores, as estações ficam sempre próximas às saídas dos metrôs e a pontos de ônibus. O sistema foi pensado para trajetos curtos, evitando o uso de outro meio.

Os moradores de Barcelona pagam 30 euros ao ano e podem usar as bicicletas quantas vezes quiserem. Porém, não deve ultrapassar 30 minutos por viagem. Se descumprirem a norma ou danificarem aparelhos são multados e estão sujeitos a perder o cartão.

Realidade de Salvador

Ciclovias Salvador-Paulo Câmara
Mapa do sistema cicloviário de Salvador existente e em projeto, rede do metrô e férrea

Atualmente, Salvador conta com um trecho de 17 km de ciclovias. Elas ficam na orla, entre os bairros de Amaralina e Itapuã. Quem abre mão do carro ou do ônibus para se locomover pela cidade tem que se arriscar no meio da pista.

Projeto Cidade Bicicleta

O projeto “Cidade Bicicleta”, idealizado e executado pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Governo do Estado da Bahia (Conder), previa a implantação de 217 km de ciclofaixas e ciclovias em Salvador. Depois o número foi reduzido para 82 km. A promessa é entregar o projeto até a Copa do Mundo de 2014, mas até o momento ele não foi executado.

Sistema de ciclofaixas da Prefeitura

A Prefeitura anunciou este ano que quer implantar um sistema semelhante ao espanhol, porém, sem as faixas exclusivas. Um sistema de ciclofaixas funcionaria, ao menos inicialmente, aos domingos e feriados e está previsto para ser implantado até o fim do ano. O vereador Paulo Câmara já havia protocolado um projeto de indicação solicitando que a prefeitura implementasse infraestrutura em Salvador para o trânsito de bicicletas.

Mapa extraído do site Mobilize – Mobilidade Urbana Sustentável