Lei Maria da Penha completa 10 anos

Ontem (07), a Lei Maria da Penha completou 10 anos de existência. A data foi tema de matéria do Jornal A Tarde, que mostrou um novo perfil de denúncias feitas nessa primeira década da lei: mulheres de classe média alta que são independentes financeiramente dos ex-maridos ou companheiros.

Esta observação foi feita pela Titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Brotas, Heleneci Nascimento. “Antes, elas escondiam as agressões sofridas pelos companheiros durante anos, por medo de atitudes machistas da família. Hoje, muitas delas se sentem mais encorajadas para enfrentar a família e a sociedade, pois entendem a importância de obter o amparo legal para fugir da violência doméstica”, disse a delegada na matéria.

Segundo a Titular, neste ano, a unidade já recebeu 3.112 registros de violência doméstica, de agressão verbal a estupro, sendo que pelo menos 30% das queixas advém desse perfil de vítima.

Ao longo desses 10 anos, a lei trouxe conquistas, porém, o número de mulheres mortas em casos de violência doméstica registrados nas 15 Deams do estado cresceu 26,09% em comparação com o primeiro semestre deste ano e o mesmo período do ano passado. Aumentou de 23 para 29 casos. No Brasil, uma mulher é assassinada a cada 1 hora e meia, ocupando assim a 7ª posição no número de homicídios contra a mulher em todo o mundo.

Projetos
Para combater os altos índices de violência contra a mulher, o vereador Paulo Câmara criou projetos de indicação direcionado às autoridades competentes. Saiba quais são:

PI Nº 269/13 – Indica à Prefeitura de Salvador a criação de uma unidade para atendimento ao Dispositivo de Segurança Preventiva, mais conhecido como Botão Maria da Penha.

PI Nº 01/2014 – Indica ao Governo do Estado a implantação de uma unidade exclusiva de atendimento ao Botão Maria da Penha.

Aplicativo Botão Maria da Penha – Tecnologia aguarda implantação através de uma parceria com a desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Nágila Brito.

PI 98/2015 – Propõe tratamento psicológico para agressores em programas de reeducação.

PI 96 e 97/2015 – Indica a criação do Projeto Maria da Penha Vai às Escolas

Estatuto do Idoso completa dez anos

Estatuto do Idoso-Vereador Paulo Câmara
Foto: Flickr Creative Commons

Nesta terça-feira (1), é comemorado o Dia Internacional do Idoso. Primeiro de outubro também foi uma data importante para esta parcela da população: há dez anos era criado o Estatuto do Idoso. A normativa visa promover a “proteção integral” desta parte da população.

A Lei 10.471 foi sancionada em 1º de outubro de 2003 e deu origem ao Estatuto do Idoso. Foi a partir dele que ficaram garantidos alguns direitos importantes da terceira idade, como o direito a receber medicamentos de uso contínuo gratuitamente, o direito à meia entrada, a ter fila preferencial e lugar reservado em estacionamentos. São, no total, 118 artigos, visando assegurar direitos aos maiores de 60 anos.

Desafios
Apesar de todas estas garantias legais terem sido conquistadas, ainda há muitos desafios a cumprir. Representantes dos direitos dos idosos se queixam da falta de políticas públicas e a indicação de recursos financeiros que permitam o efetivo cumprimento do estatuto. O documento ganha cada vez mais importância na medida em que cresce cada vez mais o número de idosos no Brasil. Segundo o IBGE, em 2060 eles comporão mais de um quarto da população.

Contradições
A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Ana Amélia Camarano, aponta no artigo “Estatuto do Idoso: Avanços com contradições” o não cumprimento de algumas das regras. Um exemplo é aquela que determina que planos de saúde cobrem valores diferenciados para maiores de 60 anos. Numa pesquisa com quatro grandes seguradoras de saúde constatou-se que o aumento médio da mensalidade para aqueles que tem 59 anos é de 70%.

Outras cobranças são a estipulação de ajuda para que famílias e a sociedade possam cuidar do idoso e medidas que possam proporcionar uma morte em condições dignas. “As políticas para a população idosa devem promover a solidariedade entre gerações. Isto significa equilibrar as prioridades das ações para os idosos com a de outros grupos populacionais”, conclui.