Jornal A Tarde – As mulheres da Independência

A Tarde 2 de julho

Salvador homenageia as heroínas da Independência

Maria FelipaHoje comemoramos a Independência da Bahia, e algo especial marca essa história: a participação, e, sobretudo, o reconhecimento da importância das mulheres para essa conquista que marca a vida de todos os baianos. Todo dia 2 de julho a força das mulheres baianas é representada através das heroínas Maria Felipa e Maria Quitéria.

A baiana Maria Quitéria de Jesus Medeiros alistou-se no Exército Brasileiro com objetivo de lutar pela Independência do Brasil. O grande detalhe é que ela teve que se disfarçar de homem. Usava a roupa de seu cunhado e pela habilidade com as armas entrou para o Batalhão dos Periquitos.

Soldado Medeiros, como ficou conhecida, foi fundamental nas batalhas da Baía de Todos os Santos, em Ilha de Maré, Barra do Paraguaçu e na cidade de Salvador, na estrada da Pituba, Itapuã, e Conceição. Por sua bravura e patriotismo recebeu honras de Primeiro Cadete e D. Pedro I a condecoração de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro.

Em 1996, foi reconhecida como Patronesse do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro, e hoje, por determinação ministerial, sua imagem está presente em todos os quartéis do país.

Não menos importante para a guerra a participação de Maria Felipa se destaca pela simplicidade e força com a qual ela liderava seu grupo.

Negra, marisqueira e uma exímia capoeirista, Maria Felipa organizou um grupo com mais de 200 pessoas, dentre eles outras mulheres, índios Tupinambás e Tapuias, que tinhas como armas apenas facas, peixeiras, pedaços de pau e galhos com espinho. Historiadores contam inclusive que ela teria dado surras em guardas portugueses usando alguns desses galhos.

Um dos feitos do grupo de Maria Felipa foi queimar cerca de 40 embarcações portuguesas que estavam ancoradas próximas à Ilha de Itaparica.

Após a guerra, a heroína continuou vivendo em Itaparica, onde exercia um papel de líder da comunidade.

Tantas outras mulheres também participaram das lutas pela Independência da Bahia, e todo 2 de julho, o povo da Bahia vai às ruas, acompanhar o cortejo e homenagear a bravura e honradez de todas elas.

Independência da Bahia: Câmara Municipal participa dos festejos

2 de julho (1)As comemorações pela Independência da Bahia, celebrada nesta terça-feira (2), despertará ainda mais o orgulho dos baianos este ano, pois a Presidência da República sancionou este mês lei federal que instituiu o 2 de Julho uma data histórica do calendário de efemérides nacionais. A Câmara Municipal de Salvador estará presente na festa cívica, participando do desfile em dois momentos: pela manhã, do Largo da Lapinha até a Praça Municipal e, à tarde, da Praça Municipal ao Campo Grande.

A Casa Legislativa soteropolitana faz parte da História da Independência, inclusive sendo guardiã de documentos que testemunham o processo libertador da Bahia do domínio português.

“Nós, baianos, temos comemorado, ano após ano, o 2 de Julho, uma data emblemática que é, sem dúvida, uma das mais significativas da Bahia e do Brasil, pois vai além do civismo, consolidando nos dias de hoje, por meio da celebração popular, a nossa cada vez mais sólida democracia”, afirmou Paulo Câmara.

Ao longo do desfile, os heróis da Independência serão lembrados através das figuras do Caboclo e da Cabocla, representando o povo brasileiro, além das heroínas Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa, o coronel José Joaquim de Lima e Silva e o general Labatut.

 Programação

As festividades têm início às 6h, com Alvorada e queima de fogos no Largo da Lapinha. A partir das 9h, haverá execução do Hino Nacional e hasteamento das bandeiras do Brasil, da Bahia, de Salvador e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia por autoridades; colocação de flores no monumento do general Labatut; execução do Hino ao 2 de Julho e início do cortejo cívico até a Praça Municipal, com chegada prevista dos carros emblemáticos dos caboclos às 11h30.

Já pela tarde, a partir das 14h, começa a organização do cortejo até o Campo Grande. Às 15h, pronunciamento de Paulo Câmara. Às 15h30, início do desfile, com chegada prevista ao Campo Grande às 16h30. Em seguida acontecem a execução do Hino Nacional e a colocação de flores no monumento ao 2 de Julho.

Independência da Bahia

A Independência do Brasil foi declarada por Dom Pedro I no dia 7 de setembro de 1822; porém, o exército português continuava resistindo e, por este motivo, dominava o território baiano, que declarou independência somente um ano depois, em 2 de julho de 1823.

De acordo com o historiador Ricardo Carvalho, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o processo de luta na Bahia representa o rompimento com a presença militar portuguesa. “O fator determinante para o início da luta está ligado ao fato de que as tropas portuguesas instaladas na Bahia não aceitaram a tutela de Dom Pedro I após a declaração unilateral de independência”, explicou em entrevista concedida ao portal de notícias G1 Bahia.

A batalha pela independência consolidou o nome de Joana Angélica e outras personalidades que participaram dos conflitos que resultariam na derrota portuguesa.