O Nordeste está em festa. Forró, comidas típicas e as frondosas fogueiras iluminam, sobretudo, as cidades do interior, momento em que os nordestinos reforçam a sua fé em São Antônio, São João e São Pedro.
Segundo a história do catolicismo, Maria e Isabel, primas e grávidas ao mesmo tempo, combinaram que a primeira a ter o bebê avisaria a outra acendendo uma fogueira que pudesse ser avistada, à distância, no deserto da Judéia, onde viviam. Santa Isabel foi a primeira a acender o fogo, quando nasceu João.
Rica em versões para o surgimento das festividades, além da relação com o mês de junho e com São João – sendo que as festas já foram chamadas de “joninas” –, o termo “junino” estaria associado à festa pagã que comemorava a chegada do solstício de Verão no Hemisfério Norte. Transportada para o Hemisfério Sul, a data foi associada ao solstício de Inverno. Neste período era comum que as populações do campo parassem por alguns dias as suas atividades a fim de comemorar a proximidade das colheitas. Para afastar os ‘demônios’ da esterilidade e da estiagem, eles faziam sacrifícios acendendo fogueiras.
O que sabemos é que hoje, aqui no Nordeste, não há festa junina sem homenagens a Santo Antônio, São João e São Pedro, o que significa que as cidades se organizam para um mês inteiro vivendo as delícias que essa tradição proporciona.
Influências europeias despertaram a paixão pelas quadrilhas. Originalmente, era uma dança típica portuguesa cujos passos se assemelham às nossas coloridas e animadas quadrilha juninas.
As comidas típicas em sua maioria são preparadas à base de milho, por conta do período de colheita deste grão: assado, cozido, em forma de pamonhas, cural, mingau, canjica, cuscuz e bolos. Também se incorporaram ao cardápio o amendoim, e para beber o quentão e os licores.
Outra tradição do período são as simpatias e promessas, que vão desde o pedido para arrumar um marido; os pedidos por boas colheitas no campo e mais dinheiro no bolso. Se as simpatias não funcionarem, você pode também rezar a oração de São João Batista:
“São João Batista, voz que clama no deserto, ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas, para que eu me torne digno do perdão Daquele que Vós anunciastes. São João, pregador da penitência, rogai por nós. São João, precursor do Messias, rogai por nós. São João, alegria do povo, rogai por nós. Amém”.
Foto de Capa: Abertura do São João 2011 no Pelourinho, Mateus Pereira/Secom