Independência da Bahia: Câmara Municipal participa dos festejos

2 de julho (1)As comemorações pela Independência da Bahia, celebrada nesta terça-feira (2), despertará ainda mais o orgulho dos baianos este ano, pois a Presidência da República sancionou este mês lei federal que instituiu o 2 de Julho uma data histórica do calendário de efemérides nacionais. A Câmara Municipal de Salvador estará presente na festa cívica, participando do desfile em dois momentos: pela manhã, do Largo da Lapinha até a Praça Municipal e, à tarde, da Praça Municipal ao Campo Grande.

A Casa Legislativa soteropolitana faz parte da História da Independência, inclusive sendo guardiã de documentos que testemunham o processo libertador da Bahia do domínio português.

“Nós, baianos, temos comemorado, ano após ano, o 2 de Julho, uma data emblemática que é, sem dúvida, uma das mais significativas da Bahia e do Brasil, pois vai além do civismo, consolidando nos dias de hoje, por meio da celebração popular, a nossa cada vez mais sólida democracia”, afirmou Paulo Câmara.

Ao longo do desfile, os heróis da Independência serão lembrados através das figuras do Caboclo e da Cabocla, representando o povo brasileiro, além das heroínas Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa, o coronel José Joaquim de Lima e Silva e o general Labatut.

 Programação

As festividades têm início às 6h, com Alvorada e queima de fogos no Largo da Lapinha. A partir das 9h, haverá execução do Hino Nacional e hasteamento das bandeiras do Brasil, da Bahia, de Salvador e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia por autoridades; colocação de flores no monumento do general Labatut; execução do Hino ao 2 de Julho e início do cortejo cívico até a Praça Municipal, com chegada prevista dos carros emblemáticos dos caboclos às 11h30.

Já pela tarde, a partir das 14h, começa a organização do cortejo até o Campo Grande. Às 15h, pronunciamento de Paulo Câmara. Às 15h30, início do desfile, com chegada prevista ao Campo Grande às 16h30. Em seguida acontecem a execução do Hino Nacional e a colocação de flores no monumento ao 2 de Julho.

Independência da Bahia

A Independência do Brasil foi declarada por Dom Pedro I no dia 7 de setembro de 1822; porém, o exército português continuava resistindo e, por este motivo, dominava o território baiano, que declarou independência somente um ano depois, em 2 de julho de 1823.

De acordo com o historiador Ricardo Carvalho, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o processo de luta na Bahia representa o rompimento com a presença militar portuguesa. “O fator determinante para o início da luta está ligado ao fato de que as tropas portuguesas instaladas na Bahia não aceitaram a tutela de Dom Pedro I após a declaração unilateral de independência”, explicou em entrevista concedida ao portal de notícias G1 Bahia.

A batalha pela independência consolidou o nome de Joana Angélica e outras personalidades que participaram dos conflitos que resultariam na derrota portuguesa.

 

 

 

 

A Bahia e os movimentos populares

CabocloDesde o início do mês de junho, quando estudantes começaram a ocupar as principais vias da cidade de São Paulo, protestando contra o aumento da tarifa de transporte público, o povo percebeu a sua grandiosidade e poder. A partir daí outras manifestações começaram acontecer simultaneamente em todo o país, alguns em apoio à primeira causa e outros suscitando novos temas tão importantes quanto. O auge do movimento foi dia 20 de junho, e contou com a participação de mais de 1,4 milhão de pessoas, em mais de 130 cidades, dentre elas Salvador.

Os resultados começam a aparecer, ao menos no que diz respeito a uma maior transparência pública, tirando das gavetas os projetos que há meses, ou até anos, aguardavam aprovação. Os governantes do país perceberam que o povo não vai mais se deixar enganar por projetos que são aprovados na calada na madrugada e não priorizam o que é melhor para o país.

Mas não podemos pensar nas manifestações deste ano como algo novo e que foge à realidade do povo brasileiro. “Tomar as ruas” está nas nossas veias, e não precisamos ir muito longe para lembrar de outras ações, igualmente importantes. No dia 29 de setembro de 1992 milhares de pessoas compareceram ao Vale do Anhangabaú, em São Paulo, com os rostos pintados de verde e amarelo, para acompanhar a votação que resultaria no impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo. As reuniões e passeatas exigindo a saída do presidente começaram no dia 29 de maio e o movimento ficou conhecido como “Caras-pintadas”.

E quando o assunto é movimento popular a Bahia, sem dúvida, merece um grande destaque. Começamos por volta de 1798 com a Conjuração Baiana. Também conhecida como Revolta dos Alfaiates, trata-se de uma ação abrangente que tinha por objetivo instalar uma república independente e libertar os escravos. O movimento contou com grande participação popular, mas foi sufocado pelas tropas portuguesas.

A própria  Independência da Bahia é outro grande exemplo. A insurreição que começa em 1821, ainda com forte influência dos objetivos suscitados na Conjuração Baiana e na Revolução Liberal dos Portos, de 1820, outra revolta popular também em busca de independência. A declaração da Independência do Brasil, já em 1822, foi decisiva para que os baianos expulsassem de vez os portugueses que ocupavam Salvador e Região Metropolitana. Nesta luta histórica um dos destaques foi a participação ativa dos caboclos, referendados anualmente nas festividades do dia 2 de julho.

Outras manifestações e debates virão, afinal somos uma democracia, e sem dúvida, com as redes sociais continuaremos a fazer valer a nossa voz. E para os pessimistas, que acham que tudo está perdido e o Brasil não tem mais jeito, reflitam sobre o pensamento de Oscar Wilde: “O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma Nação”.