Endereço Comunitário vai facilitar acesso a serviços essenciais

O morador de rua, Lazáro, vive temporariamente na comunidade, onde exerce atividades
O morador de rua, Lazáro, vive temporariamente na comunidade onde exerce atividades

Enquanto morador de rua, Lázaro Pereira Lobo, soteropolitano, 39 anos, sempre teve dificuldades em tirar documentos por não possuir uma moradia. Assim como ele, milhares de pessoas em situação de rua estão alijados dos serviços essenciais, como saúde e trabalho, e inscrição em cursos de capacitação, em concursos, dentre outros, por não terem um endereço fixo. Para se ter uma ideia, de acordo dom dados da Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Semps), o número estimado de moradores de rua é de 3.500 pessoas na capital baiana.

Para mudar essa realidade, o vereador Paulo Câmara elaborou um projeto de indicação (PI nº 180/2014) que visa criar o Endereço Comunitário, ou seja, um endereço postal para que aquelas pessoas que não têm um endereço fixo possam também receber correspondências. O projeto contempla também imigrantes nacionais e estrangeiros.

Peregrino

O francês conhecido como Henrique Trindade, um dos membros da Comunidade da Trindade, localizada na igreja de mesmo nome, na Avenida Jequitaia, acha o projeto necessário para facilitar a vida deste tipo de público aos serviços essenciais. “Para quem não tem endereço, essas exigências acabam tornando a vida mais complicada”, opina. Peregrinando pelo mundo afora e sem endereço fixo, Henrique conheceu o “Poste Restante”, serviço de correio gratuito, que permanece na agência, em todos os países por onde passou.

Henrique conta que um dos grandes problemas dos abrigados na comunidade é a falta de documentos, dificultando o acesso aos serviços. Acho um absurdo precisar de endereço e CPF para tirar o cartão do SUS, pois sem este último não se consegue o benefício da medicação. A Comunidade da Trindade existe há 14 anos. Os abrigados chegam, normalmente por ouvir falar do local, para aprender a viver na coletividade.

Aurora da Rua

Íris e Henrique ajudam na reinserção social dos moradores de rua
Íris e Henrique ajudam na reinserção social dos moradores de rua

Segundo a jornalista Íris Queiroz, 39 anos, editora do Jornal Aurora da Rua e colaboradora na comunidade, todos que ali chegam têm que se enquadrar com o modo de viver de quem já está lá. “Todos têm que limpar o espaço em prol da coletividade, cumprindo normas e trabalhando em prol do outro”, conta. O Jornal serve de fonte de renda para os abrigados, que recebem treinamento, participam das reportagens, vendem o impresso, levantam capital de giro e passam a ter lucro.

Funcionando como uma casa de passagem, todas as pessoas em situação de rua que ali estão, têm que se envolver nas atividades, a exemplo de oficinas de trabalho, reciclagem, plantio de horta, dentre outras. Hoje, Lázaro Pereira Lobo se encontra em um endereço provisório e já pode tirar seus documentos, assim como os demais abrigados. “O endereço comunitário vai, com certeza, ajudar muita gente que vive nas ruas”, salientou.

Bicicletas para pessoas carentes

Foto: Divulgação - Instituto Mobilidade Verde
Foto: Divulgação – Instituto Mobilidade Verde

Desde o final do ano passado, moradores carentes do centro de São Paulo ganharam uma ajuda extra para trabalhar. O Instituto Mobilidade Verde lançou o projeto “Pedal Social”, que empresta bicicletas para pessoas em situação de rua chegarem ao trabalho. A bicicleta, além de ser um veículo sustentável, ocupa pouco espaço nas ruas e tem baixo custo de manutenção.

Tudo começou em 2010, quando o instituto fez uma pesquisa informal e descobriu que uma das maiores dificuldades das pessoas em situação de rua era chegar ao trabalho. Muitos deles conseguiam um emprego, mas não tinham como bancar o transporte no primeiro mês, até que recebessem o salário.

Como funciona
O projeto funciona da seguinte forma: pessoas previamente cadastradas pegam a bicicleta emprestada por um mês, até que tenham condições de arcar com o próprio transporte. O sucesso da iniciativa foi grande. As bikes são devolvidas em bom estado e a fila de moradores esperando para participar do projeto chega a quase 100 pessoas.

Conheça mais sobre o projeto