Correio – A Câmara na história de Salvador

Vereador Paulo Câmara parabeniza Salvador pelos seus 454 anos
Em artigo, Paulo Câmara diz que história da Câmara se confunde com a história  da cidade – 28.03.2013

A Câmara na história de Salvador

Paulo Câmara fala sobre a história da Câmara Municipal de Salvador, no aniversário da cidade
A Câmara foi construída em um ponto estratégico da cidade

Ao parabenizar Salvador e sua população pelos 464 anos, cabe ressaltar que a história da cidade e a da Câmara Municipal caminham lado a lado. Thomé de Souza, primeiro administrador da capital da Bahia, ao fundar Salvador, em 1549, inaugura também a Câmara Municipal, que na ocasião concentrava as sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. E, assim, a Casa tornou-se uma das mais importantes câmaras do Império Colonial Português nas Américas. Esses são os primórdios da história da primeira Câmara Municipal de uma capital brasileira.

Localizada na Cidade Alta, tinha posicionamento estratégico, visando proteger o Império Português do ataque de invasores. Vale recordar que o perigo era sempre iminente. Em 1624, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais conquistou a então capital do Brasil, que foi reconquistada em 1625 por uma força luso-espanhola, com 52 navios e 12 mil homens. Não se tratava apenas da retomada de um porto importante para a economia do Império. A reconquista demarcava um momento em que as forças católicas retomavam terreno perdido aos protestantes nos primeiros tempos da Guerra dos Trinta Anos. Esse conflito foi travado em um momento no qual vários países da Europa estavam empenhados em ampliar seus impérios.

A tela Reconquista da Bahia, no Museu da Câmara, retrata esse momento épico (autor: Juan Bautista Maino, 1634). Em 1660, a Câmara passa a abrigar exclusivamente o Poder Legislativo. No século XX, o centro dos debates e votações na Casa foi denominado Plenário Cosme de Farias. Rábula baiano, Cosme de Farias recebeu da Guarda Nacional a patente de major, em 1915. Lutou incansavelmente pela erradicação do analfabetismo e pela defesa dos pobres, é o fundador da Liga Baiana Contra o Analfabetismo.

Assim é a rica história contida no Memorial e Museu da Câmara Municipal, abertos à visitação pública, de segunda a sexta-feira, entre 9h e 18h. Em seu acervo encontram-se telas de pintores como Presciliano Silva, Carlos Bastos, Victor Meireles, Floriano Teixeira e Henrique Passos, e retratos de figuras ilustres da nossa história, como Dom Pedro I, Dom Pedro II e Ana Nery, além de datas emblemáticas, como o Dois de Julho. Existem ainda moedas de séculos passados, ossos, fragmentos cerâmicos e outros achados arqueológicos. O Memorial da Câmara ganhou recursos multimídia e foi modernizado, sem perder sua aura histórica.

A Câmara passou por outros processos recentes de transformação. Em 2001, foi aberto ao público o Centro de Cultura, que abriga exposições, recepções, sessões especiais e audiências públicas. Um local efervescente, onde são debatidos temas importantes, e que conta também com uma biblioteca e um Centro Digital de Cidadania.

As portas da instituição, por onde ‘respira e pulsa’ a história do outrora maior porto das Américas (século XVI), estão sempre abertas à população e aos turistas. Segunda-feira é dia de tribuna popular e o cidadão pode, inclusive, apresentar projetos. O cotidiano da Câmara pode ser acompanhado através do site www.cms.ba.gov.br, que tem em uma de suas seções o Portal da Transparência.

E, dentro em breve, a TV Câmara (SIM TV, Canal 10) será retransmitida pela TV Aberta, através de um convênio assinado com a Câmara dos Deputados. As galerias desta Casa já têm uma tradição de ser um espaço democrático, de reivindicações de diversos setores da sociedade civil.

Afinal, a Câmara Municipal de Salvador é um belo exemplo da construção do estado republicano no Brasil e do processo que leva à consolidação da democracia neste nosso país-continente.

*Artigo publicado no jornal Correio* de 28/03/2013

Aniversário de Salvador: Câmara de portas abertas para a comunidade

Paulo Câmara, presidente da Câmara Municipal de Salvador, recebe estudantes
Estudantes da Escola Municipal Vivaldo da Costa Lima

Salvador completa 464 anos em 29 de março. Para celebrar esta data, nada melhor do que contar um pouco de sua história para quem está em processo de formação educacional. Por isso, a Câmara, que nasceu no mesmo ano da cidade, abriu suas portas para receber a visita de estudantes do Ensino Fundamental, na última quarta-feira (27).

A excursão começou às 9h, quando os estudantes visitaram o Salão Nobre e o Plenário Cosme de Farias. Estes espaços abrigam arquitetura, móveis e objetos seculares, fundamentais para ajudar a compreender nosso passado.

Os meninos também tiveram  a oportunidade de conhecer o Memorial e o Centro de Cultura da Câmara. Após uma pausa para o lanche, eles assistiram palestra do professor de História Eduardo Massa.

Já no dia 1º, o Centro de Cultura da Câmara abre a exposição fotográfica “Salvador Antes e Depois”. Na oportunidade, também haverá a exibição do vídeo “Salvador em Película”.

Para quem gosta de fotografia, a Prefeitura promove o concurso cultural “Como Eu Vejo Salvador”. A iniciativa é destinada a fotógrafos amadores e tem como intuito homenagear a cidade. A inscrição é gratuita. Confira o regulamento completo no site www.comunicacao.salvador.ba.gov.br.

 

Salvador 464 anos: o resgate da grandeza desta cidade

Centro-histórico-de-Salvador
Centro-histórico-de-Salvador

Há exatos 464 anos, Salvador começava a ser erguida. Com o esforço de Thomé de Souza e aproximadamente trezentos homens, a primeira capital do Brasil se materializava em meio à Bahia de Todos-os-Santos de maneira pensada e estratégica.

Desafio urbanístico, Salvador foi desenhada e construída, concebida como uma cidade medieval europeia, como uma fortaleza lusitana que aceitava e incorporava o relevo, e nele se estendia sinuosamente em direção ao oceano.

Cidade sincrética, lugar voltado para o mar, desde o início revelou-se encantadora, por suas belezas naturais, como abrigo seguro, no aconchego das suas águas tranquilas. E assim foi-se amoldando às nuances de cada tempo.

Homens escravizados, vindos do continente africano, índios tupinambás, navegadores portugueses, flamengos e florentinos, gente de todo lugar, chegando de todo o mundo. Tudo isso faz parte importante da história, da nossa mestiçagem singular e exemplar.

Salvador também foi palco de vigorosas manifestações sociais, acontecimentos históricos fundamentais para o Brasil. A expulsão dos holandeses, a revolta dos malês e dos alfaiates, a independência, se confundem com a própria identidade cultural do país. Mas parabenizar Salvador deve ir além de lembrar antigos acontecimentos.

Comemorar o aniversário de Salvador é saber que temos uma história que exige e merece ser respeitada, pela importância da nossa cidade para toda a civilização brasileira e ocidental. Precisamos enxergar a real dimensão desse lugar e sua grandiosidade, sem nos pequenar.

Muita coisa se perdeu ao longo dos anos, algumas por descaso do poder público, outras pela falta de cuidado com a cidade. Se de um lado há pessoas que estacionam nas calçadas e jogam lixo no chão, por pura falta de educação, do outro, a ausência de investimentos estruturantes travou a cidade nos últimos anos, reflexo de práticas políticas e administrativas populistas, voltadas para interesses de grupos econômicos, sindicais ou partidários. E isso precisa mudar urgentemente.

Salvador se modelou ao longo dos anos e hoje anseia por um realinhamento. Sonha em sair da sombra para a luz do sol, e voltar a ser como foi concebida: uma cidade projetada para o futuro. Precisamos de uma cidade que proteja seus filhos e cuide melhor de sua gente.

A cidade da Bahia tem uma densidade de acontecimentos e conhecimentos que naturalmente a projeta para ser mais globalizada, mais metrópole. O grande desafio agora é o de modernizar Salvador, transformá-la em uma cidade com serviços de padrão mundial, sustentável, integrada ao meio ambiente, mais justa para sua gente.

O que se quer é dar vida nova, trazer o sonho para o presente, e fazer com que a metrópole do atlântico sul venha da imaginação para a realidade. Uma cidade que resgate sua grandeza, inserida no mundo, pronta para os desafios do futuro. Isso é melhor para o nosso povo. Esse é o presente que mais quero para Salvador. E é meu objetivo como presidente da Câmara Municipal.