
O poeta Castro Alves já dizia: “A Praça é do povo, como o céu é do condor”, mas não é bem isso que estamos vendo nos últimos anos. As cidades foram tomadas por arranha-céus e a vida social empurrada para o stress dos problemas de mobilidade. Praças e parques estão se transformando em grandes espaços de estacionamento e pouco encontro entre as pessoas.
Refletindo sobre a história vamos perceber que aconteceu uma grande desvalorização do significado de uma praça. Na Ágora grega a praça era o símbolo maior da liberdade, era neste ambiente que aconteciam as reuniões sociais e as pessoas emitiam suas opiniões; era no Fórum romano onde aconteciam as relações comerciais e políticas, configurando-se como palco do poder; os imponentes jardins europeus configuravam-se (e afirmo que ainda o são) singulares obras de arte.
Mas o que vemos hoje é a utilização de praças como áreas de estacionamento com sombra, na imensidão cinza de concreto na qual os centros urbanos se transformaram.
Os debates, sobretudo midiáticos, acerca da necessidade de pensarmos e agirmos de forma sustentável têm levantado questionamentos sobre a relevância das praças nos centros urbanos, que vão muito além de espaços verdes. Na verdade, a busca atual de urbanistas é fazer com que praças e parques voltem a ser aqueles espaços públicos de convívio social como em outrora.
Uma premissa que está crescendo em busca dos espaços verdes para as pessoas é uma maior participação social, seja por grupos e comunidades, ou ainda por empresas, que “adotam” espaços públicos, tais como praças ou canteiros centrais e auxiliam na preservação do mesmo. Faz parte de processo a recuperação e a revitalização, mas também uma fiscalização intensiva contra atos de vandalismo.
Outra conquista são as praças sustentáveis. Em Pinheiros – SP, uma área degradada de aproximadamente 14 mil m² foi revitalizada e se transformou na Praça Victor Civita. Por 40 anos a área abrigou um incinerador de lixo e cooperativa de reciclagem, o que provocou uma contaminação do solo com metais pesados e outras substância tóxicas. Com um trabalho de planejamento e estudos ambientais, pontos que poderiam apresentar risco para a saúde pública foram isolados, e a população já pode participar de oficinas, trilhas ecológicas e visitar o Museu da Sustentabilidade.
O grande desafio da construção ou recuperação de praças no século XXI não está em localizar as áreas disponíveis no meio de tanto asfalto, mas de fazer com que esses espaços verdes sejam ocupados pelas pessoas.
O Sistema de Informação Municipal de Salvador apresenta dados de um levantamento urbano feito há 10 anos, onde teríamos 335 espaços públicos entre praças e largos. Uma dessas praças, que fica na Cidade Alta, homenageia o poeta Castro Alves, que além do nome tem também uma grande escultura.







