Bahia Notícias – Entrevista

Segunda, 24 de Outubro de 2016 – 11:00

Paulo Câmara

por Luana Ribeiro / Rebeca Menezes | Fotos: Cláudia Cardozo / Bahia Notícias

Paulo Câmara

Fotos: Cláudia Cardozo/ Bahia Notícias
O presidente da Câmara Municipal de Salvador, Paulo Câmara, negou que tenha recebido reclamações sobre ter “monopolizado” o tempo de TV destinado ao PSDB nas eleições deste ano. Segundo o vereador reeleito, o seu tempo foi o mesmo que teve em 2012. “Se alguém se sentiu preterido, primeiro tem que procurar o presidente do partido. Eu não escuto através de telefone sem fio, de recadinho. Eu sou pessoa que olha no olho. Se alguém se sentiu incomodado devia ter me procurado. Até então todo mundo foi contemplado, todo mundo saiu muito bem na TV e não tem do que reclamar”, disse o presidente municipal da legenda. Em entrevista ao Bahia Notícias, Câmara fala ainda sobre a legislatura, faz um balanço de seu mandato à frente da presidência da Casa e cita quais serão os desafios para quem assumir o cargo em 2017 – tergiversando, novamente, sobre uma possível tentativa de se reeleger para a vaga. A entrevista traz ainda uma avaliação do tucano sobre as votações sobre IPTU [Imposto sobre a Propriedade Predial Urbana], PDDU [Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano] e a Louos [Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo] e afirma quais serão os impactos da uma bancada de governo ainda maior para os próximos quatro anos.
Qual é sua avaliação do seu último mandato como presidente da Câmara de Salvador e como vereador?
Como presidente, a gente procurou sempre trazer para cá a transparência da Casa, resgatar a imagem da Casa. Eu participei da legislatura passada, em que quase 84% da população não reconhecia a legitimidade da Câmara Municipal de Salvador. E eu tenho orgulho de participar dessa legislatura, que é diferenciada, em que eu tive a oportunidade de conviver com dois ícones da política: o ex-governador Waldir Pires e o ex-prefeito Edivaldo Brito, que tiveram um gesto de desprendimento com a nossa cidade e voltaram para o primeiro cargo da vida pública. Então esse é o reconhecimento. A gente tem que aproveitar esse momento que a cidade vive. Salvador passava por um momento muito difícil. Então a Câmara Municipal buscou compreender esse momento e foi isso que aconteceu. Os 43 vereadores estavam imbuídos neste processo, neste mesmo sentimento de que tinha que dar um basta. Não dava mais para a Câmara ficar omissa, para não participar, para não opinar nos assuntos importantes da cidade. Então houve participação, debate, Câmara aberta, todos os projetos do Executivo receberam emendas do Legislativo, principalmente por parte da oposição. Houve também projetos de mobilização dos vereadores, que muitos criticavam que só votava projetos do Executivo. Nós quebramos todos os recordes nesse sentido. E na parte administrativa, ter transparência para que as pessoas pudessem acompanhar de perto o serviço administrativo da Casa. Implementamos aplicativos para smartphones; a maior devolução de recursos da história, quase R$ 16 milhões, provando que dá pra fazer tudo bem feito e ainda sobrar dinheiro; cortamos 129 cargos comissionados dos gabinetes de vereadores; reduzimos terceirizados; as contas foram aprovadas por unanimidade no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), depois de muito tempo… Além disso, fizemos o auxílio saúde, que era uma reivindicação antiga do servidor público, concedemos os maiores aumentos para servidores entre as câmaras legislativas, sem esquecer o auxílio educação, hoje uma bolsa de quase R$ 600. Como vereador, a minha marca enquanto homem público foi a implementação do voto aberto, projeto que eu criei e implementei. Aquilo me constrangia: fazer uma votação e me esconder atrás da urna. Isso não é digno e a população quer cada vez mais cobrança e transparência. Não adianta estar o site cobrindo, a TV cobrindo, se estamos nos escondendo atrás da urna. Eu acho que esse projeto me lançou em questão de visibilidade para a população. Esse pensamento moderno, que as pessoas esperam do homem público, cada vez mais próximo, transparente, dando sempre satisfação efetivamente ao seu eleitor, aqueles que te colocaram efetivamente no cargo.
Você acha que o PDDU e a Louos foram os debates mais importantes dessa última legislatura?
Nós tivemos três projetos importantes. Primeiro foi a reforma tributária, com aquele aumento do IPTU [Imposto sobre a Propriedade Predial Urbana], que foi uma polêmica logo no primeiro ano do mandato, mas que se fazia necessário. Graças à aprovação da Câmara, a prefeitura pode reequilibrar o seu caixa e o seu orçamento. Acho que o prefeito foi muito feliz neste momento em que trouxe para si a responsabilidade e decidiu que a prefeitura andaria com as próprias pernas, e foi o que fez. Esse foi o primeiro projeto polêmico e importante para a cidade. Os outros dois projetos mais importantes foram o que eu diria que é a marca dos problemas legislativos, de problemas judiciais, que foram o PDDU [Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano] e a Louos [Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo]. Eu acho que nunca houve um PDDU tão democrático na história da Câmara, eu pelo menos desconheço. E eu acompanho entre o Executivo e o Legislativo desde 1998. O PDDU foi altamente participativo, debateu 170 proposições de emendas de participação popular e de vereador. O projeto que foi aprovado foi o mesmo que foi discutido. Eu acho que o grande avanço da Casa foi a não aceitação de emendas no último momento, mesmo sendo legítimas do vereador, justamente para dar credibilidade. Ganhar ou perder faz parte da democracia. Dizer que não houve participação, que não houve emenda, que não houve transparência? Todo mundo tinha consciência do que estava acontecendo. Foi um processo legítimo e vitorioso, tanto que não teve nenhum problema de insegurança jurídica como aconteceu no passado. Foi uma vitória da Casa e da democracia.
Você elencou várias medidas ao longo do seu mandato como presidente da Casa. Apesar de tantos feitos, quais são os principais desafios para o próximo presidente?
Eu acho que desafio da presidência é você ter uma estrutura física bastante limitada, tanto para os vereadores quanto para aqueles que visitam. Quem vai lá tem um desconforto tremendo. Você não tem uma sala, a estrutura da Casa é antiga. E por ser tombada, você não pode fazer nenhum tipo de reforma que vise desconfigurar aquele contexto histórico local. A gente tinha o desejo de ir ali para o Cine Excelsior, em um primeiro momento, mas não vingou. Então o principal problema é a estrutura física: você atender aos vereadores, a galeria, a imprensa, os convidados. Com relação à parte administrativa, acredito que seja cada vez mais aprimorar no quesito transparência. Nós implantamos o pregão eletrônico pela primeira vez na história da Câmara. Toda licitação que há o Brasil todo pode participar. Tem que cada vez mais aperfeiçoar, atendendo as recomendações do TCM e do TCU [Tribunal de Contas da União]. Fazer uma gestão por meritocracia. Efetivamente, os cargos devem ser ocupados por aqueles funcionários públicos que tenham mérito. O desafio é você verificar na Casa o que se pode propor para que o cidadão possa participar. Acho que isso é um grande desafio para qualquer gestor. Na Casa legislativa, assim como qualquer casa política, sempre dá aquele sentimento de não querer participar por parte da população. Isso é da cultura do cidadão. Então a gente tem que aproximar, porque ali passa o destino da nossa cidade. Por ali passam leis que impactam diretamente na vida do cidadão. Então quanto mais a Casa estiver próxima da população, que possa compreender e interpretar o sentimento do povo, passa a ser uma Casa mais democrática, aberta e ideal para a população. Nós somos um extrato da população. Lá existem seguimentos religiosos, seguimentos empresariais, de lideranças comunitárias, sindicais… Quanto mais estivermos traduzindo o sentimento destas pessoas, mais vamos nos aproximar da nossa finalidade.
Um grupo de vereadores já se manifestou contrário a uma reeleição sua à presidência. Como você vê essa declaração?
É democrático, respeitoso, salutar para a democracia. Eu respeito a opinião de todos e acho que isso é importante para a democracia.
Como você avalia essa questão de alternância no poder da Casa?
Você vai me perguntar sobre isso no final de novembro, início de dezembro. A gente vai tratar só de presidência. Eu acho que essa discussão é importante, tem que haver essa discussão, mas a gente tem uma pauta na Câmara Municipal. A presidência não pode ser maior do que a pauta da Casa. Nós temos projetos do Executivos importantes para serem votados que se esgotam no dia 15 de novembro. Depois que a gente cumprir a nossa obrigação, que é trabalhar e votar esses projetos ou rejeitá-los, aí sim. Eu antecipar esse assunto seria até irresponsável da minha parte. Eu estou olhando o meu lado só? E a cidade?
Houve recentemente dois pedidos de resposta em que você se manifestou. Você acha que isso, de alguma forma, tem relação com esse processo de disputa na Câmara?
Aquilo foi uma coisa pontual em que uma emissora específica veio atingir a minha honra. E eu não permito isso a ninguém. Eu sou um pai de família, meu filho é meu espelho e eu sou espelho de meu pai. Eu me respeito. Não permito a ninguém, qualquer pessoa que seja, a me atacar e atingir a minha honra. Quando uma emissora faz um papel daquele, vergonhoso, irresponsável, com uma atitude de me caluniar, mostrei a eles que a ditadura não existe mais. Fui em um programa ao vivo e desmoralizei todos eles. Provei que eles estavam mentindo de maneira irresponsável. O intuito não me diz respeito. Mas está provado e eles estão desmoralizados. E a imprensa que não trabalha com a verdade é uma imprensa que não se respeita e não merece credibilidade.
Uma outra discussão foi em relação ao tempo de televisão na eleição. Foi debatido que estava muito centrado em você. Essa discussão avançou internamente no partido?
Primeiro eu quero aqui fazer o registro do respeito que o prefeito ACM Neto (DEM) teve com todos os partidos, por entender que o tempo pertence à legenda. Na maioria das campanhas eleitorais, quando você faz uma coligação, o tempo é administrado pelo candidato da majoritária. No caso do prefeito ACM Neto, o tempo foi administrado pelos presidentes dos partidos. Primeiro que eu sou vereador do PSDB há muito tempo, sou presidente municipal da legenda e presidente da Câmara Municipal de Salvador. O mesmo tempo que eu tive foi o da eleição passada. Nós tínhamos um bloco de candidatos a vereadores em que eu falava 45 segundos. O tempo de fechamento de programa dava em torno de 55 segundos. Ao invés de fazer dessa maneira, eu fiz dois programas de 30 segundos. Então o mesmo tempo que eu tive em 2012, eu tive em 2016. Não fiz nada a mais ou a menos. Se alguém se sentiu preterido, primeiro tem que procurar o presidente do partido. Eu não escuto através de telefone sem fio, de recadinho. Eu sou pessoa que olha no olho. Se alguém se sentiu incomodado devia ter me procurado. Até então todo mundo foi contemplado, todo mundo saiu muito bem na TV e não tem do que reclamar.
Você acha que esse tempo de TV foi preponderante para a sua reeleição com a expressividade que teve?
Esse movimento que aconteceu no país despertou de ambos os lados o sentimento de fiscalizar cada vez mais os políticos. Isso é muito importante. É inadmissível você chegar na semana da eleição e 70% da população não saber em quem vai votar. Isso não pode acontecer em uma democracia. O poder Legislativo é tão importante quanto o Executivo. Então todo mundo sabe quem é Neto, quem é Alice [Portugal, do PCdoB], quem é Cláudio [Silva, do PP], mas vereador não sabe. Às vezes sabe até o nome, mas não sabe o número. Então quando teve esse problema, com o impeachment, houve um despertar da população, que passou a olhar e a checar quem é o vereador que trabalha, que faz. E graças a Deus eu trabalhei para fazer projetos não quantitativos, mas qualitativos. E quando você propõe, quando você debate e se expõe, você é reconhecido. E eu sempre tive minhas convicções muito pautadas, mas sempre soube ouvir e fazer o ponto de equilíbrio. Então acho que foi um reconhecimento do meu trabalho e estar ao lado de uma gestão exitosa. Se você olhar, todos os vereadores que estavam ao lado do prefeito ACM Neto tiveram votações muito exitosas e até dobraram o número. Isso é da eleição. Você estar em uma chapa majoritária vitoriosa, ao lado de alguém que tem uma popularidade incrível. Então isso foi um facilitador enorme na campanha.
Neste ano, a maioria do prefeito ACM Neto está ainda mais consolidada. Você acha que isso vai ser um desafio para a Casa, no sentido de manter uma independência ao longo da legislatura?
Eu respeito o tratamento do prefeito ACM Neto com a Câmara, até pela função de legislador que ele ocupou por dez anos e por compreender a importância dos dois poderes. Não houve um projeto do Executivo que não tenha recebido emendas dos vereadores do governo e da oposição. Apesar do prefeito ter sempre maioria para votar, ele sempre respeitou e dialogou com a Câmara, para aperfeiçoar o projeto. É um desafio sim, mas a gente não pode perder a democracia e a oposição tem que ter vez e voz. Um sistema democrático só é respeitado quando a minoria tem vez e voz ao contraditório. Eu acho que o prefeito tem habilidade suficiente, sabe conduzir o Executivo, e tenho certeza de que ele não fará uma ingerência, o chamado “rolo compressor”, e não vai atropelar a oposição pelo fato de ter maioria. Pelo contrário.
Você acha que a questão da maioria causou as discussões mais acaloradas na última legislatura, como no Plano de Educação ou no PDDU?
Não, porque até então você não tinha eleição. Em todo projeto, você tem reflexos que impactam em um seguimento, em uma instituição, e ali é um termômetro, um momento em que você vai averiguar. O que eu sempre converso é que o governo e a oposição devem ter um equilíbrio no tratamento. Tanto que teve votação que eu suspendi após pedido da vereadora Vânia Galvão (PT), porque reconheci que ela estava falando a verdade dos fatos, com conhecimento de causa, e não poderia acontecer. E eu tomei a decisão de que era preciso, de que era correto, mesmo sendo da oposição. Mesmo sendo da base do governo, eu sou o presidente. Eu tenho que saber ouvir as pessoas e saber o que elas pensam. Tanto que a gente tirou aquele projeto e eu fiz ver ao Executivo que estava errado e foi consertado. Ser presidente é você saber ouvir e tirar de proveito que tem de melhor em cada bancada.
Link da entrevista: http://www.bahianoticias.com.br/entrevista/488-paulo-camara.html

Bahia Notícias – Entrevista com Fernando Duarte e Luiz Fernando Teixeira

Paulo Câmara

por Fernando Duarte/ Luiz Fernando Teixeira/ Estela Marques | Fotos: Jamile Amine

Paulo Câmara
Na última semana, a Câmara Municipal de Salvador (CMS) aprovou os últimos títulos do novo regimento interno, 24 anos após a última reforma. O presidente da Casa, vereador Paulo Câmara (PSDB) detalha em entrevista ao Bahia Notícias os pormenores do documento, o que muda e quais os reflexos da atualização na rotina da CMS. Câmara aproveitou a entrevista para comentar outro assunto em voga na Casa, a “dança das cadeiras” partidárias, e optou pelo silêncio quando questionado sobre seus planos para 2016. “Enquanto não acabar essa confusão nacional, por princípio meu, procuro tentar resolver o problema diário e pensar no futuro no momento certo, se vier a acontecer”, desconversou. 

Presidente, na última semana a Câmara Municipal de Salvador encerrou a votação do regimento interno. Quais são as principais mudanças e quais os impactos no dia a dia da Casa e que têm reflexo na relação com a população?

Primeiro, dizer da nossa satisfação, enquanto presidente, do quanto essa nova legislatura se dedicou. Esse era um tema que era muito debatido por toda legislatura, principalmente por parte da oposição, que era um regimento atrasado, um regimento que não atendia às expectativas e que sempre gerou muita dúvida. Então era um compromisso meu enquanto presidente daquela Casa, pedi ao professor Edvaldo Brito [vereador pelo PTB] que coordenasse os trabalhos. Foram dois anos de trabalho discutindo em sessões especiais com os vereadores, com os servidores da Casa  para que a gente tivesse, à luz da legalidade e da atualidade, o melhor regimento possível para a nossa Casa. E também no processo de votação, nós fizemos processo fatiado, título por título, para que ainda se tivesse alguma dúvida na hora que ele fosse ao plenário, nós pudéssemos ainda naquele momento poder fazer alguma alteração – o que foi feito. A última reforma do regimento foi em 1991, atendia às expectativas do passado, mas quando traz à nossa atualidade, ele estava completamente defasado. Acrescentou coisas simples: o pinga fogo, a tribuna popular, a questão de ordem, pela ordem, que não existia no nosso regimento. Era uma coisa que culturalmente se via implementando, mas que não estava. Para o funcionamento da Casa, era um acordo de cavalheiros que sempre era questionado. Desde simples normas para o funcionamento da Casa, mas acima de tudo traz a transparência e a legalidade para as normas de procedimento da nossa Casa. Então, era um regime totalmente presidencialista e hoje você amplia o debate; o colegiado de líderes tem uma força muito maior para a formação da ordem do dia, para discussão de problemas; acabou com a reeleição para o mesmo mandato, que também era uma coisa que se discutia; dá mais transparência aos atos do Legislativo na condução dos trabalhos; diminui a força do presidente a partir do momento que traz as diversas correntes partidárias para a formação dos debates internos da Casa; coloca o voto aberto. Foi uma vitória da nossa Casa dar novas normas, disciplina, e, acima de tudo, coloca correlacionado com a nossa Constituição Federal, que era muito desatualizada.
A população vai sentir diferença em quais pontos?
Principalmente na condução. No regimento passado tinha diversos artigos que diziam “A camisa é azul”, azul clara ou azul escura, era a interpretação do presidente. Hoje não. A camisa é azul, ponto. Dois terços da Casa agora são 29, a maioria era 18 vereadores, agora é 22. Começa a estabelecer pontos específicos e muito claros. Não existe mais dúvidas com relação a coeficiente, a normas, a tempos partidários. Muda a forma agora na condução de trabalhos e votação de projetos. Hoje qualquer projeto que tiver menos de dez títulos terá dez minutos específicos. Acima de dez títulos, você discute ele como um todo. Antes se dizia “É tempo de partido”, “É líder”, “Líder da oposição pode declarar voto”, então toda essa discussão em torno de projetos polêmicos acaba. A questão de ordem agora só existe se você falar especificamente do regimento interno. Acabou aquela conversa de questão de ordem pra falar que chegou frota. Não pode mais, porque antes não existia e você não podia cobrar do vereador se não existia norma específica.
Quando o senhor coloca em vigor?
Os 11 títulos já foram votados, na próxima semana a gente espera o interstício, você vota já e vai pra redação final. Espero no início de outubro estar com ele consolidado, já praticando na nossa Casa.
Apesar da defasagem, houve algum ponto que enfrentou resistência?
Sim. Como eu pude conduzir esse trabalho, acho que eu sempre busquei o equilíbrio. A oposição queria um regimento da oposição; o governo queria um regimento mais governo. Acho que a gente tem que buscar um regimento da Casa. Nós somos ali passageiros.  O presidente vai passar, a oposição vai passar e virar governo, o governo vai passar e virar oposição. Acima de tudo manter um regimento que mantenha independência da Casa, com equilíbrio e harmonia, pra que a gente possa, acima de tudo, conduzir nossos trabalhos sem interferência de bancadas internas que sejam maiores, nem querendo-se diminuir a oposição, que às vezes está mais fragilizada em qualquer processo. Procurei manter o equilíbrio, manter as normas práticas como são hoje. A gente procurou ter como norte a Constituição Federal, tirando de lado forças partidárias, governo e oposição, tanto que foi aprovado com unanimidade, por todas as bancadas. É do jogo político, mas o bom senso prevaleceu e a Casa saiu ganhando.
A Câmara passa por um processo de transformação de bancadas, já que vai abrir uma janela partidária e muitos vereadores vão migrar. Uma das discussões é a possível migração de Tiago Correia para o PSDB, partido que hoje tem um representante na Casa, que é o presidente. Há alguma resistência do PSDB em Salvador em receber Tiago Correia?
Não existe resistência a nenhum colega meu, a nenhum vereador. O PSDB é um partido amplo, um partido nacional. O que nos estamos discutindo são possibilidades. Não existe nada de concreto, nenhum tipo de problema quando tentaram ventilar. É uma pessoa que eu gosto muito, um jovem de valor que deixou sua vida privada para ingressar na vida pública, vem fazendo um bom trabalho na Limpurb, mas não há nada de concreto em relação a isso. Existem especulações, como nós estamos vendo aí, parte da ciranda da política. De concreto tivemos a
filiação do PV e vamos ter dia 29 do vereador J. Carlos no Solidariedade. O que resta é especulação e conversa.
Vai mudar alguma coisa na configuração da Câmara essa ciranda?
Muda. Muda tempo partidário, tem o ingresso de Duda Sanches no Democrata, que passa a ter mais força e tempo partidário; ventila-se que Kiki Bispo e Leandro Guerrilha devem ir para o PDT, que sai de um para três vereadores e isso interfere em tempo partidário e em posições em comissões. Deixa concretizar.
As eleições de 2016 estão batendo na porta e volta e meia Paulo Câmara é apontado como um possível nome para disputar a vice-prefeitura de ACM Neto (DEM) caso o prefeito tente a reeleição. Existe essa possibilidade ou Paulo Câmara descarta e vai tentar a reeleição ao Legislativo?
Acho que o país num momento tão ruim, o sentimento hoje é de aversão à política e a político, quem falar em eleição ou reeleição agora está fadado ao insucesso. As pessoas querem resolver seu problema. A crise econômica, a crise política, a crise institucional, a crise moral. O pior da crise é o desemprego. Tenho estado na Casa diariamente e nunca tive um volume enorme de pedidos de audiência com relação ao desemprego. Isso constrange o ser humano. O chefe de família que às vezes estava aqui, exemplo, no Bahia Notícias há doze anos, tem um corte de jornalistas e ele fica sem perspectiva de futuro. Essa pessoa não quer ouvir se eu vou ser reeleito, se eu vou ser vereador, vice-prefeito. Ela quer que eu resolva o problema dela de imediato. Acho que enquanto não acabar essa confusão nacional, por princípio meu, procuro tentar resolver o problema diário e pensar no futuro no momento certo, se vier a acontecer.
As relações entre Câmara e Palácio Thomé de Souza foram tranquilas nesses dois mandatos do senhor à frente da presidência?
Sempre foram muito tranquilas, de muito diálogo. O prefeito é uma pessoa que eu prezo, que eu tenho uma amizade pessoal, mas sobretudo respeitosa, independente. Quando assumi a presidência, estive com o prefeito dizendo que nós precisávamos mudar as práticas e as relações entre Legislativo e Executivo. E isso tem sido feito. Não está um projeto do Executivo Municipal que não tenha tramitado, passado por todas as comissões, debatido e sofrido emenda de vereadores, sobretudo da oposição. Esse é o nosso papel. Não estamos ali pra ser um apêndice do Executivo. Estamos ali para contribuir, para criticar, para sugerir. E isso temos feito de maneira sistemática.
Ademir Ismerim, que coordena o projeto de trazer os restos mortais de Thomé de Souza para cá, deu entrevista ao BN e comentou que pediu apoio da Câmara, mas ainda não houve um retorno. Como está esse processo?
Já estive com meu amigo, advogado Ismerim, que é uma pessoa que eu prezo, um amante da história, muito dedicada a esse aspecto. Pessoa que sai da sua zona de conforto e busca trazer monumento artístico para cá. Ele já esteve comigo, foi apresentado primeiro projeto que foi descartado, projeto um pouco maior, numa área da Cidade Baixa, se não me engano, mas ele estava plotando um novo projeto e disse a ele que assim que fosse apresentado poderíamos discutir, sim, e abraçar esse projeto. Executivo, Legislativo e iniciativa privada, quem ganha é a nossa cidade se tiver um museu de Thomé de Souza reverenciado a nossa cidade.

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Bahia Notícias – Entrevista vereador Paulo Câmara

Segunda, 04 de Agosto de 2014 – 10:58

Paulo Câmara

por Evilásio Jr./Fernando Duarte/Luana Ribeiro

Em ano de eleições em âmbito estadual e federal, o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Paulo Câmara (PSDB), elege como desafios a aprovação dos projetos importantes para o Executivo, como o que institui o programa Primeiro Passo, que oferecerá R$ 50 mensais de auxílio a famílias com crianças com idade entre 0 a 5 anos que não conseguiram vaga nas creches públicas da cidade, além das discussões do novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador (PDDU), que, segundo ele, devem seguir, de forma acalorada, por pelo menos um ano, ao longo de vinte audiências públicas  – o que foi aprovado pelos vereadores em 2011, ainda na gestão de João Henrique (PSL), alvo de controvérsias, teve cinco encontros para debate. “Você tem que ter um calendário já definido, os locais já definidos, a imprensa, a convocação de rádio, outdoor, TV, todo mundo participando, aí você não tem mais desculpa. Se você não foi, foi porque você não quis. Se já está sabendo antecipadamente, o que vai acontecer? Agora chegar na hora para criticar? Aí não vai dar”, argumenta ele, que já se adiantou a detalhes polêmicos do antigo projeto, como a questão do gabarito dos prédios na orla da capital. “Porque não pode ter dez andares? Você vai em qualquer lugar do mundo – outro dia estava vendo que em Dubai tem prédio com 180 andares, tem aquele hotel-vela dentro do mar [o Burj Al Arab]. Então, determinados pontos de vista, eu não concordo”, afirma. Em seu terceiro mandato, líder de uma Casa “ecleticamente distribuída”, não descarta a possibilidade de estar novamente à frente do Legislativo soteropolitano. “Se a Casa entender que eu devo ser, serei, sem a menor dúvida, eu não escondo isso aí não”, confirma. O tucano desconversa, no entanto, quando trata da chance de ser escolhido para dividir a chapa com o prefeito ACM Neto. “Quem morre de véspera é peru! [risos] Cada dia, sua agonia. Não tenho essa vaidade, acho que eu tenho o tempo a meu favor”, conclui.

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Bahia Notícias: Qual o impacto que o Legislativo de Salvador está sentindo com esta eleição? São 18 candidatos [na Casa], como está sendo a execução dos trabalhos?

Paulo Câmara: Efetivamente compromete, não tem a menor dúvida disso. Já no início do ano, tivemos a primeira reunião de líderes da mesa diretora e já prevíamos que esse ano seria comprometido. O princípio do Carnaval, já no final de fevereiro, início de março; Copa do Mundo, praticamente o mês de junho não existiu na cidade, maior expectativa, preparação – e nós estávamos no entorno da Fonte Nova, então 24 horas antes o trânsito tinha que parar – e hoje a perspectiva de quase 18 candidatos a deputado estadual e federal compromete os trabalhos. Nós temos feito um esforço muito grande no sentido de focar as necessidades da Casa Legislativa. No último dia 11 de junho aprovamos uma série de projetos dos vereadores, essa foi a nossa meta principal. E nós temos agora no segundo semestre expectativa do projeto Primeiro Passo, que já está tramitando na Casa; o projeto temático, que é da reforma tributária, o financiamento do BNDES do prefeito. No mais, é organizar a Casa, para ver se nós, agora no final de agosto e início de setembro, podemos botar alguns projetos de interesse da cidade para votar.
BN: O projeto Primeiro Passo chegou recentemente à Câmara de Vereadores. Qual é a previsão de conseguir quórum suficiente para votar esse projeto?
PC: A tônica do projeto é do interesse da cidade, é um projeto que beneficia mais de 53 mil crianças. No meu primeiro momento, quando li o projeto, conheci, achei o projeto muito importante para a cidade, não vejo porque venha a criar algum tipo de obstáculo, obstrução; e aí eu falo por parte da oposição. Mas primeiro quero leva-lo ao líder da oposição, Gilmar Santiago [PT], o líder do governo [Joceval Rodrigues (PPS)], para que nós possamos, efetivamente no início de setembro, tentar botar esse projeto para votar. É como eu volto a repetir: do que li do projeto, do escopo, não vejo nenhum problema em votar esse projeto.
BN: Alguma previsão, de votação?
PC: Previsão é o mês de setembro, acho que é um prazo razoável para votar esse projeto. Ele entrou na Casa ontem [a entrevista foi concedida na quarta-feira (30)], no expediente, então pelo menos um mês para comissão, alguém que queira tirar alguma dúvida, que possa chamar um secretário para tirar algum esclarecimento, possa pedir um recurso, a dotação orçamentária, ou arcar recursos – nós estamos falando em benefícios na ordem de R$ 30 milhões – então pode surgir algum acordo com relação a orçamento. Acho que um meio-termo é votar esse projeto no meio de setembro.
BN: Vai votar em regime de urgência?
PC: Ele está em regime de urgência. O que é o regime de urgência: ele tramita 45 dias na Casa, depois de sessões ordinárias o projeto sobrestar a pauta. Dez sessões ordinárias, no ritmo que nós estamos tendo de pelo menos duas sessões por semana, você efetivamente, contando 45 dias a partir da entrada ontem, seria 15 de setembro. Com mais dez sessões ordinárias, seria para o final de outubro, início de novembro. O bom senso manda votarmos ainda neste ano, para que ainda neste ano o projeto possa ser executado.
BN: Quando chegou a mensagem com esse pedido de urgência teve algum tipo de reação da oposição, no sentido de dizer que determinado item está errado, que precisaria de emenda, que não tem que sobrestar a pauta?
PC: Não, não. Até porque como chegou ontem, deve ter entrado na internet ou na terça pela manhã ou na segunda à tarde. Então acredito que nem deu tempo dos vereadores tomarem conhecimento. Pedido de urgência é só para dar celeridade ao processo. Por isso que eu digo: 30 dias para você conhecer um projeto dessa magnitude, do alcance social que vai ter na cidade, acho que é um prazo razoável para votação. Lógico que é uma Casa livre, de oposição, de situação, de blocos independentes… Tem que ouvir e respeitar a todos, mas o que eu vou tentar conduzir é que no final desse mês  ou no início do outro mês a gente possa aprovar isso aí.
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BN: Recentemente houve um problema dentro do regimento interno; a prefeitura havia solicitado o regime de urgência para a desafetação dos terrenos e aí os vereadores da oposição identificaram que esse projeto especificamente não podia transitar em regime de urgência. Em que pé está a votação desse projeto?
PC: Só para colocar: qualquer projeto de lei enviado pelo Executivo pode ser encaminhado em regime de urgência. Isso é fato. Existe um expediente no regimento interno na Lei Orgânica do Município que esse projeto… Vamos dar o exemplo agora do Primeiro Passo, que está tramitando em regime de urgência e chegou ontem. Se os 29 vereadores, que é o quórum mínimo que se necessita para votar qualquer projeto de urgência, entenderem que o projeto deve ser aprovado amanhã, ele será votado amanhã. O que aconteceu com o projeto dos terrenos, é que por se tratar de alienação e desafetação, você não poderia descumprir esse prazo regimental de 45 dias tramitando mais dez sessões. Após cumprir esse prazo, ele sobresta a pauta. Sobrestando a pauta, a Casa só pode fazer qualquer tipo de votação após votar desse projeto. Eu queria deixar uma coisa bem clara aqui: em nenhum momento houve pedido de urgência para votar dos vereadores, o projeto continua tramitando em regime de urgência. Ele já cumpriu os 45 dias legais e, salvo engano, já está na quarta ou terceira sessão ordinária. Depois da décima sessão ordinária, ele sobrestará a pauta. Então ele continua tramitando legalmente na Casa. O que se imaginava, se pensava, e que não foi feito, o líder do governo não solicitou, foi que ele viesse à ordem do dia para ser votado, como qualquer projeto pode ser colocado. Mas tratando-se de desafetação e alienação de bens, ele não poderia. Então na hora se pensou assim, como existe a desafetação de áreas da Paralela – em atendimento ao Minha Casa Minha Vida, é uma área que a prefeitura vai desafetar para o Estado poder construir – então esses dois projetos que estavam sendo discutidos, com a isenção do IPTU, eram cinco projetos do Executivo. E na época eu falei: ‘olha, esses dois projetos não podem ser votados’. Sequer foi pedido esse regime. Criou-se aquela celeuma toda, faz parte, é legítimo da oposição, eu compreendi. E eu, enquanto presidente, tomei a decisão: dos cinco projetos, esses dois não serão votados porque não podem ser votados.
BN: A vereadora Aladilce Souza [PCdoB], que é ouvidora da Câmara, entrou com um pedido para suspender a tramitação da alienação dos terrenos e teve um debate grande entre ela e Léo Prates [DEM], ele dizendo que ela, no papel de ouvidora, não pode tomar esse tipo de atitude. Como está esta situação no sentido do que Aladilce apontou de irregularidade?
PC: Acho que foi esclarecido. Acho que ela é a vereadora que combate, defende os interesses da cidade, é uma vereadora que tem a posição dela firmada… E [a Câmara] é a Casa do contraditório, a gente tem que respeitar a opinião do governo e da oposição. O que o vereador Léo Prates colocou é a posição enquanto ouvidora. “O presidente Paulo Câmara é a favor”. Não, o vereador Paulo Câmara é que pode ser a favor, não o presidente, que eu falo pela Casa e a ouvidora fala pela Casa. No próprio debate interno da Casa houve esclarecimentos, a vereadora propôs audiência pública e é a obrigação dela, enquanto vereadora e ouvidora. [Ela] ouviu os esclarecimentos e externou – e eu acho que o que foi externado foi muito mais a posição da vereadora, ela disse que é contra esse projeto, desde o primeiro momento, que fique bem claro. A partir do momento em que ela fala como ouvidora, isso envolve a Casa como um todo. Foi esse o questionamento do vereador Léo Prates e eu acho que foi debatido, discutido, não tem mais problema nenhum em relação a isso.
Bahia Notícias: O senhor acha que está tendo, até tomando como exemplo esse caso de Aladilce, um aproveitamento desses debates da Câmara como palanque eleitoral, já que, por exemplo, Aladilce é candidata à deputada?
PC: Não, não. A vereadora Aladilce, acho que não. Acho que ela sempre colocou muito clara a postura da vereadora, desde o primeiro momento ela sempre foi contra e sempre vem pontuando na imprensa o voto dela contrário à bandeira de tramitação, enfim, que é legítimo. Acho que não tem nada a ver em relação à campanha. Se você falar que os ânimos estão mais acirrados por causa da campanha política, entre governo e prefeitura, aí sim. Naturalmente, nós temos lá os vereadores defendendo a chapa majoritária de um lado, a de outro, candidato que defende seu governo, e isso naturalmente acirra. Mas nesse caso específico não.
Bahia Notícias: Isso afeta o posicionamento da Câmara em relação à campanha eleitoral?
PC: Não, acho que é natural. Eu defendo minha posição, minha bandeira, meu partido, meu candidato. Eu procuro separar o presidente do vereador externo, porque vereador lá fora, faço campanha para quem eu quero. E também na Câmara, se eu tiver que defender o meu candidato, de maneira legítima, com os meus princípios,  e porque eu acho que ele é o melhor para a Bahia, ou porque é o melhor deputado estadual, federal, senador… Defenderei sem o menor problema. Eu não vou é externar uma posição do presidente da Casa. Isso eu tenho que separar e os vereadores têm feito lá. Agora, surge um caso, como da [Entidade da] Região Metropolitana, natural… Aí é prefeitura, governo, o líder do governo defende o prefeito, o líder da oposição defende o governador; como sempre existiu, desde que me entendo como vereador, nos meus três mandatos naquela Casa. E vai continuar. Isso que é salutar, é o debate, é o contraditório, a gente tem que ouvir, respeitar e dali tirar as conclusões para o melhor.
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BN: Temos observado que a Câmara não tem votado tantos projetos. O senhor mesmo admite que a campanha, como todo ano acontece, prejudica os trabalhos na Câmara, e alguns vereadores tem usado o palanque eleitoral que a Câmara dá em favor de suas coligações. Em relação à frequência têm sido observadas muitas faltas, muitas ausências?
PC: Não, ontem mesmo tinham 38 vereadores presentes no plenário. O que está acontecendo lá: ou está tendo número para abrir a sessão ou não está tendo. Não está tendo aquele negócio de “abre ou fecha”. Os dias que estão tendo sessão lá, ontem mesmo, como eu disse, teve 38 vereadores no plenário. Cortar ponto não, porque ontem mesmo, três licenças foram votadas: a vereadora Ana Rita [Tavares], vereador José Trindade, por licença médica; ontem também teve a licença da vereadora Cátia Rodrigues, que está se ausentando, vai assumir outro vereador no lugar dela. Tudo justificado, sem problema nenhum. Eu mesmo não pude estar na sessão na segunda-feira retrasada porque estava acamado em casa, de virose. Acho que são coisas do dia-a-dia que acontecem, mas não está havendo nenhum tipo de manobra, nada que possa dificultar o trabalho da Casa.
BN: Quantos foram substituídos agora, para campanha?
PC: O vereador Alan Castro, o vereador David Rios, a vereadora Cátia Rodrigues e o vereador Heber Santana. São quatro.
BN: Muda alguma coisa na configuração da Casa?
PC: Vamos ver na hora da votação (risos). Acredito que não. O vereador Paulo Magalhães entrou no lugar do vereador Heber, o vereador Beca [Everaldo de Souza], no lugar de Alan Castro e o vereador Alcindo [da Anunciação], que é do PT, no lugar do David Rios. E agora assume o primeiro suplente, de quem não me recordo o nome, da vereadora Cátia Rodrigues.
BN: A oposição ganhou mais um vereador, com Alcindo da Anunciação?
PC: Aí só você ligando para o vereador Alcindo da Anunciação, ele é do Partido dos Trabalhadores, faz parte da bancada de oposição. Mas o discurso do vereador, acho que vocês estavam presentes, ele sempre pontuou o mandato dele pela independência política da prefeitura e política-partidária. O que ele acha que deve votar, vai votar, isso foi o discurso inicial. Ele está lá para defender os eleitores que o colocaram lá na Câmara de Vereadores e a cidade de Salvador. Se for uma opinião que seja de encontro ao prefeito, se for de encontro a orientação da bancada dele, se for de encontro a orientação do partido dele, segundo o vereador Alcindo da Anunciação, ele é um vereador que vai defender os princípios que ele acha que são corretos. Aí você pode ligar para ele e esmiuçar melhor esse assunto [risos].
BN: Com a licença de Cátia Rodrigues e a entrada de Alcindo da Anunciação a Câmara volta a ter efetivamente 43 vereadores em vez de 45? 
PC: Porque 45?
BN: Porque Alcindo diz que era 44º elemento e Cátia Rodrigues e o Pastor Luciano eram o 45º. 
PC: Existe uma praxe dentro da Casa Legislativa: todos os ex-vereadores frequentam a Casa, eu sempre desde o início perguntava isso, mas o vereador Alcindo sempre está presente, hoje vereador Alcindo, na época ex-vereador. O vereador Luciano frequenta a Casa, tem boas amizades, bons relacionamentos, e vira e mexe ele aparece lá para dar um abraço nos vereadores. Mas a Casa sempre teve 43 vereadores, não 45 (risos).
BN: Um dos projetos mais polêmicos votados no ano passado pela casa foi o do IPTU e possivelmente hoje nós temos a confirmação do voto pela inconstitucionalidade do relator Roberto Frank [o julgamento foi adiado, mas o relator votou como insconstitucional]. Qual vai ser o posicionamento adotado pela Câmara dos Vereadores a partir do momento em que o Tribunal de Justiça decrete que é inconstitucional a lei que foi aprovada pelos vereadores?
PC: Decisão de Justiça se cumpre. O que a Câmara fez, ao longo do ano passado, foi cumprir todo o rito legal que determina a Lei Orgânica do Município. Foram 80 dias tramitando. Eu acho que sempre vai existir, de qualquer lado, voto contrário, voto a favor, achar unanimidade em uma Casa daquela é difícil. Ainda mais hoje – posso dar o exemplo do vereador Hilton (Coelho), que é uma pessoa às vezes independente da oposição e do governo, tem a convicção dele própria. Nós já tivemos lá matéria que oposição e governo quiseram votar a favor e o vereador Hilton contra. Então hoje a Casa está muito distribuída ecleticamente de posições partidárias. Eu acho que no que tange à Câmara, eu não tenho nada que dizer, cumprimos todas as legalidades do processo. Agora a Justiça, de maneira definitiva, entende que é inconstitucional. A prefeitura irá recorrer do processo, existe margem para recorrer? Estão voltando até ao PDDU do passado. O questionamento é que não ocorreu audiência pública. Eu levei à mesa do promotor tudo, 1500 páginas xerocadas de audiência pública. Você pode questionar “ah, isso eu não concordo”, mas dizer que não houve audiência pública? Está lá um CD, em anexo, com 1500 páginas xerocadas com presença da oposição e do Ministério Público nessas audiências, que foram feitas em cinco escolas públicas. Por esse fato, eu contestei até o fim. Você pode achar qualquer outra razão para querer judicializar, mas não porque não houve audiência pública. E o que determina o Ministério das Cidades, a lei do Estatuto da Cidade, é que deverá haver audiência pública, nem no plural está. Se serão uma, se serão dez, é outra história. Lá não diz que tem que fazer vinte. O meu embate, à época que a Câmara foi arrolada, foi nesse sentido: por que vocês querem judicializar? ‘Essa emenda eu não concordo’, a verticalização… Não tem problema nenhum. O impacto ambiental, o impacto na ventilação, no trânsito… Mas porque não houve audiência pública, desculpe, não vale bater na mesa. Por isso eu defendi até o fim o processo e continuo defendendo. Por causa desse motivo que desencadeou tudo isso, os outros processos. Mas enfim, a Justiça decidiu, nós estamos a recorrer. Mas com relação a esse processo, é cobrar da prefeitura. Agora se o desembargador notificar a Câmara, é se reunir com a Procuradoria Geral do Município, com a Mesa Diretora, e ver qual posicionamento nós vamos tomar. Mas até onde sei, nós não fomos citados.
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BN: O PDDU volta a ser discutido agora, o novo projeto, a Câmara vai participar desse processo, pretende fazer alguma audiência pública agora, ou só quando o projeto chegar?
PC: Não tenha a menor dúvida. A cidade vive um novo momento, uma nova perspectiva, um novo rumo. Acho que a parceria que está sendo feita entre a prefeitura de Salvador, Câmara Municipal, Ministério Público, sociedade civil organizada… esse debate irá acontecer. Não existe pressa em votar esse PDDU, a expectativa é de que seja no segundo semestre do ano que vem, ou julho do ano que vem, final do primeiro semestre. Nós temos um tempo longo para discutir, temos a previsão de mais de 20 audiências públicas. [Divulgaremos] através de outdoor, de rádio, a TV Câmara irá cobrir, os sites, enfim. Acho que a gente tem que ter essa oportunidade agora, essa compreensão, e debater, discutir. Agora, vai agradar a todos? Pondo coisas que há entendimento aí: eu sou favor da expansão da orla, dentro de padrões, dentro de estudos, de corredores de ventilação. Porque não pode ter dez andares? Você vai em qualquer lugar do mundo – outro dia estava vendo que em Dubai tem prédio com 180 andares, tem aquele hotel-vela dentro do mar [o Burj Al Arab]. Então, determinados pontos de vista, eu não concordo. Porque não pode? Você me achar [motivos]:’ vai prejudicar’. Aí tudo bem. Mas porque vai dar sombreamento… enfim. Você vai na orla de Aracaju, sobe aqui, é belíssima, mas a nossa é a pior orla do Brasil. Agora, você fazer uma “Copacabanamização”, aí não, aí não. Você tem que determinar limites, parâmetros: o jogo aqui é esse, a regra vai ser essa, você vai usar outorga onerosa por causa do município, é melhor? Você vai deixar aqui espaçamento de cem metros? Determina a regra do jogo e faz. Agora contra por ser contra não. Acho que vai ser um debate caloroso, onde todos estão participando e debatendo. Eu acho que a Sucom deverá fazer cerca de 15 a 20 audiências públicas, o Ministério Público participando de tudo, acho que aí vai dar legitimidade ao processo…
BN: A Câmara também vai participar?
PC: Participaremos todos.
BN: Quem vai presidir essas audiências públicas? É a Câmara de Vereadores?
PC: Não, é a Sucom. Quando chega no foro da Câmara, efetivamente que nós temos nosso tempo para discutir. O que é que nós queremos fazer, é um entendimento que eu estou querendo chegar: que ao longo dessas 20 audiências públicas, todas as contribuições já serão colocadas, por regiões, todos os temas serão debatidos; nós temos um ano para incluir. O que eu quero colocar para a nossa Casa é que ao chegar lá em maio, abril, maio, junho, no dia que chegue, nós vamos fazer 20 audiências para discutir o que já foi discutido? Aí é perda de tempo. Acho que o vereador não podendo ir, manda o assessor competente. Se for o caso a Câmara vê se pode designar alguém para pontuar. Vou pedir que a TV Câmara cubra todas as sessões para que possa ser transmitida, se veja o que naquele dia ocorreu. Tentar obter a ata daquelas reuniões, no final, qual foi a pontuação da entidade “A”, da entidade “B”, do Instituto Gambá, da Fieb, da Sinduscon, para ver o que a gente vai tendo ideia ao longo de um ano. O que eu acho que não deve acontecer, meu sentimento é esse, é você chegar em maio, abril do ano que vem e fazer mais dez audiências públicas; aí é uma perda de tempo, a cidade perde. Praticamente não existe hoje nenhum lançamento na cidade, do ponto de vista imobiliário, por causa dessa dúvida que gera; as grandes empresas foram embora, a demissão em massa que está sendo gerada no setor produtivo, daquelas pessoas que são menos qualificadas – às vezes um peão de obra está estagnado. Perde a cidade, que não gera emprego, que não gera renda; perdem as empresas que querem investir e vão para outro lugar. Você vê Conquista está ganhando, Feira está ganhando, outras cidades estão ganhando. Então perde a cidade de Salvador como um todo. Discussão e briga, quem perde é a cidade de Salvador. Se tivermos, Câmara Municipal, Ministério Público, prefeitura de Salvador sociedade civil organizada, população, essa capacidade, essa compreensão de passar, acompanhar, visitar, sugerir, criticar e debater, ao longo de um ano, quando chegar à Câmara, já chegar formatado. E a Câmara pode chegar, ‘olha, acho que pode corrigir isso aqui’, fazer uma pontuação e lá dentro fazer o debate, como vai existir em qualquer projeto que venha do Executivo para cá, concordando e discordando. O importante é que tenha legitimidade no processo para que não digam: “ah, só ocorreu uma audiência, a orientação era para ser cinco, foram dez”. Não. Você tem que ter um calendário já definido, os locais já definidos, a imprensa, a convocação de rádio, outdoor, TV, todo mundo participando, aí você não tem mais desculpa. Se você não foi, foi porque você não quis. Se já está sabendo antecipadamente, o que vai acontecer? Agora chegar na hora para criticar? Aí não vai dar.
BN: Como fazer cumprir essa determinação já que não é a Câmara que vai presidir essas audiências públicas? Para que haja uma votação por maioria e os itens sejam aprovados ou recusados no que vai compor o projeto definitivo? O senhor presenciou muito de perto uma discussão que teve nas audiências do metrô, então o senhor sabe que partidos políticos, grupos econômicos, conseguem mobilizar as suas claques para poder fazer presença. O senhor não teme que algum grupo empresarial interessado, contra o interesse da cidade, ou algum partido político em não querer o desenvolvimento consiga colocar número suficiente para vetar ou aprovar determinada proposta?
PC: Não. Quem aprova e quem veta é a Câmara Municipal de Salvador.
BN: Mas para compor o projeto já definitivo. Falamos das propostas que estão sendo debatidas.
PC: Se nós estivermos atentos… É por isso que eu digo que é a participação do Legislativo nesse processo ao longo de um ano, não quer dizer que todos os vereadores têm que estar presentes. Mas eu acho que as pessoas devem acompanhar através de sua assessoria e os vereadores que puderem [ir], melhor ainda. O que eu estou dizendo é o seguinte: o que virá de lá é uma proposição que já foi, teoricamente, sentada e discutida. Mas se eu entender que aquela proposição que foi colocada para atender o Instituto Gambá, a Fieb, e eu não concordar, eu vou me colocar contra aquele ponto. E eu vou explicar o porquê.
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BN: Então o Legislativo vai emendar tudo…
PC: Não é emendar tudo, a proposição não é essa. Volto a repetir aqui: fazer uma correção pontual. Se surgir uma coisa na audiência de janeiro que eu não concorde, eu vou externar logo. Eu não posso deixar para externar no dia que chegar lá. Você teve seis meses para discutir, agora que você quer discutir esse processo? Porque ao longo de seis meses você pode até tentar convencer os outros de que não é correto. E fundamentar, pedir palavra de ordem, explicar tecnicamente o que não pode e tentar tirar aquele ponto. Mas você se calar durante seis meses, sobre uma coisa que você acha que é ruim, que não é bom para a cidade e chegar na hora, no dia, e dizer: ‘olha, eu não concordo’. Peraí, chefe, a gente vai perder mais seis meses? Aí andar para trás eu não gosto. Agora realmente houve um entendimento ao longo do processo, a maturação, os vereadores da Casa entendem que esse projeto é ruim, a gente vai discutir, com a mente aberta, debatendo. Por isso que eu digo que vai estar lá o Tribunal de Justiça, o Ministério Público; todos estão acompanhando esse processo, porque ninguém quer que aconteça como o outro. Você envolveu Ministério Público, Justiça, Câmara de Vereadores e prefeitura. Quem perdeu foi a cidade. Era a pergunta que se fazia: como é que quatro entidades independentes, que queriam a mesma coisa, não conseguem resolver o problema? E não se resolveu. Você tem 43 vereadores de um lado, você tem um corpo do Ministério Público imenso do outro lado, um corpo de desembargadores do outro lado. Quando se bota muita gente em uma mesa não dá. Mesmo tendo oposição, prefeito, MP e Tribunal praticamente alinhado e deu no que deu: quando foi a julgamento, perdeu a cidade toda. E teve quem disse até que 80% do PDDU poderiam ser aproveitados, quando foi ao contrário, 20% foram aproveitados. Foi surpresa para todo mundo, porque vinha se construindo um entendimento. Então o que a gente não quer é nada que possa atrapalhar o andamento. Tem uma frase que eu sempre uso: tudo que começa bem, termina bem. Então se a gente vai começar bem, de maneira transparente, correta, todo mundo participando, debatendo, essa primeira vai ser já o start: ‘bom, isso aqui tem que corrigir, não dá para ser na Fonte Nova’. Pronto, vou colocar aqui na urna. A gente vai fazer em diversos pontos da cidade, em todas as regiões administrativas de Salvador, acho que deve ser feito isso, pegar todas as 20 subprefeituras que já estão prontas, com a capacidade de mobilização que existe hoje, botar para debater. O que pensa o pessoal do Subúrbio, de Cajazeiras; o trânsito, se esse metrô vai para Cajazeiras, enfim, tudo que pode ser discutido. E acolher sugestões administrativas. Paralelo a isso, ouvir os segmentos da sociedade, empresarial, patronato, sindical… E você vai formatando. Então nada vai ser escondido. Você está acompanhando, como foi agora, o Ministério Público acompanhando o processo da licitação do transporte. Apesar de ter sido contra, o MP legitimou o processo: ‘não, eu estou acompanhando há um ano isso aqui’. Tudo que foi solicitado de conserto foi feito. É assim que a gente espera: ter o apoio de todos que participem, para quando vier para a Câmara Municipal de Salvador não venha nenhum tipo de ‘ah, isso eu não quero, isso vai desagradra A, B, C ou D’.
BN: O senhor falou que o começa bem, termina bem. O mandato de Paulo Câmara à frente da Câmara de Vereadores como presidente termina bem em dezembro de 2014? Ou no ano que vem ele é reeleito à presidência da Câmara?
PC: (Risos) Tenho sempre pontuado a minha vida pública… Sou tranquilo em relação a esse aspecto, tudo que eu conseguir tentar implementar, a minha última tarefa é agora, é a TV Câmara; tudo que tinha de compra já foi feito, falta só a última assembleia. Todas as proposições foram feitas, com maior número de sessões, quebraram recordes, o número de audiências públicas, projetos de lei de vereadores que foram votados. A única vez que essa Câmara – estou no terceiro mandato –convocou um secretário para discutir, que foi o do Fazenda [Mauro Ricardo], do meu partido. Recentemente a vereadora Vânia [Galvão] disse: ‘pô, Paulo, parabéns’. Porque nessa atitude fui contra a prefeitura, não deixei votar o projeto. Então procuro defender os interesses da Casa em primeiro lugar, os interesses da cidade. Procuro ter o maior diálogo possível com todos os vereadores. Agora quem vai dizer se eu vou ser reeleito ou não é a própria Casa.
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BN: Mas você é candidato…
PC: Se a Casa entender que eu devo ser, serei, sem a menor dúvida, eu não escondo isso aí não. Quem vai dizer ou não é a Câmara de Vereadores, lá para outubro, novembro. Acabou eleição majoritária, acabou segundo turno, chegamos em novembro: quem são os candidatos aqui da Câmara? Eu vou consultar os meus colegas: ‘você acha que eu devo ser candidato’? ‘Ô, Paulo, acho que você deve’. Se eu tiver o aval, serei. Mas se me disserem: ‘pô, Paulo, você não vai contribuir’, ou ‘já chegou sua hora de dar a vez para outra pessoa’… Isso é legítimo da Casa.
BN: Quantos já disseram que apoiam a reeleição de Paulo Câmara? 
PC: Como bom jornalista, que conhece os meandros daquela Casa, você poderia até me ajudar, fazendo uma pesquisa interna [risos]. Graças a Deus, sempre tive uma relação ótima com todos os vereadores.
BN: Inclusive com Carlos Muniz [PTN, primeiro vice-presidente da Câmara]?
PC: Eu, pessoalmente, não tenho nada contra ele. Irei debater com todos…
BN: Mas ele quer o cargo…
PC: Ele quer, como o vereador Hilton foi candidato na outra, o único. Eu disse: ‘vereador, o que é que a gente pode aqui compor’. E ele: ‘não Paulo, eu serei cotado na eleição do meu partido’. Como a gente pode ter três ou quatro candidatos. Ele [Muniz] já se colocou como candidato. E é legítimo e eu respeito e compreendo. Mas se eu entender que devo ser candidato, serei também. Não tenha a menor dúvida disso. Como o vereador Hilton pode chegar e também será. E quem tiver 23 votos será eleito, quem não tiver, perderá a eleição.
BN: Qual o seu desejo maior? Desejo, independente dos pares. Ser reeleito presidente da Câmara em 2015 ou ser vice-prefeito em 2016?
PC: Ave Maria! Não tem uma pergunta mais fácil aí não? Você, rapaz… [risos] Desejo… Eu tenho desejo de cumprir meu mandato bem! Eu acho que nós temos uma missão agora que é, primeiro passo, tentar ver essa parte da eleição majoritária, ver se a gente consegue eleger nosso candidato a governador. Segundo passo, eleição para a presidência da Mesa, se os colegas entenderem que eu deva ser, serei. E o terceiro passo quem vai decidir é o prefeito ACM Neto. O prefeito tem legitimidade, é o melhor do Brasil, tem feito um trabalho extraordinário pela cidade. E a conjuntura, a conjuntura nacional, estadual, local; a política é tão dinâmica…Quem sabe se a gente não vai ter um aliado de oposição na chapa majoritária? Ninguém sabe o que é que vai dar aí. De repente é um PSB, um PSD, um PCdoB, um PT; as coisas mudam. Você vê, o PSDB e o PMDB de Minas são praticamente pré-aliados, porque o [então] governador Aécio [Neves] conseguiu implementar essa política lá, o próprio PSB é aliado dele. Quem sabe se o prefeito ACM Neto também não consiga, diante dessa capacidade, chegar ao final do mandato e…
BN: Colocar Gilmar Santiago na chapa…
PC: Aí eu acho um pouco difícil [risos]. É meu amigo pessoal, é líder da oposição… Mas você tem grandes quadros no Partido dos Trabalhadores, grandes quadros!
BN: Mas o senhor sendo convocado [para vice],  aceita?
PC: Se eu for convocado pelo prefeito ACM Neto? Quem é que vai dizer não se receber uma convocação do prefeito? O prefeito ACM Neto é quem vai convocar, ele vai decidir. Se ele entender que vai ser A, B, C ou D, estaremos lá para apoiar, não tenha a menor dúvida disso. Mas isso é para pensar em 2016. Já viu o ditado? Quem morre de véspera é peru! [risos] Cada dia, sua agonia. Não tenho essa vaidade, acho que eu tenho o tempo a meu favor. Acho que a gente tem que estar acompanhando o projeto do prefeito, a nossa geração, é ele quem está liderando o processo todo e ele vai ter a maturidade, a experiência, para a melhor composição da chapa dele. E eu estarei lá para apoiar a chapa do prefeito ACM Neto. Um ano de prefeito é o melhor do Brasil? Duzentos quilômetros de pavimentação? Sete UPAs? Postos de saúde recuperados? Tem muita coisa. O Governo do Estado ajudou, nesse quase um ano e meio, e agora teve esse parêntese político. Mas quem está ganhando é a cidade de Salvador. O que a gente quer é uma cidade boa para se viver. Não dá mais para a gente ter aquela cidade do passado. Lixo, má iluminação, não tinha credibilidade, as contas rejeitadas, você não tinha auto-estima de ficar aqui. Cansei de ver amigos meus aqui da cidade: ‘ô, Paulo, eu estou indo para Conquista, para São Paulo’ e eu falar: ‘O quê? Você está fazendo o que em uma cidade dessas, que você não tem perspectiva nenhuma?’. E agora não, temos uma realidade completamente diferente.

Bahia Notícias – Paulo Câmara comenta projeto Primeiro Passo

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