Por uma nova educação

Uma educação que estimule a independência, os vários tipos de inteligência e que leve o indivíduo a desenvolver uma visão crítica própria e a interagir com o mundo ao seu redor. Essas são algumas das inovações que muitas linhas de ensino, em oposição ao método tradicional, defendem como novas formas de aprendizado. Metodologias como a escola construtivista, a montessoriana e freiriana vêm ganhando cada vez mais espaço no Brasil e problematizando os debates sobre a educação no país. A velha oposição entre o professor centralizador de todo o conhecimento e o aluno totalmente desprovido de experiências e capacidade de contribuição está em constante questionamento.

Documentário
Antonio Sagrado, Raul Perez e Anderson Lima, três jovens envolvidos com cinema, resolveram documentar as novas ideias sobre a educação no Brasil. Depois de entrevistar 50 pessoas e conhecer 10 metodologias de ensino diferentes em todo o país, no dia 29 de julho, eles lançaram o documentário Quando Sinto que Já Sei – disponível no Youtube. O vídeo, que já tem um pouco mais de 83 mil visualizações, traz os depoimentos de quem quer repensar a educação no Brasil.

O projeto foi iniciado em 2011 e financiado com a ajuda do Catarse (ferramenta que estimula o financiamento coletivo). No total, foram 487 apoiadores que, juntos, doaram quase R$ 50 mil, possibilitando que o filme fosse finalizado e distribuído. “A proposta de Quando Sinto Que já Sei é levantar uma discussão sobre o atual momento da educação no Brasil. Carteiras enfileiradas, aulas de 50 minutos, provas, sinal de fábrica para indicar o intervalo, grades curriculares, conhecimento dividido em diferentes caixas. As escolas, como são hoje, oferecem os recursos necessários para que uma criança se desenvolva ou a transformam em um robô, com habilidades técnicas, mas sem senso crítico?”, escreveu Sagrado, um dos diretores, no texto do Catarse. Para saber mais informações acesse o site do projeto.

Confira o documentário:

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Transformando praças urbanas em espaços educativos

Praça Irmã Dulce
Foto: Valter Pontes/ Prefeitura de Salvador

Você já imaginou como as praças tem um grande potencial educativo? Disseminar este conhecimento é o objetivo da primeira convocação do “Mundial da Educação”, movimento da sociedade civil que objetiva expandir a experiência educacional para além da sala de aula e, assim, ampliar as oportunidades de acesso à aprendizagem.

As praças são consideradas espaços ideais para disseminar conhecimento por serem locais abertos, destinados à convivência e tradicionalmente usados para o diálogo. Segundo Agda Sardenberg, coordenadora executiva e especialista em educação integral da Associação Cidade Escola Aprendiz, estar na praça é mais do que ocupar um espaço público, é também um exercício de cidadania, pois tudo o que dialoga ou se expressa no espaço pode se tornar uma oportunidade de reflexão e de descobertas.

A interação com esses espaços públicos podem motivar o resgate da memória e da história do local, através do contato com as pessoas. As chamadas praças-jardim podem ser um mote para o estudo das espécies existentes naquele local. A criatividade do educador o leva a explorar diversos temas que abrangem várias disciplinas. A oportunidade também é propícia para estimular os alunos a fazer indagações e procurarem as respostas.

Conheça aqui algumas ideias da utilização das praças para a aprendizagem:

Lançado concurso de redação sobre meio ambiente

“Pequenas ideias, grandes mudanças”. Esta é a frase do concurso de redação sobre sustentabilidade lançado hoje, no Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, que tem a parceria da Casa Legislativa e as secretarias municipais da Educação (SMED) e Cidade Sustentável (Secis).

O vereador Paulo Câmara, presidente da Casa, fez a abertura e presidiu a mesa do evento, composta também pelos secretários Jorge Khoury, da Educação, André Fraga, da Cidade Sustentável, e pelo palestrante Paulo Cezar Oliveira, que falou sobre Educação, Cidadania e Sustentabilidade. “Este concurso oferece elementos para fortalecer a consciência crítica em relação ao meio ambiente e a necessidade de entender a sustentabilidade no sentido mais amplo”, disse Câmara.

Na plateia, estavam presentes professores, coordenadores e diretores de escolas. Eles serão os responsáveis pela divulgação e acompanhamento do concurso nas unidades escolares em que atuam.

Concurso
As ações do concurso terão como base a cartilha Meio Ambiente e Cidadania, de Antônio Cedraz, autor de diversas publicações educativas. Ele é criador da Turma do Xaxado, sendo premiado por diversas vezes. Em 2002, recebeu o título de Mestre do Quadrinho Nacional.

Estão aptos a participar estudantes do 6º ao 9º ano, de 49 escolas da rede municipal de ensino. Ao todo, o concurso envolverá mais de 16 mil alunos. A premiação será no dia 5 de junho, Dia do Meio Ambiente.

Seleção
A primeira seleção se dará em cada escola, e os 49 alunos pré-selecionados passarão por uma comissão julgadora, que escolherá três redações finalistas. Os jurados são César Rasec, doutorando em Letras pela Ufba; Maria Clara Luz, pós-graduada em Gestão Escolar pela Uneb; e Isaías Vasconcelos, licenciado em Ciências e Filosofia pela Ufba e atual educador ambiental da Secis.

Trabalhadoras apoiam o Projeto Minha Segunda Mãe

A reportagem do site de Paulo Câmara foi às ruas ouvir a opinião de mulheres trabalhadoras de baixa renda sobre o projeto de Lei 881/2013, de autoria do parlamentar, intitulado “Minha Segunda Mãe”.

Seriam criados núcleos residenciais de atendimento a crianças de zero a cinco anos de idade, sob orientação e supervisão da Prefeitura. Mães de um determinado bairro tomariam conta de até sete crianças por um prazo de até dois anos, enquanto o Executivo Municipal constrói creches naquele local.

Segundo a Agência Brasil, o déficit no país ainda é grande: apenas 18,4% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculados em creches, de acordo com dados de 2009. Diante desta situação, as mães trabalhadoras de baixa renda fazem sacrífícios para deixar seus filhos em segurança.

Aumento da renda
cintia1Devido aos custos para pagar à vizinha para tomar conta da sua filha, a pequena Sara, de um ano e quatro meses de idade, Cíntia Nascimento, diarista no bairro do Horto Florestal, gasta quase metade dos seus rendimentos como diarista para contratar uma babá.

“Eu ganho R$ 70 por diária. Deste total, tenho que pagar R$ 30 para uma pessoa tomar conta da minha filha”, reclamou. Ela aplaudiu o Projeto Minha Segunda Mãe, pois caso seja transformado em lei, “vai aumentar minha renda e dar oportunidade de trabalho para as mulheres que vão abrigar e cuidar das crianças dos vizinhos”.

marise

 

Já Marise Silva de Jesus, 39 anos, empregada doméstica no mesmo bairro, tem uma filha de 9 anos. Ela relata que desde que a mesma menina nasceu, “quando dá, sempre arrumo alguém para tomar dela ou fica com os parentes. Como não tenho um local apropriado para deixar a menina, já tive diversas vezes problemas no trabalho por causa disso”. Ela comenta que, caso o projeto se transforme em lei, “vai me ajudar, pois sou assalariada e é muito complicado ter que pagar alguém para cuidar da minha filha”, frisou.

“Minha Segunda Mãe” vai beneficiar mulheres e crianças de bairros populares

Imagem Ilustrativa
Imagem Ilustrativa

De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope, em 2012, 36% das mulheres brasileiras entre 20 e 75 anos são chefes de família. E 57% das brasileiras nesta idade são mães. As mulheres pobres que se enquadram nesta situação enfrentam um problema: a falta de creches públicas.

Afinal, o cruzamento de dados do censo demográfico de 2010 com as Sinopses Estatísticas da Educação Básica 2012, publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), demonstram que o Brasil precisa criar um milhão de vagas na pré-escola para suprir a demanda contida.

Segunda Mãe
Em Salvador, a realidade não é diferente. Tentando minimizar esta situação enquanto não há uma oferta de vagas suficientes na rede pública de Educação Infantil (creche e pré-escola), o vereador Paulo Câmara  deu entrada no Projeto deLei 132/2014, intitulado “Minha Segunda Mãe”.

Seriam criados núcleos residenciais de atendimento a crianças de zero a cinco anos de idade, sob orientação e supervisão da Prefeitura. Mães de um determinado bairro tomariam conta de até sete crianças por um prazo de até dois anos, enquanto o Executivo Municipal constrói creches naquele local.

Segundo o parlamentar, a implantação desta iniciativa permitirá a inserção de muitas mulheres no mercado de trabalho, “já que poderão deixar seus filhos em segurança enquanto vão para seus empregos”. Por outro lado, também seriam beneficiadas as “Segundas Mães”, pois teriam uma renda sem deixar suas casas ou seus filhos.

 

Plataforma online de ensino incentiva o consumo consciente nas escolas

1175044_462858453812951_1239707484_nComo formar uma geração que se preocupa com a preservação do planeta? Muito simples. Uma das soluções está na educação. Se desde cedo as crianças conhecerem práticas ligadas à sustentabilidade vão crescer praticando e espalhando esse tipo de atitude.

O Instituto Akatu, que trabalha em prol da disseminação da cultura do consumo consciente, inovou nesse quesito. A redução do consumo e a escolha de produtos que agridem menos o meio ambiente são fundamentais para a diminuição da quantidade do lixo gerado e a conservação dos recursos naturais. A instituição criou uma plataforma online de ensino voltada para o tema, chamada de Edukatu.

Edukatu

O Edukatu foi lançado recentemente e é descrito como rede de aprendizagem para o consumo consciente e a sustentabilidade. Ao acessar e se cadastrar na plataforma, professores e alunos têm acesso a conteúdo de referência a respeito do consumo consciente, jogos e outras atividades lúdicas. O que chama a atenção no Edukatu é uma plataforma para que professores e alunos de todo o país compartilhem experiências vividas em sala de aula.

Conheça mais sobre o projeto.

 

Anísio Teixeira 113 anos: Personagem central da história da educação brasileira

 

Anísio Teixeira na Escola-parque
Anísio Teixeira na Escola-parque, em 1952

“Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública”.Essa frase proferida pelo baiano Anísio Teixeira resume sua trajetória de vida em prol da educação como ferramenta para assegurar o exercício da democracia. Advogado, intelectual, educador e escritor, nascido em Caetité, Anísio estaria completando 113 anos nesta sexta-feira (12).

Anísio Spínola Teixeira formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, no Rio de Janeiro, aos 22 anos. Dois anos depois foi nomeado inspetor-geral de ensino do Estado da Bahia – cargo equivalente ao de Secretário da Educação na atualidade.

Já em 1927, foi estudar na Universidade de Columbia, em Nova York, onde foi fortemente influenciado pelo conceito de Educação Progressiva do filósofo e pedagogo John Dewey, segundo o qual a educação não deveria se restringir à transmissão do conhecimento. Para Dewey, o saber e habilidade adquiridos pelo estudante deveriam ser integrados à sua vida como cidadão.

No ano seguinte, Anísio demitiu-se do cargo de inspetor de ensino pelo fato de o novo governador não concordar com suas propostas de mudanças no ensino baiano. Ele defendia o conceito de escola única, pública e gratuita como forma de garantir a democracia, além de ter sido o primeiro a tratar a educação com base filosófica.

Projeção Nacional

Em 1931, Anísio muda-se para o Rio de Janeiro e passa a ocupar a Diretoria da Instrução Pública do Distrito Federal. Durante o mandato, ele instituiu a integração da “Rede Municipal de Educação”, que ia da escola primária à universidade. Em 1935, criou a Universidade de Brasília (UNB), da qual foi reitor em 1963 e afastou-se após o golpe militar. Hoje a Universidade é considerada uma das melhores do país. Também foi um dos fundadores da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Por volta de 1932, Teixeira participou do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, tendo publicado neste período duas obras sobre educação que, junto a suas realizações, deram-lhe projeção nacional.

Durante o último período do Estado Novo, afastou-se da vida pública e refugiou-se em Caetité, onde viveu até 1945. Nesse período, publicou a obra Educação para a Democracia. Em 1946, assumiu o cargo de conselheiro da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Legado na Bahia

 Na Bahia, em 1950, fundou, no bairro da Liberdade, o Centro Educacional Carneiro Ribeiro e a primeira Escola-parque, cujo objetivo era oferecer à criança uma escola integral, cuidando da alimentação, higiene, socialização, além de preparar para o trabalho, reformando o sistema educacional da Bahia.

Nas Escolas-Parques, os alunos ainda tinham contato com as artes plásticas. Naquela época, as aulas eram orientadas por profissionais de renome, como Carybé e Mário Cravo. Posteriormente, foi diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), onde ficou até 1964.

Anísio Teixeira morreu ao cair no poço do elevador de seu prédio, no dia 11 de março de 1971, quando saía para visitar o amigo Aurélio Buarque de Holanda.