Barroquinha: cultura, tradição e história

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Espaço Cultural da Barroquinha

Chama-se barroca a erosão causada por ação de água corrente em um determinado terreno. Durante o inverno soteropolitano, estação mais chuvosa da cidade, as águas iam pouco a pouco escavando o solo da rua que hoje dá acesso à Baixa dos Sapateiros. No século XVIII, a população passou a chamar a localidade no diminutivo. Assim, nasceu a Barroquinha, bairro do centro de Salvador, próximo à Praça Castro Alves, muito conhecido pelo seu intenso comércio e antigo terminal viário.

Candomblé
A Barroquinha tem grande importância histórica e cultural para a cidade. O bairro foi um dos centros de resistência da cultura africana, no período da escravidão. Muitos negros ocupavam a localidade, na época, famosa por seu candomblé, até hoje pesquisado por antropólogos e historiadores. Lá foi erguido um dos primeiros terreiros da Bahia, o Axé Airá Intilê. No século XIX, uma iniciativa de reurbanização de Francisco Gonçalves Martins, o Visconde de São Lourenço, fez com que os negros fossem retirados do local e recomeçassem seus cultos em outros bairros da cidade. O candomblé da Barroquinha deu origem aos grandes terreiros de Salvador: Casa Branca do Engenho Velho, Gantois e Ilê Axé Opô Afonjá.

Comércio e cultura
A principal rua da Barroquinha é a José Joaquim Seabra, mais conhecida como JJ Seabra. Atualmente, o bairro é bem conhecido pela sua ladeira, por muitos chamada de rua do couro, que, com seu cheiro característico, há mais de 30 anos é ponto de venda de artefatos em couro: sandálias, bolsas, chapéus, cintos, celas, alpergatas, entre outros.

Há também o Espaço Cultural da Barroquinha, onde acontecem shows, apresentações teatrais, exposições e eventos. Abrigado nas instalações da antiga Igreja da Barroquinha, construída no século XVIII, o local foi reformado e reaberto este ano e tem uma proposta popular. A administração é feita pela Fundação Gregório de Matos e é também um Centro de Convergência da Cultura Negra na Cidade de Salvador. Devido à sua importância, a construção já foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) para que preserve a sua arquitetura original.

História da Igreja do Bonfim mistura fé e tradição

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Foto: Gabinete Português de Leitura Bahia

A lavagem, o hino, as fitinhas. Quando se fala na Igreja do Bonfim, a maioria dos baianos lembra automaticamente da lavagem das escadarias, do hino ao santo que dá nome ao templo e, principalmente, das fitinhas coloridas, portadoras de desejos e de promessas. O templo se localiza na Península Itapagipana e sua arquitetura neoclássica chama a atenção pela imponência. No alto da Sagrada Colina, suas duas torres se destacam e se tornam ponto de referência na paisagem.

Construída entre os anos de 1745 e 1772, a história da Igreja do Bonfim, se iniciou com o cumprimento de uma promessa. O templo foi erguido para abrigar a imagem de Nosso Senhor do Bonfim. O santo foi trazido a Salvador por ordem do capitão-de-mar-e-guerra da marinha portuguesa, Theodózio Rodrigues de Faria, que prometeu que se sobrevivesse a uma forte tempestade traria a imagem do santo do qual era devoto para o Brasil. A réplica do Senhor do Bonfim foi trazida da cidade de Setúbal em 18 de abril de 1745.

Sincretismo
Hoje a igreja é um dos templos católicos mais famosos de Salvador. Isso se deve em grande parte à lavagem do Bonfim, realizada sempre na segunda quinta-feira do mês de janeiro. A celebração é um dos grandes marcos do sincretismo religioso baiano, pois há a celebração da missa solene em homenagem ao santo e a lavagem das escadarias do templo com água de cheiro, feita pelas baianas. Enquanto para os católicos se pratica a devoção ao Nosso Senhor do Bonfim, para os adeptos do candomblé é dia de reverenciar o orixá Oxalá. A procissão sai da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia e vai até o Bonfim, percorrendo cerca de 8 km.

As fitinhas
Também é na igreja que são distribuídas as já conhecidas fitinhas do Senhor do Bonfim. Muitos acreditam que ao amarrá-las no braço faz-se um desejo que se realizará quando a fita se partir – mas só vale se ela romper sozinha. Tem de todas as cores e cada um escolhe a que mais lhe agrada. Muitas pessoas também amarram o artefato na grade da entrada da igreja para fazer pedidos ou agradecer alguma graça alcançada.

Mercado Modelo conta parte da história de Salvador

vereadsor paulo câmaraUm dos cartões postais mais visitados de Salvador, o Mercado Modelo integra, juntamente com o Elevador Lacerda e o Pelourinho, a tríade turística mais conhecida da cidade. Inaugurado em 1912, no local onde hoje está a escultura Fonte do Mercado, do artista plástico Mário Cravo Jr., ao sul da Praça Cairu, a concepção do mercado fez parte de um projeto de modernização do porto de Salvador. Inicialmente era um centro de abastecimento, comercializando gêneros alimentícios e sua arquitetura em formato triangular, considerada moderna para a época, não agradou grande parte da população.

Incêndios

Já em 1917, o mercado sofreu seu primeiro incêndio. No entanto, o segundo, ocorrido em 1922, foi o que de fato causou enormes prejuízos levando ao fechamento do local para recuperação. De acordo com relatos históricos, incêndios em mercados eram normais nesse período. A construção do estabelecimento proporcionou grande desenvolvimento comercial e o florescimento de uma cultura popular no seu entorno. A rampa do Mercado Modelo era conhecida por suas barracas, tabuleiros e suas festas e feiras populares.

Na década de 1950, o centro comercial atingiu o seu apogeu. Era palco de rodas de samba e capoeira, duelos de repentistas e de encontros de célebres artistas baianos, como Jorge Amado, Glauber Rocha, Vinícius de Moraes e Calasans Neto e de personalidades internacionais, como Jean-Paul Sartre, Simone de Beavouir e Pablo Neruda. No entanto, no ano de 1969, o prédio do mercado pegou fogo novamente.

Na reinauguração, em 1971, o mercado, que funcionou provisoriamente na localidade de “Água de Meninos”, mudou de lugar e passou a ocupar o prédio vizinho da Terceira Casa da Alfândega, onde se encontra até hoje. Foi nesse momento que deixou de ser eminentemente um centro de abastecimento para vender produtos típicos, joias e artesanato, desenvolvendo sua vocação turística atual.

Encantos de Itapuã

vereador paulo câmaraCom suas belezas naturais muito conhecidas pelas descrições encantadoras e idílicas feitas por admiradores famosos como Dorival Caymmi e Vinícius de Moraes, o bairro de Itapuã ainda hoje se destaca, em Salvador, pela sua paisagem – embora já bastante alterada pela urbanização – sua importância cultural e histórica. No período da colonização, nas terras onde hoje se localizam o bairro viviam índios da etnia tupi guarani e até o século XIX o local não sofreu maiores modificações.

De origem tupi, a palavra Itapuã significa pedra de ponta ou ponta de pedra. Ao contrário do que muitos pensam, o vocábulo não significa pedra que ronca. Acredita-se que essa troca de significados se deu pelo fato de a pedra que “ronca” ser uma das mais famosas da região devido à história fantástica que a envolve. Conta a lenda que quando as ondas da praia batiam em uma pedra que fica na rua K, perto do Farol, produziam um barulho assustador, parecido com um ronco, e que atemorizava os moradores, fazendo com que eles se escondessem em suas casas.

Distante
Ainda considerado um lugarejo distante de Salvador – ficava a 21 quilômetros do centro da cidade – na década de 50 Itapuã era uma aldeia de pescadores, grande parte deles descendentes de escravos. Já na década seguinte se tornou local de veraneio, justamente devido à sua localização afastada. Só nos anos 1970 virou um bairro, através da construção da pista que liga a orla de Salvador e outras intervenções urbanísticas.

Fim de semana
Apesar do intenso processo de modificação que vem sofrendo desde então, o bairro ainda conserva encantos. As praias são bem frequentadas, principalmente aos domingos. Também há as igrejas históricas e é uma ótima opção para quem gosta de comer um acarajé e jogar conversa fora no final de semana. Há ainda a Lagoa do Abaeté. Itapuã também tem a sua lavagem, que ocorre no início do ano antes do carnaval há mais de 100 anos. Durante a festa baianas lavam a entrada da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e fanfarras e mini blocos passam pelas ruas animando os moradores e os que vêm de fora acompanhar o festejo.

Pelourinho: memória de Salvador e do Brasil

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Reprodução/TripAdvisor

Sem dúvida alguma, se perguntarmos a turistas estrangeiros e brasileiros qual o local de Salvador que eles consideram símbolo da cidade – e até mesmo do estado da Bahia – muito provavelmente a maioria deles irá citar o Pelourinho. Com suas casas e sobrados coloridos, construídos em estilo colonial, essa parte do centro histórico de Salvador é mundialmente conhecida por carregar grande representatividade física e simbólica da história do município e, consequentemente, do Brasil.

Fundado por Tomé de Souza, quando chegou à Bahia no século XVI, inicialmente o Pelourinho foi escolhido como local para a construção da “cidade fortaleza” devido à sua localização geográfica que favorecia a defesa contra ataques que viessem pelo mar. À medida que o município foi sendo ocupado, principalmente a partir do século XVII, o local se tornou uma área elitizada, onde os grandes e poderosos proprietários rurais construíram casas e sobrados suntuosos para mostrar o seu poderio.

Atualmente convencionou-se chamar de Pelourinho a maior parte do Centro Histórico de Salvador, começando da Praça Municipal até o bairro de Santo Antônio Além do Carmo. No entanto, até a metade do século passado chamava-se assim apenas o largo do bairro, local onde os escravos eram castigados. Aliás, o nome Pelourinho designava o instrumento de tortura específico – um poste de madeira ou de pedra, com argolas de ferro, erguido em praça pública – onde os negros escravizados eram amarrados e chicoteados.

O bairro hoje tem uma função turística e de preservação da memória da história soteropolitana e brasileira. Abriga restaurantes de culinária baiana, igrejas e edifícios históricos e imponentes, como a Faculdade de Medicina e a Catedral da Sé. O Pelô, como chamam carinhosamente os baianos, também já se tornou um circuito de carnaval alternativo, indicado para quem não gosta do fervor e das multidões dos circuitos Dodô e Osmar, e também é onde acontece a festa de São João da cidade, uma opção para os que não viajam para o interior. Em 1985 a UNESCO tombou o bairro como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Subúrbio Ferroviário e sua vista deslumbrante

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Enseada do Cabrito Foto: Reprodução/ blog história de Salvador

Banhado pela Baía de Todos-os-Santos, o Subúrbio Ferroviário de Salvador é uma área que abriga muitas belezas naturais e possui grande valor histórico-cultural para a cidade. A área abrange 22 bairros, ligados pela linha do trem da extinta Viação Ferroviária Leste Brasileiro (Leste), inaugurada em 1860.

Antes da colonização, o local onde hoje se situa o Subúrbio Ferroviário era ocupado por indígenas. Ao iniciar o processo de tomada do território, os portugueses foram expulsando e dizimando os índios que ali viviam, construindo fazendas, engenhos e casas de veraneio. As vilas e lugarejos predominaram na área até a década de 1970, quando foi construída a Avenida Afrânio Peixoto, mais conhecida como Suburbana. A partir desse período, passou a predominar na área a ocupação informal pelas classes populares.

Apesar de não fazer parte do roteiro turístico tradicional, o Subúrbio Ferroviário merece ser visitado pelas suas belas praias, muitas desconhecidas pela população da própria cidade. Como exemplos, é possível citar a Enseada do Cabrito, Alvejado, Itacaranha, Escada, Praia Grande, Periperi, Tubarão, Base Naval e São Tomé de Paripe. Nesta última se localiza a praia de Inema, área da Marinha do Brasil, que desde o mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é usada para férias presidenciais.

Já a importância simbólica é dada pelas construções e locais históricos. Merecem destaque as igrejas de São Bartolomeu, São Thomé de Paripe e de Nossa Senhora de Escada, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Há também o parque São Bartolomeu, famoso pelas cachoeiras e pela área verde, que foi esconderijo de quilombos e palco de batalhas pela independência da Bahia. No século 17, o Subúrbio serviu como ponto de resistência às invasões holandesas e, em 1930, no bairro do Lobato, foi achado o primeiro poço de petróleo do Brasil.

O Subúrbio Ferroviário vai do bairro da Calçada, na parte baixa da cidade, até Paripe, passando por bairros como Boa Vista do Lobato, Mirantes de Periperi, Rio Sena, Plataforma, Bela Vista do Lobato, Alto do Cabrito, São João do Cabrito, Escada, Periperi, Itacaranha e Praia Grande. O local tem cerca de 600 mil habitantes e uma vista deslumbrante da cidade de Salvador.

Vista e pôr do sol são maiores atrativos da Ponta do Humaitá

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Foto: Reprodução/site O suburbano

Com um belíssimo pôr do sol e bastante visitado por turistas e casais de namorados, a Ponta do Humaitá se localiza na Península Itapagipana, na parte baixa da cidade de Salvador. Devido ao fato de a ponta da península ser uma área ruim para navegação, foi construído no local, no ano de 1935, um farol para sinalização e alerta aos navegantes. O Humaitá, como é mais conhecido, fica próximo ao forte Monte Serrat ou São Felipe, construído entre 1583 e 1742.

O maior atrativo do local é o mar que circunda toda a ponta. A maioria das pessoas que vai conhecer o Humaitá fica encantada com a vista da cidade e o pôr do sol da península. Por esse motivo, a balaustrada – estrutura que faz a contenção da água do mar – é conjugada com assento, ou seja, foi projetada para, além de impedir que a água invada o pátio, também sirva para as pessoas sentarem e aproveitarem mais ainda a paisagem.

A ponta ainda tem como atrativos a Igreja e o Mosteiro de Nossa Senhora do Monte Serrat, construídos no final do século XVI e as casas históricas que datam do século XVII, ainda com suas arquiteturas características preservadas. Em uma delas morou o padre Antônio Vieira. Outra atração é o Museu da Armaria, montado em 1933 no Forte Monte Serrat. No local, estão expostos armamentos civis e militares utilizados no passado.

Farol da Barra foi o primeiro de toda a América

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Foto: Jota Freitas

O Farol e Forte de Santo Antônio da Barra é um dos pontos turísticos e cartões postais mais conhecidos de Salvador. Construído em 1698, a edificação se localiza na ponta do Padrão (onde hoje se situa o largo do farol), no bairro da Barra, e teve como objetivo – mantido até os dias atuais – de orientar os navegantes. A estrutura carrega a marca histórica de ser o primeiro farol do continente americano.

Em 1501, os portugueses instalaram onde hoje está o farol da Barra o padrão de posse português, demarcando oficialmente o Brasil como colônia de Portugal. Com o objetivo de defender o território, o Forte de Santo Antônio da Barra foi construído em 1536 e bastante utilizado na defesa contra as invasões estrangeiras. No entanto, após o Galeão Santíssimo Sacramento ter afundado em um banco de areia, a edificação ganhou um farol, então movido a óleo de baleia.

Da sua primeira estrutura até os dias atuais, o farol passou por várias reformas e melhorias. Hoje o ponto turístico, que recebe inúmeros turistas anualmente, possui um largo de convivência onde a população passeia e muitos aproveitam para apreciar a vista deslumbrante da cidade durante o pôr do sol. No forte ainda se localiza o Museu Náutico da Bahia, que pode ser visitado de terça a domingo, das 08h30min às 19h. Os Ingressos custam R$ 10.

Prefeitura assina contrato para sistema de ônibus de Salvador

licitação sistema de ônibusNa quinta-feira (23), a Prefeitura Municipal assinou o contrato de concessão do sistema de ônibus de Salvador com os consórcios vencedores do processo licitatório. Venceram a concorrência três consórcios: Plataforma, Ótima e Salvador Norte. O primeiro engloba as empresas Axé, Boa Viagem, Joevanza e Praia Grande; o segundo, a Modelo, a São Cristóvão, a RD, Expresso Vitória, União, Vitral, Transol e Triunfo. Já o último, é a união da BTU, Rio Vermelho, Verdemar e ODM Transportes e Central. Juntas, as corporações pagaram R$ 36 milhões – dos 180 milhões totais –, verba que será investida na mobilidade urbana da capital baiana.

Já em janeiro de 2015, os consórcios devem começar a realizar as melhorias previstas no contrato. Até o primeiro mês do próximo ano, Salvador terá 630 novos ônibus e os que já estão circulando serão equipados com um sistema de monitoramento e acessibilidade para deficientes. Até o final do ano, totens com informações sobre os horários dos coletivos serão instalados em toda a cidade. As cores dos coletivos também mudarão. Ao invés de cada empresa ter uma padronização específica, os transportes terão suas cores determinadas de acordo com a área da cidade em que for circular.

Licitação
Licitação é o processo pelo qual empresas públicas realizam compras e contratam serviços de qualquer natureza. Esse processo está previsto na Constituição e visa garantir a transparência, a isonomia e a legitimidade no investimento do dinheiro público. Ao precisar contratar um serviço ou comprar produtos, as instituições públicas abrem o processo licitatório. As empresas que tiverem interesse em realizar a venda ou fornecer o serviço se candidatam e vence a proposta que alie menor custo à qualidade. A licitação tem sempre que ser pública, nunca pode ser secreta, e tem como objetivo evitar irregularidades no uso da verba pública.