Pelourinho: memória de Salvador e do Brasil

vereador Paulo Câmara
Reprodução/TripAdvisor

Sem dúvida alguma, se perguntarmos a turistas estrangeiros e brasileiros qual o local de Salvador que eles consideram símbolo da cidade – e até mesmo do estado da Bahia – muito provavelmente a maioria deles irá citar o Pelourinho. Com suas casas e sobrados coloridos, construídos em estilo colonial, essa parte do centro histórico de Salvador é mundialmente conhecida por carregar grande representatividade física e simbólica da história do município e, consequentemente, do Brasil.

Fundado por Tomé de Souza, quando chegou à Bahia no século XVI, inicialmente o Pelourinho foi escolhido como local para a construção da “cidade fortaleza” devido à sua localização geográfica que favorecia a defesa contra ataques que viessem pelo mar. À medida que o município foi sendo ocupado, principalmente a partir do século XVII, o local se tornou uma área elitizada, onde os grandes e poderosos proprietários rurais construíram casas e sobrados suntuosos para mostrar o seu poderio.

Atualmente convencionou-se chamar de Pelourinho a maior parte do Centro Histórico de Salvador, começando da Praça Municipal até o bairro de Santo Antônio Além do Carmo. No entanto, até a metade do século passado chamava-se assim apenas o largo do bairro, local onde os escravos eram castigados. Aliás, o nome Pelourinho designava o instrumento de tortura específico – um poste de madeira ou de pedra, com argolas de ferro, erguido em praça pública – onde os negros escravizados eram amarrados e chicoteados.

O bairro hoje tem uma função turística e de preservação da memória da história soteropolitana e brasileira. Abriga restaurantes de culinária baiana, igrejas e edifícios históricos e imponentes, como a Faculdade de Medicina e a Catedral da Sé. O Pelô, como chamam carinhosamente os baianos, também já se tornou um circuito de carnaval alternativo, indicado para quem não gosta do fervor e das multidões dos circuitos Dodô e Osmar, e também é onde acontece a festa de São João da cidade, uma opção para os que não viajam para o interior. Em 1985 a UNESCO tombou o bairro como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Desfile celebrará 7 de setembro em Salvador

7 de setembroO grito de independência dado por D. Pedro I às margens do Rio Ipiranga no ano de 1822, foi o ponto culminante de um processo lento e complexo que levou o Brasil a se separar de Portugal. O primeiro passo foi dado com a vinda da família real portuguesa para as terras brasileiras em 1808, possibilitando um maior desenvolvimento e progresso da ainda colônia.

Durante todo esse período, houve uma tensão de forças entre Brasil e Portugal. O primeiro, defendendo as vantagens econômicas conseguidas através das medidas tomadas por D. João VI, como a abertura dos portos às nações amigas, e o último resguardando o controle metropolitano. Devido à pressão portuguesa, D. João VI retornou ao país e deixou seu filho Pedro como príncipe regente do Brasil. No entanto, a metrópole também exigia a volta do príncipe. Diante da ameaça de invasão militar imposta por Portugal, D. Pedro I declarou a independência brasileira, que ainda precisou ser legitimada em batalhas contra tropas locais que mantinham fidelidade à metrópole.

Comemoração em Salvador
Em Salvador, em todos os anos acontece no centro da cidade o desfile militar em comemoração à data. Neste ano, os festejos do 192° aniversário da Independência do Brasil se iniciarão às 9h. A revista da tropa está prevista para as 8h15 e o hasteamento, no Campo Grande, das bandeiras do Brasil, da Bahia e de Salvador, para as 8h55. Logo após, acontecerá o desfile das tropas militares e instituições civis. A marcha ocorrerá entre o Corredor da Vitória e a Praça Castro Alves.

Mas o que é o São João?

Festa_de_São_João!A tradicional festa de São João, muito comemorada no nordeste brasileiro, nem sempre foi do jeito que se conhece hoje. Originalmente, na Europa pré-cristã, o que se comemorava no mês de junho, quando ocorre solstício de verão no hemisfério norte, eram celebrações pagãs em agradecimento às boas colheitas. Com a disseminação do cristianismo através da expansão romana, a Igreja Católica transformou essas festividades em dias de santos. Dia 13 se festeja Santo Antônio, 24, São João e 29, São Pedro.

A festa de São João homenageia João Batista, primo de Jesus que tinha o costume de batizar as pessoas. Juntamente com os outros festejos juninos, foi trazida para o Brasil pelos portugueses e aqui foi adaptada à cultura local, perdendo o caráter mais religioso que tinha em Portugal. Apesar de se comemorar em todo o país, é no nordeste que o São João é mais forte e onde foram incorporados à comemoração a quadrilha – derivada de uma dança francesa, a quadrille – , o forró, as comidas típicas feitas de milho e o caráter teatral, cujo exemplo mais tradicional é o casamento na roça.

Atualmente, algumas cidades do nordeste comemoram os festejos juninos com um mês de festa. É o caso de Caruaru e Campina Grande. Na Bahia, há muitos municípios do interior que promovem famosos forrós privados ou abertos ao público nas praças da cidade. Na maioria, se apresentam bandas de diversos estilos musicais, até mesmo axé.  Em celebrações mais tradicionais, ainda são feitas brincadeiras como pau-de-cebo, cabra-cega, quebra-pote e correio elegante. Há também o costume de soltar fogos e acender fogueiras. No entanto, apesar das modificações sofridas ao longo do tempo, o São João ainda é uma festa autenticamente brasileira e bastante representativa do povo nordestino.

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