Violência contra a mulher cresce com o isolamento social. Não se cale. Denuncie!

Com aumento da violência contra a mulher, Ronda Maria da Penha mantém atendimento e órgãos pedem providências.

Com a nova rotina de isolamento social imposta pela pandemia do novo Coronavírus, muitas mulheres estão mais expostas e vulneráveis à violência doméstica, que é aquela praticada no âmbito familiar, estando o agressor morando na mesma casa ou não. Pela amplitude do problema neste período de confinamento, esta tem sido uma preocupação recorrente de líderes globais, como o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres e, infelizmente, uma triste realidade.

De acordo com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a violência contra a mulher cresceu 9% no Brasil após o isolamento social. Um dado que só piora a condição brasileira neste quesito, uma vez que o país ocupa a quinta colocação no Ranking Mundial de Mortes de Mulheres.

Em Salvador, a Ronda Maria da Penha mantém o atendimento de mulheres vítimas de violência, com a diferença de que, para evitar o contágio com o vírus, em vez de atendimento presencial a patrulha vai até a frente da casa da mulher, faz uma ligação para a denunciante e registra a denúncia por telefone. O objetivo é marcar presença da polícia e fazer com que a mulher se sinta segura. Ao todo, na capital baiana, a Ronda atende 159 mulheres que estão sob medidas protetivas.

Subnotificação na Bahia

Dados divulgados ontem, 15 de abril, pela Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/Bahia) apontam que as denúncias caíram 90% nos registros de denúncias de violência contra a mulher. De acordo com o órgão, no mês de fevereiro, período que ainda contou com o carnaval, foram 176 atendimentos realizados pela Defensoria Pública, por meio do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem). Já em março, durante o período em que houve atendimentos presenciais (até o dia 18 do mês), o número registrado foi de 221.

Segundo o órgão, desde então, quando a Defensoria passou a fazer seus atendimentos por telefone (129 ou 0800 071 3121, para todo o estado) e de forma virtual (agendamento on-line pelo site da Defensoria; pelo aplicativo Defensoria Bahia, apenas para sistemas Android; e por ChatBot com atendimento psicossocial na página Defensoria Bahia no Facebook), os registros caíram para apenas 16 neste período entre 19 de março e 14 de abril. Uma redução de 90,9% em relação a fevereiro e 92,7% comparado aos 18 primeiros dias de março.

A Defensoria explica que os dados acima referem-se apenas aos atendimentos jurídicos, com entradas ou acompanhamentos de pedidos de medidas protetivas. Quanto aos dados do atendimento psicossocial, o quadro é ainda mais agravante. Apenas um caso foi registrado desde o início do atendimento remoto da Defensoria, em comparação aos 41 realizados em fevereiro e os 54 nos primeiros 18 dias de março.

O órgão entende que essa queda revela uma subnotificação dos casos na Bahia, uma vez que os números divulgados pelo governo federal demonstram o contrário, que houve um aumento nos registros nesse período de confinamento.

Para enfrentar o problema no estado durante a pandemia, a Defensoria enviou, na semana passada, um despacho à Secretaria de Segurança Pública mostrando que no estado de São Paulo já foi liberada a utilização da delegacia eletrônica para a denúncia de casos de violência contra a mulher, no intuito de ser implementada na Bahia.

OAB solicita providências

Iniciativas semelhantes foram tomadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que encaminhou ofícios ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, propondo medidas para proteção das mulheres neste período, como a implantação de delegacias digitais ou outros mecanismos de denúncia, como WhatsApp e aplicativos, assim como delegacias móveis para registro de ocorrências e pedidos de medidas protetivas. Além da realização de uma campanha nacional com a divulgação de canais para realizar denúncia e procurar auxílio.

Ao CNJ, a OAB solicitou que juízes prorroguem automaticamente as medidas protetivas de urgência e defira novos pedidos com prazo indeterminado, além da execução de campanhas informativas em farmácias, bancos, supermercados e redes sociais. Também pede que o órgão monitore os casos e divulgue os dados de ocorrências e medidas judiciais.

Às mulheres vítimas de violência doméstica, a orientação é: fiquem em casa para se proteger do novo Coronavírus, mas não deixem de registrar a denúncia contra o agressor. Então siga a campanha: “mulher, ficar em casa não significa ficar calada”.

Como denunciar:

  • Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher
  • Pela internet – Site da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos ou pelo aplicativo Direitos Humanos BR, disponível para Android e iOS. No site da Ouvidoria, além do registro das ocorrências, a mulher pode enviar vídeos, fotos e áudios.

PI 96 e 97/2015 – Indica a criação do Projeto Maria da Penha Vai às Escolas

Botão Maria da Penha Vai às Escolas

Despertar nos estudantes o interesse sobre assuntos ligados aos Direitos Humanos, especialmente os que envolvem o combate à violência contra a mulher. Esse é o principal objetivo do vereador Paulo Câmara ao propor a criação do Projeto Maria da Penha Vai às Escolas, através dos Projetos de Indicação N.os 96 e 97/2015 endereçados ao prefeito de Salvador, ACM Neto, e ao governador da Bahia, Rui Costa.

A proposta tem como modelo o projeto implantado em escolas da rede estadual de ensino do estado de Minas Gerais, lançado naquele estado pela Secretaria de Desenvolvimento Social, em parceria com a Secretaria de Educação desde agosto de 2012. Lá, o projeto integra a Rede de Educação em Direitos Humanos da Subsecretaria de Direitos Humanos.

Dentro dessa iniciativa, foi criado material didático que trata de uma forma lúdica o tema da violência doméstica contra as mulheres. A ideia é realizar atividades dentro do ambiente escolar que visam à reflexão e a crítica sobre o tema e os meios de combatê-lo.

O projeto, que foi dado entrada na Câmara Municipal de Salvador no dia 11 de março de 2015, tem parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça da Casa Legislativa e segue na ordem do dia para entrar na pauta de votação.

Conheça os projetos na íntegra:

PI Nº 97-2015 – Indica ao prefeito ACM Neto criação do projeto Maria da Penha Vai às Escolas

PI Nº 96-2015 – Indica ao governador Rui Costa criação do projeto Maria da Penha Vai às Escolas

Botão Maria da Penha aguarda instalação pelo Governo do Estado

botão maria da penhaO vereador Paulo Câmara fez uma nova visita, na tarde de ontem (18), à desembargadora Nágila Brito, no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-Ba), para uma reunião de acompanhamento da implementação do Botão Maria da Penha. O aplicativo faz parte de dois projetos de Paulo Câmara que indicam à Prefeitura de Salvador e ao Governo do Estado (Projetos Nºs 269/2013 e 01/2014, respectivamente) a criação de uma unidade exclusiva para atendimento ao Botão Maria da Penha.

A iniciativa visa combater os altos índices de violência doméstica e familiar, não só em Salvador, mas em todo o estado da Bahia. Segundo a desembargadora, agora só depende do Governo do Estado, que se encontra em fase de transição. Contato já está sendo mantido com uma profissional especializada para o treinamento dos guardas municipais e policiais que farão a ronda. Por parte da Prefeitura de Salvador, as viaturas serão disponibilizadas por meio da Secretaria de Segurança e Prevenção à Violência do Salvador (Susprev), cujo objetivo é intimidar os agressores e fazer valer a medida protetiva da Justiça. A ideia é que os veículos sejam plotados com a marca do Botão e circulem em locais onde vivem as mulheres em situação de risco.

Correio* – Artigo Dia para a eliminação da violência contra a mulher

artigo jornal correio

Prefeitura realiza ações de enfrentamento à violência contra a mulher

veredor Paulo câmaraDo dia 20 de novembro a 10 de dezembro, acontecerá em Salvador o 16 Dias de Ativismo. O programa, que tem como objetivo o enfrentamento à violência contra a mulher através de ações que serão realizadas durante esses dias, é promovido pela Prefeitura de Salvador, através da Superintendência de Políticas para as Mulheres (SPM).

A atividade de abertura acontecerá nas praias de Patamares e do Flamengo e terá como tema o tráfico de pessoas. Das 9 às 13h, alunos concluintes do curso de Formação de Multiplicadores para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas darão orientações ao público sobre como enfrentar o problema. Já no dia 21, às 8h, no Parque Social, no Itaigara, será realizada a apresentação de um plano de ação para a implantação de políticas voltadas às mulheres, resultante da compilação de todas as iniciativas de órgãos municipais direcionados para esse segmento.

Entre os dias 24 e 30 de novembro, acontecerá a ação Autoestima Salvando Vidas, em que a doação de um brinquedo usado e ainda utilizável valerá um cupom que dará direito a um tratamento de beleza na loja Aromma. Os brinquedos serão encaminhados para creches comunitárias assessoradas pela SPM. A iniciativa acontecerá no piso L1 do Shopping Bela Vista, das 11 às 18h.

No dia 27, a Quinta Temática do mês de novembro terá palestras sobre o tema “16 Dias de Ativismo: mulheres negras e empreendedoras”. Das 8h às 12h, no auditório do Centro de Empreendedorismo, na Baixa dos Sapateiros, farão suas exposições as palestrantes Mônica Anjos, da MadáNegrife, e Joyce Venâncio, do Instituto Preta Pretinha (SP).

No dia 28 de novembro, das 8h às 14h, acontecerá a Feira da Mulher – Mulheres Metamorfoseando Salvador, no Largo da Capelinha, no Engenho Velho de Brotas. Serão oferecidos gratuitamente serviços de saúde da mulher, previdência social, direito e cidadania, assistência social e oficinas de beleza e artesanato, entre outros. Em 10 de dezembro, último dia do programa, a prefeitura lançará um vídeo institucional com depoimentos de mulheres assistidas pelo Centro de Referência e Atenção a Mulher Loreta Valadares e de membros da rede de atenção às mulheres, Ministério Público, Vara da Violência do Estado da Bahia, do Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Mulher da Ufba (NEIM) e outras autoridades.

A Tarde – Artigo Lei Maria da Penha completa oito anos

Artigo A tarde

Oito anos da Lei Maria da Penha

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Maria da Penha Foto: Agência Brasil

Há oito anos, no dia 7 de agosto de 2006, era sancionada no Brasil a Lei Maria da Penha. A norma, considerada um passo importante para o enfrentamento da violência de gênero no Brasil, cria mecanismos jurídicos de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, tipificando como crime esse tipo de agressão. Devido à lei, que passou a vigorar no dia 22 de setembro do mesmo ano de sanção, hoje, no país, os agressores podem ser presos em flagrante ou ter a prisão preventiva decretada.

A legislação estabelece como violência doméstica e familiar a violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, prevê pena de até três anos de prisão para o denunciado e determina que a vítima seja, juntamente com os filhos, encaminhada para programas de proteção e assistência psicológica e social. Devido à lei, muitas mulheres tomaram coragem e conseguiram denunciar seus companheiros, aumentando muito o número de queixas. No entanto, oito anos após a norma entrar em vigor, ainda ocorrem muitos casos. Na Bahia, por exemplo, nos seis primeiros meses deste ano foram registradas 2.381 queixas de violência contra a mulher, segundo a Defensoria Pública do estado.

 Botão Maria da Penha

Com o objetivo de diminuir esses índices, o vereador Paulo Câmara criou o projeto de lei que indica a criação do Botão Maria da Penha. A proposta prevê a criação de uma central de monitoramento, através da qual a mulher que estiver sob medida protetiva da Justiça poderá contatar ao acionar um aplicativo no smartphone equipado com GPS. Logo após o chamado, uma viatura será enviada para socorrê-la e um gravador de áudio será ligado e armazenará toda a conversa entre vítima e agressor. O diálogo poderá ser utilizado como prova judicial.

 Maria da Penha

O nome Maria da Penha é uma homenagem a Maria da Penha Fernandes, uma biofarmacêutica que durante 23 anos sofreu agressões do marido – incluindo duas tentativas de assassinato, uma com arma de fogo e outra por eletrocussão – e por causa delas ficou paraplégica. Após denunciar o esposo e não conseguir a devida punição, Maria da Penha passou a lutar pelo fim da violência contra a mulher, tornando-se um símbolo da causa. O marido, o colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, foi condenado a oito anos de prisão dos quais só cumpriu dois.

Botão Maria da Penha está em processo de implantação em Salvador

Reunião com a desembargadora Nágila Brito; o coronel Peterson Portinho, superintende da Susprev; o diretor de orçamento da Secretaria de Planejamento do TJ-BA, Maurício Dantas; o procurador jurídico da Câmara Municipal Gildásio Alves; e Leonardo Araújo, da equipe técnica de Paulo Câmara.
Com Nágila Brito, Peterson Portinho, Maurício Dantas,  Gildásio Alves e Leonardo Araújo.

Após elaborar propostas para a implantação do Botão Maria da Penha junto à Prefeitura de Salvador em abril de 2013 e ao Governo do Estado da Bahia em janeiro de 2014, através dos projetos de indicação 269/2013 e 01/2014, o vereador Paulo Câmara está lançando o aplicativo em parceria com a desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Nágila Brito, e equipe multidisciplinar.

“Graças à minha indicação, a partir de uma reunião realizada com o secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, em março deste ano, o Governo do Estado também começa a se mobilizar para implantar o sistema de proteção às mulheres vítimas de violência em Salvador e no interior baiano. É uma iniciativa louvável do secretário”, afirmou Paulo Câmara.

Viaturas
Na versão em desenvolvimento pela equipe do vereador e da desembargadora, o aplicativo acionará duas viaturas da Superintendência de Segurança Prevenção a Violência do Salvador (Susprev), da Prefeitura Municipal, que vai disponibilizar oito guardas municipais para garantir a segurança das mulheres no período de 24 horas. Os carros serão plotados com a marca do botão e vão circular nas áreas onde vivem as mulheres em situação de risco.

O aplicativo será acessado através de mensagem SMS por mulheres que estejam sob medida protetiva da Justiça, por terem sofrido violência do ex-marido ou companheiro, e poderá ser disponibilizado gratuitamente em smartphones.

Parceria com a ONU
O Botão Maria da Penha será utilizado em parceria com a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), que atende tanto mulheres em situação de violência, quanto pessoas que não compactuem e queiram ajudar denunciando as agressões. A ONU Mulheres, entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, lançou o aplicativo Ligue 180 que permite acesso direto à Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.

Paulo Câmara define estratégia de capacitação para aplicar o Botão Maria da Penha em Salvador

Reunião botão maria da penhaO vereador Paulo Câmara reuniu-se hoje (19) com a desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Nágila Brito, para definir a estratégia de capacitação dos oito guardas municipais que vão usar as duas viaturas destinadas ao Botão Maria da Penha, disponibilizadas pela Superintendência de Segurança Prevenção a Violência do Salvador (Susprev). Os carros serão plotados com a marca do botão e vão circular nas áreas onde vivem as mulheres em situação de risco, que estejam sob medida protetiva da Justiça.

Na ocasião, também foi apresentado o layout da marca do Botão Maria da Penha e das viaturas da Guarda Municipal que serão acionadas através do aplicativo para smartphones em Salvador. A desembargadora Nágila Brito elogiou a boa vontade e celeridade com que diversos segmentos da sociedade estão se mobilizando para fazer esse trabalho em equipe. “Vamos à luta contra os criminosos para dar uma vida digna a essas mulheres fragilizadas”, disse.

Seminário de capacitação
“Queremos sair do segundo lugar no ranking nacional de homicídios de mulheres e o uso do Botão Maria da Penha e a circulação das viaturas serão fundamentais para que os agressores sintam-se intimidados, fazendo valer a medida protetiva”, afirmou Paulo Câmara. A capacitação acontecerá depois da Copa do Mundo, em meados de julho, com um seminário que deve ter duração de uma semana, com conteúdo a ser desenvolvido pelo TJ-BA.

Participantes
Também participaram da reunião no Tribunal de Justiça da Bahia o coronel Peterson Portinho, superintendente da Superintendência de Segurança Prevenção a Violência do Salvador (Susprev); o diretor de orçamento da Secretaria de Planejamento do TJ-BA, Maurício Dantas; o procurador jurídico da Câmara Municipal de Salvador Gildásio Alves; e Leonardo Araújo, da equipe técnica de Paulo Câmara.

Processo de implantação
Paulo Câmara tem feito constantes esforços para viabilizar a implantação do dispositivo em Salvador e até mesmo em toda a Bahia. O edil já se reuniu com o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa; com o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Eserval Rocha; com a juíza Márcia Lisboa, da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher em Salvador; além da coordenadora do Grupo de Atuação em Defesa da Mulher do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), Márcia Teixeira.