Subúrbio Ferroviário e sua vista deslumbrante

vereador paulo câmara
Enseada do Cabrito Foto: Reprodução/ blog história de Salvador

Banhado pela Baía de Todos-os-Santos, o Subúrbio Ferroviário de Salvador é uma área que abriga muitas belezas naturais e possui grande valor histórico-cultural para a cidade. A área abrange 22 bairros, ligados pela linha do trem da extinta Viação Ferroviária Leste Brasileiro (Leste), inaugurada em 1860.

Antes da colonização, o local onde hoje se situa o Subúrbio Ferroviário era ocupado por indígenas. Ao iniciar o processo de tomada do território, os portugueses foram expulsando e dizimando os índios que ali viviam, construindo fazendas, engenhos e casas de veraneio. As vilas e lugarejos predominaram na área até a década de 1970, quando foi construída a Avenida Afrânio Peixoto, mais conhecida como Suburbana. A partir desse período, passou a predominar na área a ocupação informal pelas classes populares.

Apesar de não fazer parte do roteiro turístico tradicional, o Subúrbio Ferroviário merece ser visitado pelas suas belas praias, muitas desconhecidas pela população da própria cidade. Como exemplos, é possível citar a Enseada do Cabrito, Alvejado, Itacaranha, Escada, Praia Grande, Periperi, Tubarão, Base Naval e São Tomé de Paripe. Nesta última se localiza a praia de Inema, área da Marinha do Brasil, que desde o mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é usada para férias presidenciais.

Já a importância simbólica é dada pelas construções e locais históricos. Merecem destaque as igrejas de São Bartolomeu, São Thomé de Paripe e de Nossa Senhora de Escada, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Há também o parque São Bartolomeu, famoso pelas cachoeiras e pela área verde, que foi esconderijo de quilombos e palco de batalhas pela independência da Bahia. No século 17, o Subúrbio serviu como ponto de resistência às invasões holandesas e, em 1930, no bairro do Lobato, foi achado o primeiro poço de petróleo do Brasil.

O Subúrbio Ferroviário vai do bairro da Calçada, na parte baixa da cidade, até Paripe, passando por bairros como Boa Vista do Lobato, Mirantes de Periperi, Rio Sena, Plataforma, Bela Vista do Lobato, Alto do Cabrito, São João do Cabrito, Escada, Periperi, Itacaranha e Praia Grande. O local tem cerca de 600 mil habitantes e uma vista deslumbrante da cidade de Salvador.

Visitando a memória

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A Câmara de taipa e coberta de palha (1549)

A história da Câmara contada de maneira cronológica, por meio de maquetes, painéis, móveis e objetos. Pinturas e fotos que retratam acontecimentos e personalidades importantes da história da Bahia, como Thomé de Souza, Cosme de Farias, Castro Alves, Ana Nery, Dom Pedro II e Ruy Barbosa, além de achados arqueológicos. Essa é a viagem no tempo feita por quem visita o Memorial da Câmara Municipal de Salvador.

Consta deste acervo, que reúne 40 quadros em óleo sobre tela, a obra Reconquista da Bahia (1625 – autor desconhecido), que retrata o contexto das Invasões Holandesas, considerado como o maior conflito político-militar do Brasil colônia.

O memorial também abriga três maquetes do Paço Municipal, mostrando as modificações arquitetônicas pelas quais a Casa Legislativa passou ao longo do tempo. Em seu surgimento (1549), por exemplo, a Câmara é apresentada de taipa e coberta de palha.

Os visitantes também podem ter contato com a urna de prata trazida de Portugal, que é utilizada até hoje pelos vereadores para as votações, e com a mesa de Jacarandá, do século XVII, usada pela Mesa Diretora, durante as sessões, até 2006.

Moedas, dentes, fragmentos cerâmicos e balas de canhão foram encontrados durante as escavações realizadas no passo para a construção do Memorial. As peças integram o acervo do local. No piso superior do Memorial, fica a galeria dos benfeitores e dos ex-presidentes, além da sala multimídia.

O Memorial é aberto ao público. As visitas ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. A entrada é franca. De acordo com Ana Lúcia Barbosa, coordenadora do Memorial, cerca de 500 pessoas visitam mensalmente o museu, principalmente estudantes e turistas. “A visitação das escolas é importante para dar continuidade ao que é ensinado em sala de aula”, avalia Ana Lúcia, se referindo aos grupos de estudantes que recebe.

Visitando a Memória

Implantado recentemente, o Projeto Visitando a Memória consiste em realizar visitas direcionadas para estudantes ou grupos de crianças especiais: de 4 a 5 anos que não sabem ler ou escrever;  com necessidades especiais ou em situação de rua. “A ideia é adaptar a linguagem a cada grupo, para que eles assimilem melhor. Ao final, promoveremos uma oficina de desenho”, explica Daniela Guimarães, coordenadora adjunta.

As escolas e grupos interessados em conhecer a exposição permanente e reviver a história da Casa Legislativa devem fazer o agendamento prévio da visita guiada pelo telefone (71) 3320-0308.

Sobre o memorial – O Memorial foi criado pelo Decreto Legislativo n° 855, de 10 de outubro de 1997 e aberto ao público em 2001. É um museu público e sem fins lucrativos de responsabilidade da Câmara Municipal de Salvador, dedicado à preservação e divulgação da memória histórica e cultural da instituição, assim como da cidade do Salvador, através de seu acervo documental, iconográfico e mobiliário. Em 29 de dezembro de 2010, o Memorial foi reinaugurado com um trabalho de revitalização do seu espaço.