Muito arrasta-pé no interior

O clima de São João tomou conta do interior do estado no mês de junho. Para celebrar essa tradicional festa do Nordeste, o deputado Paulo Câmara prestigiou os festejos na cidade de Presidente Tancredo Neves, ao lado do prefeito Toin do Bó. Lá, ele participou da festa em comemoração aos 30 anos do Forró da Liberina e do arrastão do Bloco Tô Nessa, que contou com a presença de mais de oito mil pessoas e já é considerada a maior da região do Baixo Sul.

Paulo Câmara também prestigiou o São João de Uibaí, juntamente com o prefeito Birinha, da primeira-dama Sandra, dos vereadores Marcão, Celeste, Dindo e Edson e demais amigos e secretários. Ano que vem tem mais. Anarriê!

Mas o que é o São João?

Festa_de_São_João!A tradicional festa de São João, muito comemorada no nordeste brasileiro, nem sempre foi do jeito que se conhece hoje. Originalmente, na Europa pré-cristã, o que se comemorava no mês de junho, quando ocorre solstício de verão no hemisfério norte, eram celebrações pagãs em agradecimento às boas colheitas. Com a disseminação do cristianismo através da expansão romana, a Igreja Católica transformou essas festividades em dias de santos. Dia 13 se festeja Santo Antônio, 24, São João e 29, São Pedro.

A festa de São João homenageia João Batista, primo de Jesus que tinha o costume de batizar as pessoas. Juntamente com os outros festejos juninos, foi trazida para o Brasil pelos portugueses e aqui foi adaptada à cultura local, perdendo o caráter mais religioso que tinha em Portugal. Apesar de se comemorar em todo o país, é no nordeste que o São João é mais forte e onde foram incorporados à comemoração a quadrilha – derivada de uma dança francesa, a quadrille – , o forró, as comidas típicas feitas de milho e o caráter teatral, cujo exemplo mais tradicional é o casamento na roça.

Atualmente, algumas cidades do nordeste comemoram os festejos juninos com um mês de festa. É o caso de Caruaru e Campina Grande. Na Bahia, há muitos municípios do interior que promovem famosos forrós privados ou abertos ao público nas praças da cidade. Na maioria, se apresentam bandas de diversos estilos musicais, até mesmo axé.  Em celebrações mais tradicionais, ainda são feitas brincadeiras como pau-de-cebo, cabra-cega, quebra-pote e correio elegante. Há também o costume de soltar fogos e acender fogueiras. No entanto, apesar das modificações sofridas ao longo do tempo, o São João ainda é uma festa autenticamente brasileira e bastante representativa do povo nordestino.

Viva São João

Comidas típicasO Nordeste está em festa. Forró, comidas típicas e as frondosas fogueiras iluminam, sobretudo, as cidades do interior, momento em que os nordestinos reforçam a sua fé em São Antônio, São João e São Pedro.

Segundo a história do catolicismo, Maria e Isabel, primas e grávidas ao mesmo tempo, combinaram que a primeira a ter o bebê avisaria a outra acendendo uma fogueira que pudesse ser avistada, à distância, no deserto da Judéia, onde viviam. Santa Isabel foi a primeira a acender o fogo, quando nasceu João.

Rica em versões para o surgimento das festividades, além da relação com o mês de junho e com São João – sendo que as festas já foram chamadas de “joninas” –, o termo “junino” estaria associado à festa pagã que comemorava a chegada do solstício de Verão no Hemisfério Norte. Transportada para o Hemisfério Sul, a data foi associada ao solstício de Inverno. Neste período era comum que as populações do campo parassem por alguns dias as suas atividades a fim de comemorar a proximidade das colheitas. Para afastar os ‘demônios’ da esterilidade e da estiagem, eles faziam sacrifícios acendendo fogueiras.

O que sabemos é que hoje, aqui no Nordeste, não há festa junina sem homenagens a Santo Antônio, São João e São Pedro, o que significa que as cidades se organizam para um mês inteiro vivendo as delícias que essa tradição proporciona.

Influências europeias despertaram a paixão pelas quadrilhas. Originalmente, era uma dança típica portuguesa cujos passos se assemelham às nossas coloridas e animadas quadrilha juninas.

As comidas típicas em sua maioria são preparadas à base de milho, por conta do período de colheita deste grão: assado, cozido, em forma de pamonhas, cural, mingau, canjica, cuscuz e bolos. Também se incorporaram ao cardápio o amendoim, e para beber o quentão e os licores.

Outra tradição do período são as simpatias e promessas, que vão desde o pedido para arrumar um marido; os pedidos por boas colheitas no campo e mais dinheiro no bolso. Se as simpatias não funcionarem, você pode também rezar a oração de São João Batista:

“São João Batista, voz que clama no deserto, ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas, para que eu me torne digno do perdão Daquele que Vós anunciastes. São João, pregador da penitência, rogai por nós. São João, precursor do Messias, rogai por nós. São João, alegria do povo, rogai por nós. Amém”.

Foto de Capa: Abertura do São João 2011 no Pelourinho, Mateus Pereira/Secom