Pequenos empresários criam soluções para problemas urbanos

Cidades inovadoras Você tem uma boa ideia que venha a solucionar problemas para sua cidade? Que tal vendê-la para prefeituras ao redor do Brasil? É isso que tem feito pequenos empresários de tecnologia, desenvolvendo softwares (programas de computador) que são muito úteis para melhorar a qualidade de vida do cidadão.

Além de estimular o empreendedorismo, o uso de tecnologia na resolução de problemas urbanos tem sido bom também para a sociedade. A maioria destas iniciativas é bastante simples e de baixo custo, o que reduz os gastos do poder público. Algumas delas ainda aproximam o governo da sociedade civil e estimulam a cidadania. Confira as ideias destacadas pela revista “Pequenas Empresas & Grandes Negócios” da edição de maio.

Colab.re
Praticamente todos os moradores de uma cidade têm vontade de reclamar de cada problema que encontra pelo meio do caminho: seja o acúmulo de lixo, uma calçada quebrada ou um buraco no asfalto. A grande dúvida é: a quem recorrer para denunciar. Empresários de Recife desenvolveram um aplicativo que conecta o cidadão diretamente à Prefeitura. A rede Colab.re é um sistema que permite ao cidadão fiscalizar, avaliar ou propor serviços das ruas da cidade. A solução já foi adotada pela Prefeitura de Curitiba e o Colab atraiu um fundo paulista que investiu R$ 3,5 milhões na empresa.

Salvador Vai de Bike
Os soteropolitanos que passeiam nas bicicletas laranjinhas pela capital baiana conhecem o sistema das estações de compartilhamento, o Salvador Vai de Bike. Depois de se cadastrar no site do programa, a pessoa poderá retirar uma das bicicletas do programa através de chamadas para uma central telefônica, usando um aplicativo para smartphones ou o cartão do ônibus. Esse sistema foi criado pela empresa pernambucana Serttel e funciona em Salvador, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Agora a companhia irá implantar o sistema em Buenos Aires, na Argentina.

Acessibilidade nos ônibus
A empresa Geraes Tecnologia desenvolveu um aparelho que facilita o uso de ônibus pelos deficientes visuais. O passageiro recebe um dispositivo, o DPS 2000, que é acionado por ele assim que chega ao ponto. O motorista do ônibus desejado recebe um sinal, para onde o usuário está e o avisa ao chegar. A iniciativa já está em vigor nas cidades paulistas de Limeira, Jaú e Araucária. A Geraes, que desenvolve tecnologias inclusivas, estima faturar R$ 1 milhão em 2014.

Fusco-Motosegura
O metalúrgico Vladimilson Reis, 36 anos, teve uma ideia simples para facilitar o transporte de cargas em grandes cidades. Ele inventou um triciclo para cargas, o Fusco-Motosegura, usando uma motocicleta como base. O veículo é leve, estreito e flui com facilidade em vias de tráfego pesado e em favelas e periferias. O Fusco-Motosegura também é uma opção sustentável de transporte: consome pouco combustível e já sai da fábrica homologado pelo Detran e com certificação do Ibama.

Projeto recupera áreas abandonadas

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Você já imaginou o que pode fazer para deixar sua cidade mais agradável? Foi esse questionamento que deu origem ao movimento Canteiros Coletivos, iniciativa que recupera praças e canteiros em Salvador através da requalificação do espaço.

O grupo surgiu em 2012, a partir de discussões em grupos nas redes sociais. Havia o sentimento comum entre os participantes de que a cidade estava descuidada. Desde então, o movimento atua fazendo mutirões de limpeza, plantio e intervenção artística, revitalizando espaços públicos e tornando-os mais agradáveis. Outra ação é a mobilização de moradores, comerciantes e usuários de bairros para recuperação e conversão de determinadas áreas.

Os participantes dos mutirões contribuem com o que podem: ferramentas, mudas, materiais, divulgação e o que mais for necessário para concretizar a ação. A iniciativa é autônoma e está aberta a quem quiser participar. Para saber como aderir ao movimento, visite ao site da instituição.

Guia prevê espaços acessíveis a idosos

Foto: Agência Brasil/ Marcello Casal Jr.
Foto: Agência Brasil/ Marcello Casal Jr.

O número de idosos no Brasil deve quadriplicar até 2060, segundo a última projeção populacional divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Estima-se que os maiores de 65 anos serão quase 27% da população. Será que nossas cidades estão prontas para receber esse incremento na população de terceira idade?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) dispõe de um manual para que as cidades se preparem para essa nova realidade. O “Guia Global das Cidades Amigas do Idoso” foi publicado em 2008 e trata sobre temas como acessibilidade e inclusão. Segundo a OMS, “uma cidade amiga do idoso estimula o envelhecimento ativo ao otimizar oportunidades para saúde, participação e segurança, para aumentar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem”.

Check-list

O Guia é composto por um check-list de oito itens que devem ser observados por gestores de cidades. Ele foi composto a partir da contribuição de idosos e seus cuidadores de 33 cidades ao redor do mundo. Vamos abordar aqui as normas para espaços públicos. Confira:

Prédios públicos e Espaços abertos

· Cidade limpa com uma legislação, devidamente cumprida, que limita o nível de ruído e odores desagradáveis ou nocivos em locais públicos;

· Espaços verdes bem conservados e seguros, com abrigos adequados, banheiros e bancos de fácil acesso;

· Calçadas amigáveis aos pedestres, livres de obstáculos, com superfície nivelada, com banheiros públicos e de fácil acesso;

· Bancos públicos, especialmente em parques, nas paradas de ônibus e em espaços públicos, colocados a intervalos regulares; bancos  bem conservados e fiscalizados para que todos tenham acesso seguro a eles;

· Calçamento bem conservado, nivelado, anti-derrapante e amplo o suficiente para acomodar cadeiras de rodas, com um meio-fio baixo para facilitar a transição para a rua;

· Calçamento livre de quaisquer obstáculos (por exemplo, camelôs, carros estacionados, árvores) e os pedestres têm prioridade;

· Ruas com cruzamentos em intervalos regulares, faixas anti-derrapantes, fazendo com que seja seguro aos pedestres atravessá-las;

· Ruas com estruturas físicas bem desenhadas e apropriadamente colocadas, como ilhas de tráfego, passagens ou túneis que ajudem os pedestres a atravessá-las, especialmente nas de muito movimento;

· Serviços agrupados e localizados próximo de onde os idosos moram e com fácil acesso (por exemplo, localizado no andar térreo dos prédios);

· Atendimento especial para os idosos, como filas separadas ou guichês específicos;

· Prédios acessíveis e com elevadores, rampas, sinalização adequada, corrimãos em escadas, degraus não muito altos ou inclinados, piso anti-derrapante, áreas de repouso com cadeiras confortáveis e número suficiente de banheiros públicos.